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Por: Helena Kessel - correspondente VJ
Ao
longo das vinte regiões das quais Paris é
composta, opção é o que não falta
para os judeus parisienses. Os arrondissements mais populosos
são os 6, 9 e 19, com ênfase na Rue de Rosier
para o primeiro, Rue Richer para o segundo e Rue Petit para
o terceiro. Além disso, há sinagogas das mais
variadas linhas: com predominância de ashkenazi e sefaradi;
centros comunitários que oferecem diversos cursos e
programações e restaurantes para todos os gostos
e para todos os níveis de Kashrut.
Para os fãs da linha Chabad a melhor
sinagoga para freqüentar em Paris é a da Rue Orteaux,
numero 93, no 20éme arrondissement, sob a liderança
do Rabino Atlon. A sinagoga é grande, os freqüentadores
são super simpáticos e acolhedores na sua maioria
chiques e bem vestidos, comme il faut. O kidush após
Shacharit de Shabat é um banquete. Aqui as mulheres,
normalmente, vão à sinagoga no Shabat pela manhã,
razão pela qual o lado feminino é sempre objeto
de pedido de silêncio por parte do Rabino...(no mundo
todo é assim). Fazer o que se sempre ao nosso lado
senta alguém com vontade de conversar.
Além das variedades de restaurantes kasher,
é possível comprar comida kasher em um supermercado.
É, Paris possui vários mercados kasher, com
especial atenção ao da rede francesa Franprix,
com uma filial na Boulevard Voltaire, nº 240, no 11ème
arrondissement, intitulada Franprix Kasher (é o nosso
Mercadorama só com produtos kasher). Lá é
possível encontrar artigos importados de Israel, diversos
tipos de carnes, frangos, peixes, vinhos, "nasherai",
enfim, tudo para as suas refeições.
No dia 7.12.2003 Curitiba, a cidade modelo,
foi manchete do diário francês 7 Hebdo. Richard
Sourgnes relata que Curitiba tinha tudo para ser um caos tipo
São Paulo. No entanto, quando o arquiteto Jaime Lerner
se tornou prefeito da cidade em 1971 e após governador
reeleito, a cidade-sorriso se tornou um exemplo a ser seguido
por todos os grandes aglomerados do planeta. Segundo o autor,
a política adotada em Curitiba se sustenta em quatro
pilares: transportes, espaços verdes, reciclagem do
lixo e programas sociais. Ilustrada com fotos do Jardim Botânico,
do ônibus biarticulado e das estações
tubo, Curitiba faz mais uma vez sucesso internacional assim
como seu projetista, citado como "é possível
surgir do mal o bem", fazendo referência ao regime
militar, período em que Lerner assumiu a prefeitura.
A cidade de Metz, a três horas de trem
de Paris, tem uma comunidade judaica relativamente grande,
começando pela nossa família, razão pela
qual seus membros têm a opção de escolher
qual sinagoga pretendem freqüentar.
Metz tem 800 famílias judias. No total,
possui quatro sinagogas, a Grande Sinagoga, a polonesa, chamada
Hadass Yeshroum, que será reformada para que as mulheres
fiquem no primeiro andar, e não no "térreo",
onde estão os homens (mas são separados). A
terceira sinagoga é dos magrebins (N.R: habitantes
da região de Magreb no norte da África), que
é muito bonita e a quarta é um pequeno shil
mais distante do centro da cidade, destinado justamente às
pessoas que moram mais afastadas.
A chamada Grande Sinagoga é também
conhecida pela população local como "igreja",
por acolher os judeus menos ortodoxos, porém ligados
a religião. Os judeus mais praticantes podem entrar
na porta justo ao lado, onde se encontra o shil ashkenazi
polonês, com pessoas simpáticas, acolhedoras
e interessadas, aliás, característica inerente
a grande parte da comunidade judaica da cidade. Infelizmente,
em todos os locais judaicos a segurança é intensa,
através do trabalho dos membros da própria coletividade,
auxiliados pela policia local.
O show da cantora israelense Shirel, no Mâcon,
no dia 31 de janeiro em Paris terminou em polêmica e
lágrimas. Uma dezena de árabes presentes na
platéia começou a insultar a cantora e o povo
judeu, fazendo uso de palavras de baixo nível. Cinco
jovens, suspeitos de terem participado dos insultos anti-semitas,
estão sob guarda, e tiveram que se apresentar ao Ministério
Público, dia 5/2. Os cincos jovens, quatro menores
e um maior de idade, todos originários da região
de Mâcon poderão ser processados por injúria
racial e incitação ao ódio racial. Eles
foram identificados pela policia graças às imagens
transmitidas pela televisão quando do concerto de sábado
à noite.
A Universidade Pantheon-Assas, Paris 2 é
conhecida por ser a melhor Universidade de Direito de Paris.
No entanto, é igualmente conhecida pela tendência
extrema direita de seus estudantes. Entretanto, a entidade
Shomer Hatsair está colocando e distribuindo cartazes
nos editais e paredes da Universidade com os seguintes dizeres:
"Anti-semitismo - Em 2003: escolas danificadas, sinagogas
incendiadas, cemitérios profanados, crianças
agredidas, anti-sionismo enraizado... Não é
nessa França que queremos crescer. O ódio nas
ruas e o anti-semitismo ressurgem. Ele gangrena muitas consciências.
É preciso combater com todas as nossas forças.
Cabe a nós hoje lutarmos e educar, para que a França
seja uma terra de paz. Vamos reagir a cada ataque! Vamos condenar
cada insulto! Vamos denunciar todos os atos atentatórios!
A República perde sua face se ela não age contra
o racismo e o anti-semitismo. Mas a República é
o conjunto dos cidadãos: prevenção e
educação! O ano de 2004 não pode ser
parecido ao de 2003: os republicanos devem erradicar o anti-semitismo,
para o bem da nação! Hashomer Hatzair movimento
juvenil". Ao lado do cartaz está escrito: "Republicanos,
reajam!".
Agora há pouco estava sentada ao meu
lado uma muçulmana com véu na cabeça.
É incrível como tem muçulmanas e muçulmanos
aqui! (10 % da população francesa é muçulmana).
Lembro que a lei sobre o véu não inclui os estudantes
universitários.
Hoje tentei assistir a um curso de "Direito
Muçulmano". Quando cheguei na
sala 14 não tinha ninguém. Esperei alguns instantes
e a sala continuava vazia. Vamos ver semana que vem, Blin
Eder!
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