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Visão
Judaica - Edição N° 21 |
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A festa de Purim .: |
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4 de Adar - 6 e 7 de março
A festa de Purim, celebrada no décimo
quarto dia de Adar em 6 e 7 de março de 2004, é
o dia mais alegre do calendário judaico. Um dia, segundo
nossos sábios, no qual devemos alegrar-nos mais do que
em qualquer outra de nossas festas.
Em Purim celebramos a milagrosa salvação dos judeus
da Pérsia, que lá foram exilados após a destruição
do Primeiro Templo. O nome da festa advém da palavra persa
"pur", que significa "sorte". A Meguilat Esther
o livro que relata com detalhes a história de Purim explica:
"Por isso, àqueles dias chamam Purim (sortes)"
por causa da sorte que Haman havia lançado, determinando
o dia em que os judeus seriam aniquilados".
Nossos sábios explicam que existem motivos profundos para
Purim ocorrer no mês de Adar. O Talmud assim declara: "Quando
[o mês de] Adar se inicia, nós aumentamos a nossa
alegria". A razão disso é que o povo judeu
se torna mais espiritualmente fortalecido e protegido durante
esse mês. A fonte da força judaica nessa época
do ano é baseada em uma conexão mística entre
a Torá e o mês de Adar, cujo signo é peixes.
Os livros místicos revelam que assim como o mar alimenta
e protege os peixes, a Torá alimenta e protege o povo judeu.
Na Meguilat Esther, estão relatados, segundo o testemunho
dos personagens centrais, Mordechai e Esther, os eventos ocorridos
no Império Persa por volta do ano 450 a.E.C. A leitura
pública deste relato é um dos mandamentos mais importantes
da festa. Na própria Meguilá estão mencionados
alguns dos preceitos que devem ser observados nesta data, sendo
que outros foram instituídos pelo próprio Mordechai,
segundo afirmam nossos sábios.
"Esses dias serão lembrados e comemorados em todas
as gerações, em todas as famílias, em todas
as províncias, em todas as cidades ..." (Esther 9:28
). Segundo o Midrash, Purim nunca deixará de existir e
ninguém está isento de sua observância - homens,
mulheres e crianças. Mesmo que todas as festas sejam anuladas,
Purim nunca o será. E os acontecimentos serão lembrados
pela leitura da Meguilá e celebrados com festas, oferta
de alimentos, alegrias e presentes.
Em Purim agradecemos a D-us "pelos milagres, pela salvação,
pelas maravilhas que obrou conosco...". Por isto, durante
as rezas da Amidá (Shmone Esre) e do Bircat Hamazon (bênção
após uma refeição em que se comeu pão),
adiciona-se o trecho "Al Hanisim". No dia 14 de Adar,
por ser um dia de muita alegria, é proibido jejuar e não
se deve realizar trabalho desnecessário, nem é ocasião
para lamentações e luto.
As celebrações referentes a Purim se iniciam no
Shabat que antecede a festa: no sábado de manhã,
a leitura da Torá na sinagoga deve incluir a porção
Zachor (Êxodo 17:8-16). Este trecho lembra o ataque do povo
de Amalek contra Israel pouco após sua libertação
do Egito. Essa leitura está relacionada à data festiva,
pois o grande vilão de Purim, o malévolo primeiro-ministro
Haman, descendia de Amalek. A Torá nos manda recitar essa
passagem para recordar e estar sempre atentos aos planos malignos
dos inimigos do povo de Israel". Pois Haman, inimigo de todos
os judeus, não se satisfaria com nada menos do que a destruição
física de todo o povo judeu" (Esther 9:24).
De fato, apesar de Purim ser o dia mais alegre do ano, sua história
é sobre a reversão de um édito de genocídio
contra o povo judeu. Conta a história: para salvar seu
povo, Esther teve que enfrentar o rei. Por isso, ciente do grave
perigo, pede a Mordechai: "Vá e reúna todos
os judeus que estão em Shushan e jejuem durante três
dias e três noites". Jejuando e pedindo perdão
por todas suas falhas, os judeus de Shushan buscavam a Proteção
Divina. Apelaram para a Misericórdia Divina, pois sabiam,
assim como Esther, que somente com a ajuda do Todo-Poderoso poderiam
conseguir a anulação do decreto fatal. Desde então,
para lembrar este acontecimento, os judeus jejuam no dia anterior
a Purim. O "Jejum de Esther", Taanit Esther, é
iniciado pouco antes do nascer do sol do dia 13 de Adar e acaba
ao pôr-do-sol do mesmo dia.
Quando chega a noite e se inicia o dia 14 de Adar, começa
a festa de Purim. Porém, antes de quebrar-se o jejum, ouve-se
a Meguilat Esther. Esta deve ser lida na íntegra de um
rolo de pergaminho e em voz alta, tanto à noite quanto
na manhã seguinte. A leitura deve ser realizada na presença
de um minian (um grupo de 10 homens judeus), de preferência
na sinagoga. Toda pessoa deve ficar atenta durante a leitura para
ouvir cada palavra, pois o propósito da leitura é
entender o que ocorreu na época da Rainha Esther e aprender
que os eventos de Purim não pertencem ao passado. Repetem-se,
espiritualmente, em todas as gerações.
