Visão Judaica - Edição N° 21
:. Uma Visão distorcida .:

 

Por: Eitan Surkis *

As relações entre Israel e Europa, com bases muito fortes tanto culturalmente, comercialmente como historicamente, têm conhecido muitos altos e baixos durante as últimas décadas.
Pela proximidade geográfica, a UE é o parceiro comercial número 1 de Israel. O comércio bilateral chega a US$ 21 bilhões por ano. Israel é o único país não europeu que participa no Programa Europeu de Pesquisa e Desenvolvimento. O intercâmbio cultural entre Israel e Europa é intenso. As relações políticas têm bases fortes que começaram quando os países europeus apoiaram veementemente a Resolução da ONU sobre a partilha da Palestina, em 1947. Mesmo com oscilações, Israel mantém intensas relações com Itália, Grã-bretanha, Alemanha, Holanda e muitos outros países.
As diferenças políticas estão ligadas principalmente ao conflito israelense árabe-palestino. A política adotada pela UE tem tentado "equilibrar" o que acredita ser uma atitude estadunidense favorável a Israel. Esta política, muitas vezes cega, neutralizou sua própria capacidade de envolvimento nos esforços para alcançar a paz. Para exemplificar: em seguida à assinatura do acordo de paz entre Israel e Egito, país árabe de maior importância, em março de 1979, a Assembléia Geral da ONU, com a maioria automática dos grupos Árabe-muçulmano, Não Alinhados, Soviético, com o apoio da Europa e outros países, condenou o acordo por ser um "acordo separado". O acordo, que também incluía um programa de autonomia completa para os palestinos, foi totalmente ignorado, pela Declaração de Veneza, publicada pela UE em 1980, que não reconheceu os esforços dos dois países. Hoje, Israel enfrenta por parte da opinião pública européia muitas críticas em relação ao conflito com os palestinos. Tais críticas às vezes são legítimas, mas muitas vezes têm outras raízes. O que percebemos é que é muito natural apoiar o que parece mais fraco. Existe também um sentimento europeu de culpa por terem sido potências colonizadoras e por isso interpretam o caso dos palestinos como outro caso de colonização. As críticas que ignoram o terrorismo palestino e chegam até negar o direito de Israel de existir, não podem ter outra base se não o anti-semitismo/anti-judaísmo, disfarçado como anti-sionismo. Outros fatores seriam a imigração muçulmana, principalmente para França, Alemanha e Grã-bretanha e a proximidade geográfica dos países árabes às portas da Europa.
Nos últimos dias foi publicado o resultado de uma pesquisa apontando absurdamente Israel como uma ameaça à paz no mundo juntamente com Irã, Iraque, Coréia do Norte e também os EUA e a própria UE. Por vários motivos, principalmente pela metodologia problemática adotada, é difícil analisar o que a pesquisa reflete. Será que o Iraque de hoje realmente consiste em uma ameaça ao mundo ou a situação naquele país é muito perigosa? E se fizermos a mesma pergunta em relação a Israel?
O que sim podemos avaliar é que a pesquisa reflete a exposição excessiva na mídia européia e mundial do conflito israelense-palestino. A cada reportagem sobre Coréia Norte, são publicadas 10 sobre o conflito, a cada resolução da ONU que condena Arábia Saudita por violação de direitos humanos (que nunca acontece), existem 50 que condenam Israel. A imprensa européia deveria aprender a ser muito mais imparcial e menos tendenciosa.

* Eitan Surkis é ministro conselheiro da Embaixada de Israel, em Brasília. O presente aritgo foi publicado no jornal Correio Braziliense, em 11 de novembro de 2003.

 

 

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