Por: Marcelo Birmajer
1- Sionismo é
muito mais que o movimento de liberação do Povo
Judeu, mas para pô-lo na perspectiva dos séculos
XX e XXI, me parece cômodo e prudente chamá-lo, também,
o movimento de libertação do Povo Judeu.
2 - Sionismo é
o único movimento de libertação do século
XX que chegou como uma organização democrática
ao poder em maio de 1948 - e que se manteve democrático
- inclusive em meio à ameaça permanente por parte
das nações vizinhas, desde o primeiro dia de governo
e durante cada um dos cinqüenta anos que transcorreram desde
então.
3 - O Sionismo é
um dos poucos movimentos de libertação do século
XX que distribuiu riqueza, eliminou o analfabetismo e socializou
a saúde e a moradia para a população. É
um dos poucos movimentos de libertação que realmente
outorgou à sua população um nível
de vida, tanto no econômico quanto no social, verdadeiramente
superior ao que essa mesma população tinha antes
da criação do Estado de Israel. Quero realçar
uma vez mais que é o único movimento que conseguiu
estes avanços por meio da democracia.
4 - O Sionismo foi
a resposta mais humana, e mais que humana, ao inferno nazista:
em Israel, os sobreviventes, parentes e descendentes dos sobreviventes
e mortos no Shoá, puderam reencontrar sua humanidade. O
Sionismo é um dos movimentos de libertação
que, dinamicamente, mais vidas civis salvou no século XX.
Muitas vidas civis se perderam pelas guerras e pelos atos terroristas
que os exércitos e os terroristas árabes, europeus
e asiáticos liberaram contra Israel; mas as vidas que se
salvaram somente pelo fato da existência de Israel, se contam
por milhões hoje e são incontáveis no futuro.
5 - O Sionismo permitiu
a criação dos kibutzim, a única experiência
socialista bem sucedida no repressivo e sanguinário século
XX.
6 - O Sionismo é
o único movimento de libertação, e o único
movimento político na história da humanidade, que
transportou voluntariamente africanos para dentro de sua próprias
fronteiras - da Etiópia a Israel - de maneira massiva,
para libertá-los da opressão e da pobreza, em contraste
ao mundo ocidental e ao mundo árabe, que só os transportou,
em condições precárias, durante milênios,
para escravizá-los.
7 - O Sionismo é o único movimento de libertação
do século XX que converteu árabes em cidadãos
com direitos civis e políticos. É o único
movimento de libertação do século XX que
permitiu aos cidadãos árabes votar livremente em
eleições de primeiro ministro, formar seus próprios
partidos políticos e expressar, livremente, suas opiniões.
8 - O Sionismo é o único movimento de libertação
do século XX que propôs concretamente, com o poder
de conseguí-lo, um Estado Palestino, desde que a direção
palestina aceite a existência do Estado de Israel como estado
judeu. Nem Egito nem Jordânia, nos 18 anos que dominaram
a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, jamais propuseram, não
um Estado Palestino, senão um mínimo de democracia,
de autonomia, nem sequer uma Universidade autônoma. O Sionismo
é o único movimento de libertação
do século XX que melhorou o nível de vida dos palestinos
que viviam na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
9 - O Sionismo é
uma fonte permanente de revitalização cultural,
científica, de liberdade e humanismo, que não só
beneficiou o Povo Judeu, como também estendeu seus avanços
a toda a humanidade. Não havendo estado do terceiro mundo
dominado por governos autoritários, corruptos e anti-semitas,
o Sionismo pôde haver levado a cabo o intento - sempre derrotado
pelos antisionistas - de imprimir dinamismo à agricultura
dos mais pobres países africanos e do terceiro mundo em
geral.
10 - O Estado de Israel, como estado, cometeu tantos erros quanto
qualquer outra verdadeira democracia ocidental, e nenhum pior.
Mas o Sionismo segue sendo hoje um dos maiores acertos, humanista,
pluralista e verdadeiramente progressista, dos judeus, desde a
destruição do Segundo Templo.
* Marcelo Birmajer é jornalista e escritor. Este texto
dele foi publicada na revista Horizonte,
da Fundación Alianza Cultural Hebrea Argentina (rvistahorizonte@yahoo.com.ar).
Tradução: Saulo Tavares (Saul Ben Abraham)