Três bênçãos são recitadas na
noite de Purim, antes da leitura da Meguilá. E são
repetidas no dia seguinte quando a Meguilá é lida
novamente. Contudo, algumas comunidades apenas recitam a terceira
benção a oração de Sheheheyanu na
noite de 14 de Adar. Nas congregações em que também
se recita esta oração no dia seguinte de manhã,
deve-se anunciar que esta se aplica aos outros mandamentos de
Purim.
"Esses dias serão lembrados e comemorados em todas
as gerações, em todas as famílias"...
Um dos mandamentos de Purim é o envio de presentes os mishloach
manot. Deve-se enviar pelo menos um presente, composto de dois
diferentes tipos de alimentos, a um amigo. Os alimentos devem
estar prontos para consumo, por exemplo, biscoitos, frutas, doces,
vinho ou outras bebidas. Esta é uma obrigação
que homens e mulheres devem cumprir no dia de Purim, não
podendo ser substituída pelo envio de dinheiro ou de qualquer
outro presente que não seja um alimento. É também
aconselhável que esses presentes sejam entregues, sempre
que possível, por terceiros, pois a palavra mishloach,
que significa envio, indica que esta mitzvá deve ser cumprida
por um intermediário.
Para comemorar Purim, além de enviar presentes, devemos
também dar tsedacá a pelo menos duas pessoas carentes.
A generosidade com os mais necessitados é particularmente
importante nessa ocasião, pois nada é mais agradável
aos olhos de D-us. Nossos sábios ensinam que não
existe maior mandamento da Torá do que ajudar os pobres
e necessitados. Pois aquele que traz alegria aos outros é
comparado ao próprio D-us, que revive o espírito
dos oprimidos e restaura seus corações" (Rambam,
Hilchot Meguilá 2).
Costuma-se dar tsedacá relativa ao cumprimento deste preceito
no dia 13 de Adar, durante o jejum, e de preferência antes
da reza da tarde, Minchá. Nessa ocasião, costuma-se
dar uma doação equivalente a três "meio
shekalim" (três moedas de prata). Uma doação
que havia sido destinada à tsedacá, em data anterior,
não deve ser usada para cumprir esta mitzvá. Em
Purim, mesmo os mais necessitados têm a obrigação
de dar tsedacá. Esta pode ser dada em forma de dinheiro,
comida, bebida ou roupas. A quantia mínima doada deve ser
suficiente para comprar pão para uma refeição.
O mandamento de tsedacá deve ser cumprido de preferência
durante a noite ou na manhã de 14 de Adar para que a doação
traga a quem a receber benefícios durante o próprio
dia de Purim.
A comemoração de Purim por "todas as famílias"
é cumprida através de uma seudá, uma refeição
festiva. Todos são obrigados a comer, beber e se alegrar
em Purim. O Zohar, obra fundamental da Cabalá, afirma que
em Purim, ao deleitar-se com comida e bebida, pode-se alcançar
a mesma elevação espiritual que ocorre durante o
jejum de Yom Kipur. A refeição festiva de Purim
deverá ser realizada durante o dia 14 de Adar, sendo costume
incluir-se carne e vinho. Entre certas comunidades as comidas
favoritas de Purim incluem doces de três pontas, que representam
as orelhas de Haman. São chamados de oznei haman, pelos
sefaraditas, e de hamantaschen, pelo ashquenazitas. O Talmud ordena
que em Purim a pessoa beba vinho até que não consiga
diferenciar entre "amaldiçoado é Haman"
e "abençoado é Mordechai". Porém,
se a saúde ou a conduta de uma pessoa for afetada negativamente
pelo consumo de bebidas alcoólicas, esta não deverá
consumir mais do que uma quantidade simbólica.
Como o objetivo central da festa de Purim é fomentar e
compartilhar a alegria, muitos judeus, em particular crianças,
fantasiam-se e participam de desfiles e concursos. As fantasias
mais populares costumam ser as de Mordechai e da Rainha Esther.
Peças teatrais são encenadas para recontar a milenar
história.
Uma Meguilá é comparada a Torá em seus requisitos
rituais de como deve ser escrita: por um escriba e em um pergaminho.
Mas como o Nome de D-us não é mencionado nenhuma
vez na Meguilá, durante os séculos, os artistas
tiveram a liberdade de ilustrá-la com magníficas
ilustrações e iluminuras. Podemos encontrar retratados
nas meguilót, Mordechai, Esther e até o malvado
Haman.
Bibliografia: Artigo retirado da Revista
Morashá, ed. 39, dez/2002; Gold, Rabbi Avie, Purim Its
Observance and Significance, Artscroll Mesorah Series; The Book
of Our Heritage, Feldheim Publications
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