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Visão
Judaica - Edição N° 21 |
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Uma Guerra contra todos .: |
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Por:Herman
Glanz *
Está na ordem do dia, nessa guerra do Oriente Médio,
a proposta do primeiro ministro de Israel, Ariel Sharon, de se separar
dos palestinos. Pretende Sharon retirar as vilas judaicas existentes
na Faixa de Gaza, preconizando torná-la livre da presença
judaica. O que levou o político a tomar essa decisão
ainda não está claro. Temos de considerar o problema
da segurança diante do permanente terror palestino contra
Israel, a recusa dos palestinos em aceitar a presença do
Estado de Israel ao seu lado, o fato de terem fracassado todas as
iniciativas de paz, jamais respeitadas pelos palestinos, que nunca
cessaram os atos de terror enquanto se negociava. Os Acordos de
Oslo estão mortos e enterrados; Camp David II fracassou;
o Roadmap começou já fracassado, porque exigia, como
primeiro passo, que os palestinos cessassem o terror; a tal Iniciativa
de Genebra é um fracasso pela ingenuidade de se estancar
o terror e tudo o mais que se tentar negociar fracassará,
porque não há com quem negociar do lado palestino.
As ações das Forças de Defesa de Israel também
não deram fim ao terror, por vários motivos, principalmente
pela imposição de contenção nas suas
ações por pressão das grandes potências,
contenção que não deu resultado algum, tendo
até efeito contrário, estimulando mais terror contra
Israel, interpretada como fraqueza.
Diante dessa situação, parece que Sharon concluiu
por medidas unilaterais, dentro dos princípios que defendeu,
quando de sua eleição, de fazer dolorosas concessões
aos palestinos. Mas essas concessões também podem
ser interpretadas pelos palestinos como fraqueza, pois representam
sucumbir ao terror. Foi a retirada de Israel do sul do Líbano,
empreendida pelo antecessor de Sharon, Ehud Barak, que lançou
as bases da atual onda de violência, chamada de segunda Intifada,
que já dura mais de três anos. Foi a grande pressão
do Hezbollah contra as tropas de Israel, que agiam com cautela,
contidas, que desencadeou os apelos das mães dos soldados,
com o apoio financeiro da União Européia, uma interferência
estrangeira, que fez Barak conduzir a retirada das tropas do Sul
do Líbano. Pensa Arafat empregar grande pressão sobre
Israel, para dobrar seu povo e fazê-lo se retirar. Mas Israel
não podendo se suicidar, já se nota que alguns israelenses
até cogitam desistir. Arafat, portanto, insiste no terror,
porque vê fraturas na sociedade israelense cansada de guerra.
Essa decisão unilateral de Sharon começou com o Muro,
cujos resultados, até agora, se têm mostrado positivos,
reduzindo os ataques suicidas. Era preciso bloquear a fronteira
com os palestinos para impedir a entrada de terroristas em Israel.
Até agora não existia uma fronteira, o que tornava
livre a entrada e saída dos terroristas.
Esse muro e a remoção das vilas israelenses em Gaza
demonstram uma situação trágica - o reconhecimento
tácito de que a Autoridade Palestina é uma entidade
agressora, beligerante. O interessante é que o secretário-geral
das Nações Unidas, Kofi Annan, declara seu apoio à
iniciativa unilateral de Sharon e quer que seja, também,
aplicada à Margem Ocidental, para permitir o surgimento do
Estado palestino sem habitantes judeus, argüindo que a solução
do conflito dos palestinos contra Israel é a troca de terras
por paz. Vejam bem: não proclama o sr. Kofi Annan que a paz
seja feita - paz por paz - propõe troca de terras por paz,
mas terras livres de judeus, numa clara incitação
a uma "limpeza étnica" pelas Nações
Unidas! O lamentável em tudo isso é que essa declaração,
que desvirtua todos os princípios da Carta das Nações
Unidas, feita pelo seu dirigente, não merece nenhuma condenação
dos grupos de direitos humanos, Anistia Internacional, Human Rights
Watch, inclusive de grupos de direitos humanos israelenses, que
parecem anestesiados, não protestando.
Se a visão do presidente Bush é pela criação
de um Estado palestino democrático, respeitando os direitos
de todos os cidadãos, que diferença faria se, num
futuro Estado palestino, lá existissem vilas judaicas? Por
acaso não existem árabes em Israel que votam e são
eleitos? Por acaso não funciona em Israel a Waqf, entidade
patrimonial islâmica segundo suas próprias leis? Não
poderia ocorrer situação análoga num futuro
Estado palestino democrático? Mas não pode o Primeiro
Ministro de Israel deixar que permaneçam judeus em território
de futuro Estado palestino porque serão massacrados, e aí
com a conivência do Secretário-Geral da ONU.
Enquanto os grupos dos direitos humanos falam que Israel deve ser
um estado laico, não judeu (até grupos israelenses
falam assim), o terceiro anteprojeto da Constituição
do Estado palestino, aprovado há quase um ano, e que contou
com a assessoria de renomados constitucionalistas internacionais,
declara que a Palestina é um estado árabe, islâmico,
sujeito à shariá, e mais ainda, que, por uma redação
capciosa, elimina Israel. Ninguém protesta. Ninguém
se indigna!
O lamentável é que, deixando livre a Autoridade Palestina,
em breve se terá uma nova guerra, enquanto não se
mudar a atual liderança palestina, que não aceita
a presença do Estado de Israel. E se toma conhecimento que
o presidente Bush desaprova essa idéia de retirada dos assentamentos,
pois se tornará um precedente contra os interesses americanos
no Iraque - visto considerar a Autoridade Palestina como um grupo
de terror, o que levará os iraquianos terroristas a exigirem
a saída americana, antes da concretização da
democracia no Iraque. Cogita-se que Bush até adiou o encontro
com Sharon, previsto para este mês.
* Herman Glanz é presidente do Likud no Rio de Janeiro. Foi
um dos fundadores e ex-presidente do Grupo Universitário
Hebraico do Brasil. Foi Diretor da FIERJ, vice-presidente da Organização
Sionista do Rio de Janeiro e do Brasil. É Secretário
do Comitê Eleitoral Regional da Organização
Sionista do Brasil e 1º Secretário da Chevrá
Kadishá do Rio de Janeiro.
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