Diálogo judaico-cristão - 160 rabinos no Vaticano agradecem ao Papa João Paulo II por suas ações

Na manhã do dia 18/1, na maior audiência privada já concedida por um papa a líderes judaicos, João Paulo II recebeu no Vaticano 160 rabinos e cantores litúrgicos de Israel, dos Estados Unidos e da Europa. O encontro foi solicitado para celebrar o quadragésimo aniversário da declaração do Concílio Vaticano II Nostra Aetate (28 de outubro de 1965), que atribuiu uma mudança decisiva na relação entre judeus e católicos. Para o papa, o evento contribuiu significativamente para o fortalecimento do diálogo católico-judaico.

" Que possa ser esta uma ocasião para o renovado compromisso à compreensão crescente e cooperação a serviço da construção de um mundo baseado sempre no firme respeito da imagem divina em cada ser humano", declarou João Paulo II.

Os rabinos, que pertencem à Pave the Way Foundation (Fundação Prepare o Caminho), agradeceram o Papa por "todos os esforços que manteve ao longo dos 26 anos de seu pontificado para reconciliar as duas fés e para demolir a muralha do ódio”, de acordo com um comunicado da fundação publicado no dia anterior. Durante a audiência, eles recitaram uma oração em honra a João Paulo II.

Gary Krupp, fundador e presidente da Fundação Pave the Way, disse que o objetivo de seu grupo é "unir homens e mulheres de boa fé, além de qualquer crença religiosa e sem preconceito, removendo com determinação todos os obstáculos no caminho deste objetivo. O papa fez isto por décadas. O mínimo que podemos fazer é agradecê-lo humildemente por tudo o que fez para o povo judeu no mundo; e de nosso lado, responsabilizamo-nos em fazer sérios esforços para a paz na Terra", disse ele.

O rabino Jack Bemporad, diretor do Centro para o Entendimento Interreligioso (CIU, conforme sigla em inglês) explicou que "é a primeira vez na história que rabinos, em testemunho de todos os ramos do judaísmo, se encontram juntos em Roma para agradecer pelo que foi realizado na construção de pontes e respeito recíproco entre judeus e católicos".

“ Nenhum papa antes de João Paulo II” — acrescentou ele — “fez tanto quanto ele, ou esteve tão preocupado em criar relações fraternas entre católicos e judeus... Eu estou convencido de que o Papa João Paulo II será considerado o grande terapeuta das relações entre católicos e judeus... Vindo ao Vaticano, de todo o mundo, nós os rabinos, dizemos: obrigado!"

Bemporad considera que "na história do mundo, os últimos 40 anos serão vistos como os mais revolucionários e significativos em termos de progressos nas relações judaico-cristãs".
O diretor do CIU recorda que João Paulo II foi o primeiro Papa a visitar a Sinagoga de Roma, em 13 de abril de 1986; foi quem publicou o documento "Nós recordamos: uma reflexão sobre a Shoá" (16 de março de 1998); quem estabeleceu relações diplomáticas com Israel, e quem pediu perdão pelos atos de antijudaísmo cometidos pelos católicos na história.

Segundo o comunicado divulgado pela Fundação Pave the Way, os representantes judeus agradeceram a João Paulo II pelo que realizou em favor da reconciliação entre judeus e católicos.

Gary Krupp, presidente e fundador da Pave the Way, sublinhou que "João Paulo II tem uma longa história de apoio ao povo judeu, sobretudo na hora de denunciar o anti-semitismo e a discriminação de qualquer grupo étnico".
Em 1987, por exemplo, o Papa convidou todos os cristãos a promoverem junto à comunidade judaica programas educativos comuns para ensinar, às futuras gerações, valores que não permitam que se repita um horror como o do Holocausto.

Krupp confirmou que o Papa lutou contra o ódio racial e a favor da paz durante décadas e por este motivo "lhe dou humildemente as graças".

Faziam parte do grupo que se encontrou com o Papa, entre outros, Oded Ben-Hur, embaixador israelense junto à Santa Sé; Amir Ofek, cônsul israelense para a Mídia em Nova York; o rabino Adam Mintz, presidente do Colégio de Rabinos de Nova York; o rabino Shmuel Rene Sirot, ex-rabino chefe da Europa e França; David Lincoln, rabino-chefe da Sinagoga de Park Avenue em Nova York; o rabino Shlomo Riskin, chefe do Efrat, Jerusalém; o rabino Joseph Arbib, da Grande Sinagoga de Roma e Gadi Golan, ex- diretor de Assuntos Religiosos do Ministério do Exterior israelense. (Fontes: Cidipal, Iton Gadol, e página de noticiário do Vaticano na internet).