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Visão
Judaica - Edição N° 21 |
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Novas cercas no oriente Médio .: |
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Por: Nahum Sirotsky *
De Israel - O Departamento de Estado está levando muito a
sério. Os cidadãos americanos estão sendo aconselhados
a não se mostrarem demais nas ruas de Israel. O Hamas e o
Jihad islâmico preparam vingança. Operando na área
de Gaza, tentando descobrir de onde partem os foguetes que têm
chegado a alvos em Israel, forças israelenses se chocaram
com forças palestinas. Mataram 15, feriram 50. Fontes palestinas
dizem que os israelenses vieram matar. Não se referem a outros
motivos. O Hamas, a maior organização islâmica
fundamentalista na zona de Arafat, e o Jihad, xiita, anunciaram
que vão cobrar a morte de sua gente.
Israel está em alerta mais uma vez.
Mas, cedo ou tarde, em algum lugar e momento, os grupos palestinos,
praticantes da tática dos homens ou mulheres-bomba, tendem
a ser bem sucedidos. A calma relativa das ultimas semanas será
interrompida. E ainda não foram esquecidos os mortos no ataque
suicida no ônibus 19. Os 11 mortos foram enterrados. Em todos
os cemitérios do país há área reservada
aos combatentes, mais de 90 por cento que sequer passaram dos 21.
Entre os civis, mortos em ataques suicidas, há de todas as
idades, desde dias a décadas. É a mesma tristeza do
lado palestino onde se fala de vantagem na morte. Não existe
lamento especial para os que são vitimados nas operações
israelenses. Às mães, mulheres, filhos, só
restam o choro e as lágrimas que não são distinguíveis
por ideologias. Excetuados os suicidas, que merecem festas de heróis
e vão para o Paraíso acompanhados de lágrimas
de orgulho público. A quatro paredes é o mesmo de
dor pela perda.
Esta terra, de tantas histórias e mitos, sagrada de tantos
milagres, parece ter insuperável gula de seus habitantes.
Existem inúmeros conflitos étnicos e fronteiriços
no mundo. Mas só o sangue que aqui corre merece atenção.
E quem lidera esses povos aparentados não enxerga caminhos
para entendimento.
Sharon decidiu que a construção de uma cerca, como
elevado e perigoso obstáculo a infiltrações
de inimigos de Israel, pode ser boa solução provisória.
Salvará, sem dúvidas, vidas israelenses. Nem todas,
nem é solução permanente. Os cerca de 55 países
islâmicos, e outros a eles simpáticos, querem que o
Tribunal Internacional de Justiça condene por Lei Internacional
a construção que Sharon enfatiza ser para defender
vidas. As 20 maiores potências não simpatizam com a
cerca, mas não crêem que seja questão para o
Tribunal. Seria ampliar os poderes de uma Corte que opera há
quase cem anos sem muita eficácia. E, no atual contexto,
de recrudescimento do anti-semitismo agressivo, a Corte pode deixar
se influenciar pelos antigos preconceitos europeus. Condenar Israel
criaria problemas de boicote econômico e outras complicações.
E não resolveria o conflito israelense-palestino. Poderia
complicá-lo. Além do mais, a Cerca de Israel não
é a única. Os americanos construíram a sua
para dificultar a entrada ilegal de mexicanos e, mais recentemente,
de elementos extremistas que chegam de todos os cantos e se infiltram
nos Estados Unidos para criar células terroristas.
O ministro do Interior da Arábia Saudita, príncipe
Nayef Bin Abdul Aziz, se afirma, teria comunicado ao Yemen o desejo
de seu país construir uma cerca de 20 quilômetros de
extensão, e barreiras de arame farpado e armadilhas, para
dificultar a infiltração do Al Qaeda. Os iemenitas
ainda não concordaram, pois alegam isolaria seus rebanhos
de pasto que ambos concordaram seria de uso comum.
A Grécia já gastou bilhões em segurança
para dar tranqüilidade a atletas e público que virão
para as Olimpíadas, as primeiras a serem disputadas onde
foram criadas na antiguidade.
Diariamente são suspensos vôos comerciais por rumor
de ataque terrorista.
Será que o cientista atômico paquistanês, que
se confessou contrabandista, vendeu tecnologia nuclear ao Al Qaeda?
Não mais do que poucas centenas de indivíduos atacam
tropas americanas no Iraque. Não são necessários
muitos para mortíferas operações terroristas.
Diz-se que Israel vai mostrar o ônibus destruído há
duas semanas e tantas mortes, em Jerusalém, perto do Tribunal,
para ser visto pelos juízes. E o governo não se fará
representar para não reconhecer legitimidade ao processo
iniciado por palestinos.
E acontece que é em nossa era que adultos temem o bicho-papão
com os quais se assustavam as crianças em tempos em que não
existia. Agora, existe. * Nahum Sirotsky é jornalista, correspondente
da RBS em Israel e colunista do Último Segundo/IG. A publicação
desta coluna tem a autorização do autor.
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