A vida e a memória de Aristides Sousa Mendes — de
quem se comemorará o 50º aniversário de morte
este ano — foi recentemente tema de dupla curiosidade e
interesse devido às descobertas em sua antiga residência,
em Cabanas de Viriato, Portugal.
Aristides Sousa Mendes — um pioneiro das operações
de salvamento durante o Holocausto — morreu em 1954, cinqüenta
anos atrás. Por ter desobedecido ordens explícitas
do seu governo, que o proibira de emitir qualquer visto para
judeus, Sousa Mendes foi severamente punido e acabou morreu na
pobreza naquele ano.
Recentemente, durante suas férias em Portugal, John Crisóstomo,
vice-presidente da Fundação Internacional Raoul
Wallenberg (IRWF), convidou Antônio Novo Rodrigues, um
velho amigo, e parceiro em causas meritórias, a ir visitar
a antiga casa de Aristides Sousa Mendes — uma mansão
há muitos anos abandonada e negligenciada.
O avançado estado de deterioração que eles
encontraram na casa — parte do teto já tinha desmoronado
e as paredes interiores estão, em muitos lugares, reduzidas às
principais armações — os deixou chocados.
Por respeito à memória de Sousa Mendes, eles decidiram
passar alguns dias de suas férias para retirar os escombros
caídos e limpar a casa, esperando que seu gesto inspirasse
outros a continuarem o conserto do telhado, em parte desmoronado,
para prevenir danos adicionais, até que se encontrasse
uma solução final para a casa.
Ao final do primeiro dia, num dos quartos da casa, Crisóstomo
encontrou debaixo de uma grossa camada de tijolos, pedras e entulho
das paredes, uma pilha de papéis, muitos dos quais reduzidos
a pó ao simples toque, mas outros ainda recuperáveis:
alguns livros escritos por Sousa Mendes, revistas e jornais do
seu tempo, e outros documentos preciosos como cartas para sua
esposa, documentos relativos às várias de suas
decisões como Cônsul de Portugal, e também
outras cartas manuscritas de, e entre seus filhos, de um para
outro. Todos os documentos foram doados à Fundação
Aristides Sousa de Mendes, em Portugal, para o apropriado manuseio
e a guarda segura.
Comovido e profundamente afetado por tudo isso, decidiu Antônio
Rodrigues que ele não poderia deixar a casa de Sousa Mendes,
sem ter a certeza de que, com o inverno se aproximando, o resto
da mansão não desmoronaria. Altruísta e
entusiasmado, resolveu ficar e continuar o trabalho do conserto.
O que ele realizou, para todo o mundo foi um verdadeiro “milagre”,
conseguindo erguer e fixar o telhado inteiro e fez um belo trabalho
de recupração de emergência — uma tarefa
até agora julgada impossível pelos peritos — quando
pediu conselho profissional deles, sem demolir o edifício
inteiro.
Crisóstomo voltou aos EUA e agora tenta achar um meio
de tornar possível a restauração completa
da mansão e sua transformação em um museu
e centro de pesquisa sobre o papel e o impacto da decisão
de Sousa Mendes, durante os anos da Segunda Guerra Mundial. Graças
a isso e às rotas usadas pelas centenas de milhares de
refugiados que, por Portugal, puderam escapar e chegar aos EUA,
Canadá, Inglaterra, Palestina, América do Sul e
a todos os cantos do mundo.
Por sua contribuição para a causa de Aristides
Sousa Mendes e especialmente por salvar sua casa, o IRWF entregará a
Rodrigues o Prêmio Sousa Mendes. John Crisóstomo
tem trabalhado por muitos anos pelo reconhecimento da ação
de Aristides Sousa Mendes e em abril de 2000 uniu-se ao IRWF.
Ele é responsável e coordenou vários eventos
promovidos desde então por esta fundação
nos EUA. Ele coordena as celebrações deste ano
do 50º aniversário da morte de Sousa Mendes, que
inclui múltiplos e simultâneos eventos cívicos,
religiosos e culturais em mais de 20 países, entre eles,
Estados Unidos, Canadá, Brasil, Argentina, França,
Vaticano, Portugal, e China.
Crisóstomo foi agraciado, junto com o padre Bernard Rivière,
da França, com a Medalha do 50º Aniversário
Aristides Sousa Mendes por sua contribuição para
o reconhecimento desse grande humanitário português.