Visão Judaica - Edição N° 21
:. Está em jogo o conceito de "Ocidente" .:

Por: Edda Bergmann *

Os Estados Unidos já não precisam da Europa a não ser no que ela possa dar de legitimidade às suas premissas diplomáticas, capacidade de pacificação e dinheiro para suas ambições.
Tal relação desigual põe em dúvida o próprio conceito de "Ocidental".
Ainda restam muitos aspectos nos quais o conceito tem um poderoso significado, o compartilhamento de uma história e de um senso de valores, a cultura cristã, afinidade racial baseada na cor branca.
Mas, no sentido contemporâneo, forjada pela Guerra Fria, a idéia de Ocidente está sendo corroída a um ritmo que poucos teriam achado possível há dois anos atrás.
Obviamente o momento definido foi a Guerra do Iraque. Causou surpresa até que ponto os Estados Unidos estavam dispostos a agir de forma unilateral.
E o que confundiu ainda mais as expectativas foi a disposição da França e da Alemanha de liderarem a oposição global à violação da Lei Internacional.
Esta divisão partiu irremediavelmente a aliança ficando a Grã-Bretanha e os Estados Unidos de um lado e a França e a Alemanha de outro. A divisão também percorreu o coração da Europa, Espanha, Itália, Portugal e muitos estados da Europa Oriental ficaram ao lado dos Estados Unidos contra a França e a Alemanha.
Às vésperas de uma expansão da União Européia coisa acalentada e esperada há anos, consumindo suas energias há mais de meio século a Europa não mostra coesão política.
Diante dessas divisões parece que França e Alemanha venham a engajar-se numa relação ainda mais próxima.
Nos eventos de maio de 1968 era de Lei olhar para Paris, para a Sorbonne, para a École de Hautes Etudes como laboratório do futuro. Paris significava o amanhã. Hoje em dia ninguém pensaria assim.
As universidades americanas usurparam esta grandiosidade especialmente incluindo a Ásia em grande estilo em seus estudos, pesquisas e análises de mercado.
Paris era a cidade que estava à frente hoje, com o término da Guerra Fria sua importância desmoronou com o declínio europeu.
Mas o declínio da Europa não deve ser medido apenas em termos de seu papel, há mais de 30 anos que ela sabe que é economicamente inferior aos Estados Unidos.
E o que está passando desapercebida pelos formadores de opinião quanto pela população é a perda de posição da Europa. Dentro de um ou dois anos a Grã-Bretanha será superada pela China, como a Alemanha logo depois pelo Japão.
O centro de gravidade do mundo já passou para o Pacífico e o Leste da Ásia já substitui a Europa como a segunda região economicamente mais poderosa.
Vai demorar um pouco para que a Europa acorde para o significado e a implicação de tudo isso, em sua mentalidade provinciana brigando pelo anti-semitismo, pelo anti-arabismo e por tudo o que é anti o gênero humano.
Como vimos agora com a nomeação de um prefeito de origem argelina na França de Chirac. Os Estados Unidos estão preparados para tudo isso.
Os estudos sobre a Ásia são uma disciplina marginal na Europa nas universidades britânicas e são florescentes nas universidades norte-americanas.
A Europa no entanto apresenta os seus valores tradicionais, a sua história, os seus exemplos de vida, a literatura, a cultura e uma série de privilégios que são totalmente seus.
Se considerarmos que "nem só de pão vive o homem", a Europa não deixará tão já de ser importante, mas não resta a mínima dúvida que o pólo gerador da economia se deslocou para a Ásia com suas premissas diferentes, seus valores variados, suas afinidades diversas.
E no meio de tudo isso como ficam a Israel democrática e os países árabes totalmente retrógrados e fanáticos? E o fanatismo onde fica? Irá continuar se desenvolvendo dando um basta ao progresso e alcançar os meios asiáticos e seus ambientes tão diversificados, será possível detê-lo para o bem da Humanidade e do mundo pensante, esteja ele na China e no Japão ou em Paris e Berlim?
O mundo asiático será ponderado ou fanático, humano ou intransigente, irá proteger o ser humano ou destruí-lo.
Muito em breve saberemos!!!

* Edda Bergmann é vice-presidente Internacional da B'nai B'rith

Voltar