Jerusalém (19) - Cidade além
dos muros (2)
O Santuário do Livro
Por: Antonio Carlos Coelho*
Em Givat Ram, belo e moderno bairro, onde muitas instituições
governamentais estão instaladas, encontramos o Santuário
do Livro, situado junto ao Museu de Israel. O prédio,
de arquitetura muito particular, imita a tampa dos vasos de barro
onde foram encontrados os manuscritos do Mar Morto. O Santuário,
projeto dos arquitetos judeus-americanos Bartos e Kiesler, foi
inaugurado em abril de 1965.
Sua arquitetura chama a atenção pela beleza e originalidade.
Destacam-se o branco e o negro em contraste com o céu
azul de Jerusalém. O branco e o negro, a luz e a sobra,
representam os elementos conflitantes da espiritualidade da comunidade
essênia de Qumram, autora de grande parte dos documentos
ali expostos. O corredor de entrada, que leva ao centro do santuário,
lembra a forma das cavernas do deserto de Judah, onde foram encontrados
os famosos pergaminhos escritos por aquela comunidade contemporânea
aos períodos helenista e romano.
O Santuário do Livro guarda em seu acervo manuscritos
de grande importância para os estudos bíblicos.
Grande parte deles foi encontrada em escavações
realizadas nos arredores do Mar Morto. Além dos famosos
documentos dos essênios há outros de grande, ou
talvez, de maior importância, como o Codex Alepo, o mais
antigo manuscrito integral das Escrituras Sagradas. Este documento,
encontrado em 930 na cidade de Alepo (Síria), apresenta
o mais acurado texto bíblico, tanto pela vocalização
como pela fidelidade à tradição, graças
ao trabalho de Aaron Ben Asher. Há quem diga que o texto
do Codex Alepo foi usado por Maimônides.
Além dos pergaminhos, há objetos contemporâneos
a eles, permitindo ao visitante recompor o período histórico
relativo aos documentos da história judaica. Estão
em exposição objetos como: sandálias, moedas,
cestos, ferramentas entre outras peças de interesse. Estas
peças, que pertencem ao período de Bar Kochba (132-135
a.e.C.), foram encontradas pelo arqueólogo Yigael Yadim,
entre 1960 e 61, em Nahal Hever. Para os interessados, há mais
peças do período da revolta de Bar Kochba no Museu
de Jerusalém, na ala do período do Segundo Templo.
Em Jerusalém há visitas que são indispensáveis.
Uma delas é a visita ao Museu de Jerusalém, ao
Santuário do Livro e às exposições
temporárias de arte judaica e de arqueologia que ali se
encontram. Além disso, há uma loja de reproduções
de peças do museu, de livros, fotos, cartazes, filmes,
e ainda, há um setor reservado às crianças,
onde elas aprendem várias técnicas de modelagem,
pintura, desenhos, enquanto seus pais visitam o museu.
* Antonio Carlos Coelho é professor, colaborador do jornal
Visão Judaica e diretor do Instituto Ciência e Fé.
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