Um deles era muçulmano.
Corpos foram trocados por 400 prisioneiros
Foi num sábado,
7 de outubro de 2000. Três soldados do Batalhão de
Engenharia estavam numa patrulha de rotina na fronteira de Israel
com o Líbano. Os soldados israelenses eram Benny Avraham,
Adi Avitan e Omar Souad. Eram 12h40 da tarde e tinham acabado
de chegar à Granja Shabaa quando o veículo que ocupavam
recebeu o impacto de uma bomba lançada por um grupo de
terroristas da organização Hezbollah que armou uma
emboscada.
Os três foram feridos no ataque e levados para um cativeiro
no lado libanês da fronteira. Os atacantes que seqüestraram
os soldados usavam uniformes e símbolos das Nações
Unidas para conduzir sua ação criminosa. Desde o
seqüestro, nenhum contato foi permitido através de
qualquer organização, incluindo a Cruz Vermelha,
para checar suas condições e para assegurar que
eles estavam recebendo cuidados médicos apropriados e que
seus direitos humanos estavam sendo respeitados.
As famílias tinham enviado pacotes numa base regular por
intermédio da Cruz Vermelha, mas o Hezbollah sempre se
recusou a entregá-los. Líderes da ONU que tentaram
muitas vezes obter informações sobre a situação
dos soldados não tiveram êxito. Os familiares contataram
líderes ao redor do mundo, nos Estados Unidos, Rússia,
Holanda, Japão, França e outros países, que
por sua vez tentaram conversar a respeito com os chefes do Hezbollah,
mas seus esforços não tiveram sucesso.
Durante mais de três anos uma campanha mundial foi lançada
na tentativa de libertar e trazer de volta para casa os três
rapazes: Benny Avraham (de 20 anos de idade) e Adi Avitan (de
quase 21) eram judeus e Omar Souad, de 27 anos, era muçulmano.
Nesse tempo todo, ninguém desconfiou das atitudes do Hezbollah
em não fornecer nenhuma informação a respeito
deles. Mas a triste verdade é que depois de seqüestrados,
eles foram assassinados pelos terroristas, não foram mortos
em combate. Nem mesmo Souad, árabe israelense, foi poupado.
Omar Souad nasceu na vila beduína de Kfar Salame, no Norte
da Galiléia, em 28 de março de 1973, filho de Qusam
e Chadra. Tinha 11 irmãos e irmãs, um deles, Amer,
era seu irmão gêmeo. Ele gostava de tocar flauta,
e tocava em casamentos e outros eventos. Casado com Nafa, tinha
dois filhos pequenos, Quasem, de cinco anos e Maatuk, de 3 anos,
quando foi seqüestrado e depois assassinado. Ele havia se
incorporado ao Exército em agosto de 1997.
Adi Avitan nasceu em Tiberius, em 27 de dezembro de 1979, era
o terceiro filho de Zipora e Yaacov Avitan, irmão de Eyal
e Asaf. Estudou na "Mekif Amal" High School da Galiléia,
onde era muito popular entre os colegas e conhecera sua namorada.
Foi voluntário na Guarda Civil e contribuiu com sua comunidade.
Após graduar-se em 1998, incorporou-se ao Batalhão
de Engenharia do exército, como fizera antes seu irmão
mais velho. Adi gostava de sua unidade e do serviço militar.
Sempre tinha histórias para contar no jantar de shabat
em casa, às sextas-feiras à noite, sobre o pessoal
que servia com ele. Em 30 de setembro de 2000, Adi foi celebrar
o Ano Novo com sua família e amigos, sem saber que nunca
mais os veria.
Benny (Benjamin) Avraham nasceu em 1º de janeiro de 1980,
filho de Edna e Haim Avraham. Era o irmão mais novo de
Efrat e Dafna. Recebeu este nome em homenagem a um tio seu, Benjamin,
que fora morto na Guerra do Iom Kipur, em 1973. Era um garoto
sorridente e pacifico, que gostava de brincar com Lego e que quando
cresceu tinha prazer em consertar bicicletas. Quando estudou,
foi melhor aluno da classe e a professora pedia-lhe que a ajudasse
a ensinar os mais fracos em sala de aula. Estudou mais tarde na
Universidade Bar Ilan e formou-se em tecnologia da computação.
Após a universidade entrou logo para o Batalhão
de Engenharia do Exército e foi um dos três soldados
seqüestrados e mortos pelo Hezbollah.
No dia 29 de janeiro de 2004, mais de 400 árabes foram
libertados por Israel em troca dos corpos dos três soldados
e também o empresário Elhanan Tannenbaum, após
três anos de muitas negociações mediadas pelo
governo alemão entre Israel e o Hezbollah. Além
deles, Israel entregou á Cruz Vermelha Internacional os
restos de 60 militantes, a maioria, libaneses que atacaram israelenses
e foram mortos em combate.
O primeiro-ministro Ariel Sharon discursou na cerimônia
oficial em honra aos três soldados assassinados depois de
capturados pelo Hezbollah. Os caixões foram cobertos com
a bandeira de Israel, uma mulher cantou músicas fúnebres
enquanto os parentes choravam na cerimônia realizada e perto
de Tel Aviv. Um sheik muçulmano também fez orações
pela alma dos mortos.