Visão Judaica - Edição N° 21
:. Turismo: Jerusalém (9) - Bairro Árabe (3).:

Por:
Antonio Carlos Coelho *

Na edição anterior falamos sobre o Domo da Rocha. Na mesma esplanada onde se encontra o importante edifício da cúpula dourada, que atrai visitantes e peregrinos islâmicos a Jerusalém, há a mesquita de Al Aksa.
Al Aksa, diferente do Domo da Rocha, é uma mesquita. Sua forma arquitetônica é a de uma igreja bizantina como outras tantas mesquitas do Oriente Médio. Isto se deu em razão do contato das culturas islâmica com a bizantina durante a expansão muçulmana e porque muitas igrejas cristãs foram transformadas em templos islâmicos.
A grande mesquita de cúpula negra foi construída no século 8 pelo califa Al-Walid (709-715) e restaurada pelo califa Al-Mahdi no ano 780, após a sua destruição num terremoto anos antes. Nesta ocasião foram construídas quinze alas entre colunas, o que permite-nos imaginar o seu tamanho excepcionalmente grande. No ano 1033, o califa Az-Zahir a reconstruiu, pois tinha sido, pela segunda vez, destruída num terremoto. Desta vez o seu interior foi dividido em apenas sete alas.
Sobre o arco frontal interior vê-se um belíssimo mosaico, em estilo bizantino, o que confirma a influência dessa cultura na arquitetura muçulmana. Na sua entrada, um conjunto de colunas brancas, que lembram uma floresta de glaciais, foi feita com mármore italiano doado em 1938 pelo ditador Mussolini.
Quando houve a invasão dos cruzados a mesquita foi transformada em residência dos cavaleiros templários. Hoje, próximo ao muro sul da mesquita, pode-se ver restos do antigo refeitório cruzado, fazendo divisa com o atual museu islâmico.
O mihrab, construído em madeira entalhada foi obra de Saladino, em 1187, quando houve a derrota dos cruzados. Em 1969, a belíssima peça foi danificada por um grupo de cristãos fundamentalistas que acreditavam estar extirpando as abominações da Terra Santa.
Particularmente, considero a mesquita de Al Aksa muito mais bonita e impressionante que o Domo da Rocha. Apesar de ter menor destaque do que este, e atrair menor número e visitantes, o seu tamanho, os trabalhos em cantaria e em madeira são especiais. Sua beleza está na sua discrição e no requinte da decoração interior.

Antonio Carlos Coelho é professor e diretor do Instituto Ciência e Fé.



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