Tel Aviv

Antonio Carlos Coelho*

A segunda cidade de Israel em importância política e em população é Tel-Aviv. Conhecida como a “cidade que não pára”, possivelmente pelo seu acentuado caráter laico, diferentemente de Jerusalém e de outras cidades onde se observa com maior rigor as leis do Shabat. Como dizia uma antiga música do Caetano: Tel Aviv... “perto do mar, longe da cruz”, apesar da referência ao símbolo cristão, indica a leveza e a descontração da cidade diante da religiosa Jerusalém.
A profana Tel Aviv apresenta longas e modernas avenidas e edifícios de arrojada arquitetura. Destacam-se as linhas arquitetônicas da escola alemã Bauhaus. A quantidade de construções desse estilo – cerca de 4.000 – levou Tel Aviv ser chamada de “a cidade branca”, e ser reconhecida pela Unesco como “patrimônio histórico da humanidade”.  Na avenida que margeia o mar, modernos edifícios, que pelo seu futurismo, contrastam com o resto da cidade. É importante ressaltar que a escola Bauhaus, pela liberdade que expressava em seu tempo, foi fechada logo após a ascensão do regime nazista.
Tel Aviv, literalmente significa, Colina da Primavera, mas também, Colina da Renovação. Significativo é o seu nome: traduz o momento de renovação da história judaica, o tempo de retorno para a terra de Israel no final do século 19 e início do 20. Tel Aviv traduzia o novo modo de ser judeu na sua própria pátria. Muitos judeus que retornavam a Israel, motivados pelo sionismo de Theodor Herzl, traziam um novo espírito e uma esperança. Queriam uma vida diferente daquela dos vilarejos do leste da Europa, da vida de pouca liberdade e marcada por uma história de perseguição da Europa cristã, das referências religiosas que pouco representavam no cotidiano do início do século. Enfim, Tel Aviv passou a representar pela sua arquitetura, pela sua forma de vida mais livre das antigas tradições mantidas nas comunidades da diáspora, pela expectativa de um novo estado judeu, a renovação da vida judaica. 
Certamente a opção pelo estilo Bauhaus que caracteriza Tel Aviv se fez pelo modismo, pela quantidade de arquitetos judeus influenciados pela escola alemã ou por qualquer outra razão. No entanto, tal opção é simbólica: a escola fechada pelo nazismo encontrou numa cidade judaica o seu refúgio. Da mesma forma, Tel Aviv é símbolo da sobrevivência do judaísmo e dos judeus após todas as perseguições. O seu nome, Colina da Primavera, do tempo da renovação, bem traduz o que representou o retorno a Eretz Israel.

* Antonio Carlos Coelho é professor, diretor do Instituto Ciência e Fé, e colaborador do jornal Visão Judaica.