A Idade das Trevas está de volta

O grupo terrorista Hamas vence as eleições na Autoridade Palestina; o [tresloucado] Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, depois de pretender riscar Israel do mapa e negar o Holocausto, reinicia, contrariando normas internacionais, seu ameaçador projeto para obter armas nucleares, e cria um concurso de charges do Holocausto; o [iletrado] coronel Hugo Chavez ataca judeus com anti-semitismo rasteiro; e cartuns de Maomé publicados por jornais europeus são pretexto para uma intifada de violência geopolítica ampliada. Esses quatro vértices do anti-semitismo atual parecem anunciar que estamos de volta à Idade das Trevas, quando a ignorância cavalgava nos campos do ódio e da barbárie.
No Oriente Médio uma nova, delicada e apreensiva situação foi criada com as eleições das quais saiu vitorioso o Hamas, responsável assumido por uma centena de ataques terroristas suicidas em Israel, com saldo de quinhentos de mortes. Seus líderes, quais discos quebrados, repetem, mesmo agora após as eleições, o mantra de que seu objetivo maior é destruição de Israel, conforme consta de forma muito clara de sua convenção. Muita gente duvida, com razão, de que essas idéias medievais mudem algum dia. Contudo, há os que crêem nisso. Dinheiro opera milagres, diz o dito popular. Mas nesse caso, é ver para crer...
A anacrônica besta de Teerã acaba de sofrer seu primeiro revés nas ameaças que faz ao mundo em geral, e a Israel em particular, com a decisão adotada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em 4/2, de levar a questão do programa nuclear iraniano ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. Espera-se que a comunidade internacional aja com decisão e rapidez, enviando uma mensagem clara a Ahmadinejad: que o regime iraniano deve parar completa e imediatamente com seu programa nuclear agressivo, vez que põe em perigo suas relações com a comunidade de nações e ameaça a paz. Seu virulento anti-semitismo não é um problema exclusivo de Israel, mas de todo o mundo. Que todos se lembrem do papelão de Neville Chamberlain em Munique.
E o governo da Venezuela começou a perseguir judeus simplesmente por serem judeus, fato que motivou o Centro Simon Wiesenthal a pedir ao mundo que esteja atento a esta nova frente que Chavez abriu para entreter o povo e não deixá-lo ver a situação em que o país se encontra, com o erário público sendo distribuído em toda parte enquanto os venezuelanos estão cada dia pior. Num discurso de véspera de Natal, Chavez disse que "algumas minorias, descendentes dos mesmo que crucificaram Cristo, vêm se apoderando das riquezas do mundo”. Foi a senha para que a imprensa controlada pelo governo iniciasse uma campanha anti-semita muito parecida com a da Alemanha nazista.
Fechando esse quadrilátero malévolo, está a violenta reação às charges de Maomé publicadas na Europa. Na Dinamarca foram publicadas em setembro passado, mas só agora, cinco meses depois estoura a intifada. Ofensas à parte, a rebelião parece canalizar o ódio contra os judeus. Um aiatolá disse ser tudo culpa dos sionistas. Mas não seria isso parte de uma estratégia para pressionar a Europa até que esta volte atrás na decisão de cortar a ajuda financeira aos palestinos por causa do Hamas?
Iniciamos as edições de 2006 do Visão Judaica com dois novos colunistas: Breno Lerner e seu “Papo de Cozinha”, que substitui “Receitas com Grife”, e Ted Feder, com suas dicas da internet. Boa leitura.
                                                                                                A Redação