Caro leitor: Estamos de volta. É estranho
como a questão da cerca que Israel constrói se tornou
um assunto mais debatido do que o problema focal - o desarmamento
do Hamas e Cia. Ltda. As centenas de atentados e tentativas perpetradas
pelos suicidas que transitavam livremente entre Israel e os territórios
palestinos da Margem Ocidental levaram a um movimento de bases,
pedindo uma separação física, que o governo
israelense não pode mais ignorar. Os municípios
do vale de Bet Shean até fizeram sua cerca por conta própria.
O prefeito de Modiin chegou a considerar construir com meios próprios
seu trecho de cerca, sem esperar o fim da discussão em
torno de Ariel, por onde ainda não foi definido o traçado
da cerca, por causa das pressões contra. O que muitos não
sabem, é que a inexistência de fronteiras físicas
permite que qualquer mal-intencionado que sofra lavagem cerebral
e processo de fanatização vista um cinturão
carregado de explosivos e caminhe até alguma cidade em
Israel e desencadeie a tragédia de uma explosão
com o objetivo de matar o maior número de pessoas.
A idéia da cerca não é nova. Já havia
sido construída nas fronteiras com o Líbano e com
Gaza. E então, a partir desses locais caiu quase a zero
a incursão de terroristas em Israel. Mesmo na parte já
operacional da cerca ao longo - e até além, incorporando
certos assentamentos - da chamada linha verde, um limite virtual
entre Israel e a Cisjordânia, ela já mostra sua eficiência,
pois os atentados estão sendo contidos. Não foram
eliminados, mas contidos. Protestos surgem de todos os cantos
para lembrar que os empregos, a economia e a vida dos palestinos
estão sendo prejudicados. Porém, nenhum desses se
incomodou em protestar pelas vidas perdidas dos israelenses. Há
aí uma inversão de valores - a vida humana valeria
menos do que o incômodo de caminhar alguns quilômetros
até um portão de controle e passagem - ou, tratar-se-ia
mesmo de anti-semitismo daqueles que desprezam os judeus a ponto
de desejar-lhes a morte? Evidentemente existem também os
inocentes úteis, aqueles que gritam porque os outros gritam
contra a cerca, mas nada sabem a respeito dela ou porque ela é
necessária.
Dentro de Israel até mesmo para os que fazem oposição
ao governo de Sharon já está bastante claro que
a cerca é a opção mais apropriada para garantir
a segurança da população contra a demência
dos suicidas-bomba. Todos sabem que uma cerca, por maior que seja,
nada mais é que uma simples cerca. Que pode, evidentemente,
ser removida, no instante em que o perigo dos atentados deixar
de existir. Esse dia, lamentavelmente, não parecer estar
próximo, principalmente por causa das circunstâncias
atuais. Os religiosos insuflam os fiéis instigando à
matança e ao ódio, os grupos terroristas bem armados
continuam a agir livremente dentro do território palestino
cooptando os jovens para o suicídio, os livros escolares
destinados às crianças estão repletos de
incitação contra os judeus, estimulando-lhes uma
cultura de morte que os robotiza. E o que é e pior, não
há por parte da Autoridade Palestina nenhum sinal concreto
de que aceita conviver pacificamente ao lado de Israel. Pelo contrário,
todos os emblemas e mapas da Palestina por eles utilizados, situam
a Palestina no lugar de Israel, não ao lado dele. Nesse
aspecto, a cerca exerce um fator positivo de pressão: e
um dia os palestinos compreenderão que não podem
derrotar Israel e que terão que coexistir pacificamente
com os judeus. Isso pode durar um ano, dois, cinco, dez, vinte
anos ou mais, mas chegaremos lá. E aí a cerca não
terá mais razão para existir
A Redação.