Por:Antonio
Carlos Coelho *
Na edição anterior falamos sobre
o Domo da Rocha. Na mesma esplanada onde se encontra o importante
edifício da cúpula dourada, que atrai visitantes
e peregrinos islâmicos a Jerusalém, há a mesquita
de Al Aksa.
Al Aksa, diferente do Domo da Rocha, é uma mesquita. Sua
forma arquitetônica é a de uma igreja bizantina como
outras tantas mesquitas do Oriente Médio. Isto se deu em
razão do contato das culturas islâmica com a bizantina
durante a expansão muçulmana e porque muitas igrejas
cristãs foram transformadas em templos islâmicos.
A grande mesquita de cúpula negra foi construída
no século 8 pelo califa Al-Walid (709-715) e restaurada
pelo califa Al-Mahdi no ano 780, após a sua destruição
num terremoto anos antes. Nesta ocasião foram construídas
quinze alas entre colunas, o que permite-nos imaginar o seu tamanho
excepcionalmente grande. No ano 1033, o califa Az-Zahir a reconstruiu,
pois tinha sido, pela segunda vez, destruída num terremoto.
Desta vez o seu interior foi dividido em apenas sete alas.
Sobre o arco frontal interior vê-se um belíssimo
mosaico, em estilo bizantino, o que confirma a influência
dessa cultura na arquitetura muçulmana. Na sua entrada,
um conjunto de colunas brancas, que lembram uma floresta de glaciais,
foi feita com mármore italiano doado em 1938 pelo ditador
Mussolini.
Quando houve a invasão dos cruzados a mesquita foi transformada
em residência dos cavaleiros templários. Hoje, próximo
ao muro sul da mesquita, pode-se ver restos do antigo refeitório
cruzado, fazendo divisa com o atual museu islâmico.
O mihrab, construído em madeira entalhada foi obra de Saladino,
em 1187, quando houve a derrota dos cruzados. Em 1969, a belíssima
peça foi danificada por um grupo de cristãos fundamentalistas
que acreditavam estar extirpando as abominações
da Terra Santa.
Particularmente, considero a mesquita de Al Aksa muito mais bonita
e impressionante que o Domo da Rocha. Apesar de ter menor destaque
do que este, e atrair menor número e visitantes, o seu
tamanho, os trabalhos em cantaria e em madeira são especiais.
Sua beleza está na sua discrição e no requinte
da decoração interior.
Antonio Carlos Coelho é professor e diretor
do Instituto Ciência e Fé.