Eilat — 2

Antonio Carlos Coelho*

No extremo sul de Israel, depois de se atravessar todo o deserto do Neguev, chega-se à bela pequena cidade litorânea, Eilat. É como se chegar a um oásis, e, se o viajante tiver sorte, pode ser beneficiado com a brisa que vem do mar. 
A cidade está situada no golfo que recebe o seu nome ou, Ákaba, como é conhecido pelos árabes. A pequena cidade faz fronteira com a Jordânia, pelo leste e, com o Egito, pelo oeste. Apesar da sua posição fronteiriça, não é afetada pelos conflitos políticos como as cidades do norte do País, embora tenha sofrido um ataque terrorista recentemente.
Eilat é diferente de tudo em Israel. Sua paisagem é única. De um lado deserto, noutro mar azul como nenhum. Ali tudo parece ser novo e ninguém se preocupa em visitar restos arqueológicos ou museus históricos. Eilat é lugar de diversão. Seus hotéis são bons e alguns outros, excepcionalmente bons. O mesmo pode-se dizer de seus restaurantes e da oferta de passeios e esportes radicais próprio para os mais jovens e corajosos.
Há o observatório marinho, talvez um dos mais belos do mundo. Seus peixes, corais, plantas são um espetáculo jamais visto. E, para quem quiser, pode ver essa maravilha através do fundo transparente de um barco ou pelas janelas de um pequeno Yellow Submarine. Há outros locais onde pode se conhecer a fauna do Mar Vermelho, onde se vê peixes e tartarugas que não poderiam ser vistos no restrito espaço de um observatório.  
Para quem gosta e tem paciência, pode passar uma manhã ou o dia inteiro num barco que sai pelo golfo até na altura da Arábia Saudita, até onde os limites territoriais permitem. Não é de se estranhar se uma lancha da marinha jordaniana ou saudita passar próximo ao barco, afinal ali é um local de estreitos limites.
As noites, principalmente durante os meses de julho e agosto, são muito agitadas. Turistas aproveitam o seu frescor para passear, sentar e beber nos bares ou fazer compras nas lojas de hotéis e butiques sofisticadas que circundam os hotéis. Entre as compras estão as pedras de Eilat. Magníficas! Com cortes especiais, mostram a beleza dos veios sobre pedras verdes azuladas em forma de pingentes, anéis, brincos e colares. 
Eilat é lugar de veraneio, de diversão. Sua beleza, resultado da cor do mar que contrasta com as cores do deserto, encantam os olhos e fazem a cabeça esquecer problemas políticos do Oriente Médio e de que há uma longa história de lutas e conquistas na Terra de Israel. No entanto, só de uma coisa não se esquece: de como é lindo o País. De como, num espaço territorial tão pequeno se tem tanta beleza, tanta história e um povo tão persistente.

* Antonio Carlos Coelho é professor, diretor do Instituto Ciência e Fé, e colaborador do jornal Visão Judaica.