Por: Edda Bergmann
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Os Estados Unidos já não precisam
da Europa a não ser no que ela possa dar de legitimidade
às suas premissas diplomáticas, capacidade de pacificação
e dinheiro para suas ambições.
Tal relação desigual põe em dúvida
o próprio conceito de "Ocidental".
Ainda restam muitos aspectos nos quais o conceito tem um poderoso
significado, o compartilhamento de uma história e de um
senso de valores, a cultura cristã, afinidade racial baseada
na cor branca.
Mas, no sentido contemporâneo, forjada pela Guerra Fria,
a idéia de Ocidente está sendo corroída a
um ritmo que poucos teriam achado possível há dois
anos atrás.
Obviamente o momento definido foi a Guerra do Iraque. Causou surpresa
até que ponto os Estados Unidos estavam dispostos a agir
de forma unilateral.
E o que confundiu ainda mais as expectativas foi a disposição
da França e da Alemanha de liderarem a oposição
global à violação da Lei Internacional.
Esta divisão partiu irremediavelmente a aliança
ficando a Grã-Bretanha e os Estados Unidos de um lado e
a França e a Alemanha de outro. A divisão também
percorreu o coração da Europa, Espanha, Itália,
Portugal e muitos estados da Europa Oriental ficaram ao lado dos
Estados Unidos contra a França e a Alemanha.
Às vésperas de uma expansão da União
Européia coisa acalentada e esperada há anos, consumindo
suas energias há mais de meio século a Europa não
mostra coesão política.
Diante dessas divisões parece que França e Alemanha
venham a engajar-se numa relação ainda mais próxima.
Nos eventos de maio de 1968 era de Lei olhar para Paris, para
a Sorbonne, para a École de Hautes Etudes como laboratório
do futuro. Paris significava o amanhã. Hoje em dia ninguém
pensaria assim.
As universidades americanas usurparam esta grandiosidade especialmente
incluindo a Ásia em grande estilo em seus estudos, pesquisas
e análises de mercado.
Paris era a cidade que estava à frente hoje, com o término
da Guerra Fria sua importância desmoronou com o declínio
europeu.
Mas o declínio da Europa não deve ser medido apenas
em termos de seu papel, há mais de 30 anos que ela sabe
que é economicamente inferior aos Estados Unidos.
E o que está passando desapercebida pelos formadores de
opinião quanto pela população é a
perda de posição da Europa. Dentro de um ou dois
anos a Grã-Bretanha será superada pela China, como
a Alemanha logo depois pelo Japão.
O centro de gravidade do mundo já passou para o Pacífico
e o Leste da Ásia já substitui a Europa como a segunda
região economicamente mais poderosa.
Vai demorar um pouco para que a Europa acorde para o significado
e a implicação de tudo isso, em sua mentalidade
provinciana brigando pelo anti-semitismo, pelo anti-arabismo e
por tudo o que é anti o gênero humano.
Como vimos agora com a nomeação de um prefeito de
origem argelina na França de Chirac. Os Estados Unidos
estão preparados para tudo isso.
Os estudos sobre a Ásia são uma disciplina marginal
na Europa nas universidades britânicas e são florescentes
nas universidades norte-americanas.
A Europa no entanto apresenta os seus valores tradicionais, a
sua história, os seus exemplos de vida, a literatura, a
cultura e uma série de privilégios que são
totalmente seus.
Se considerarmos que "nem só de pão vive o
homem", a Europa não deixará tão já
de ser importante, mas não resta a mínima dúvida
que o pólo gerador da economia se deslocou para a Ásia
com suas premissas diferentes, seus valores variados, suas afinidades
diversas.
E no meio de tudo isso como ficam a Israel democrática
e os países árabes totalmente retrógrados
e fanáticos? E o fanatismo onde fica? Irá continuar
se desenvolvendo dando um basta ao progresso e alcançar
os meios asiáticos e seus ambientes tão diversificados,
será possível detê-lo para o bem da Humanidade
e do mundo pensante, esteja ele na China e no Japão ou
em Paris e Berlim?
O mundo asiático será ponderado ou fanático,
humano ou intransigente, irá proteger o ser humano ou destruí-lo.
Muito em breve saberemos!!!
* Edda Bergmann é vice-presidente Internacional
da B'nai B'rith