Todos os que me escutam pelo rádio, me lêem na imprensa escrita ou nos meios digitais, sabem que não fui votar. Estou entre aqueles 44,11% de venezuelanos que se abstiveram… E como eu disse antes, dou graças a D-us por ter-me equivocado ao crer que a Venezuela democrática — innegable mayoría — Chavez voltaria a desconhecer sua vontade. Venceu o NÃO! Não ao autocrata e aos seus desejos doentios de poder eterno. Não nos acreditamos conscritos do seu quartel. Nem nos imaginamos factíveis de ser escravos…
Mas além de abençoar o ter me equivocado e estar celebrando o triunfo dos estudantes, motor da esperança que nos trouxe uma nova realidade, de abençoar esses tenazes 5 milhões de compatriotas, devo aproveitar este dia de júbilo para dizer-lhes que mesmo quando sua prioridade com certeza era poder impor outra fraude, amparados pela escuridão da madrugada, organismos da Segurança do Estado, no mesmo domingo 2 de dezembro e pela segunda vez desde que o tenente-coronel ostenta o Poder de maneira absolutista, invadiram o Colégio e o Centro Social, Cultural e Esportivo Hebraica da comunidade judaica de Caracas
Parece que nosso excelso militarzinho, aquele que se sente exultante por ser tão amigo de Mahmud Ahmadinejad, outro Hitler do século XXI, que sem rubor pretende fazer desaparecer do mapa tanto o Estado de Israel como o povo judeu, deseja deixar bem claro tanto ao iraniano como aos seus compadres do Hezbolá, do Hamas e outras organizações de escoteiros islamo-terroristas, que o seu anti-semitismo é descarado…
Às instalações do Colégio e Centro Social, Cultural e Desportivo Hebraica, chegaram intimidadores funcionários da DISIP, a polícia política do regime, chegaram os homens das seções contra o terrorismo, contra as drogas, brigadas anti-explosivos e outras miudezas… Os mesmos que são incapazes de frear a delinqüência desencadeada na Venezuela e que diariamente cobra dezenas de mortes. Armados até os dentes irromperam nas instalações de uma escola onde se dá aulas a crianças e jovens desde o maternal até o segundo grau… Armados até os dentes foram à Hebraica os que não movem um dedo para impedir que outros “camaradas” de Hugo o Belicoso, os assassinos da narcoguerrilha colombiana, continuem seqüestrando venezuelanos e extorquindo suas famílias.
Uniformizados e apoiados, chegaram as novas SS, os Super Socialistas do Século XXI, para arrombar portas, e obrigar os vigilantes do centro comunitário a abrir todos os acessos… As novas SS, as do Século XXI, vermelhas, vermelhinhas, negaram-se no início a deixar passar os dirigentes tanto do colégio como do centro social… Estariam vendo junto com algum outro iraniano se a Hebraica tem alguma semelhança com aquele edifício da rua Pasteur, 633, da cidade de Buenos Aires?
Estariam recordando aquele tranqüilo dia de inverno em Buenos Aires... quando no meio da manhã um veículo que transitava pela rua Pasteur se incrustrou no número 633 e destruiu o edifício e matou dezenas de inocentes... Porque estas invasões repetidas, primeiro no dia 29 de novembro de 2004 e agora este da madrugada de 2 de dezembro de 2007, não são fatos isolados e menos inocentes...
Continua Chavez fustigando a comunidade judaica da Venezuela, agora com a estória de procurar armas que pudessem servir para desestabilizar o processo do referendum como antes usaram a desculpa de que procuravam evidência vinculada ao assassinato de um promotor: Danilo Anderson.
Na obscuridade, abusivos e assustadores, estes esbirros fizeram uma verificação exaustiva, especialmente na sala de máquinas das piscinas e dos elevadores… Sabiam que não encontrariam nada, como sabiam que a ordem era assustar! Depois como se fosse a coisa mais normal invadir escolas e clubes sociais, limitaram-se a dizer que só tinham ido verificar uma denúncia recebida e “amavelmente” disseram Tchau!
Não tinha amanhecido quando chegaram desta vez; o atropelo anterior foi planejado para que coincidisse com a hora de entrada das crianças na escola. Muitos se perguntam: Tem isto algo a ver com os constantes ataques anti-judaicos de Mario Silva, o grotesco condutor do programa La Hojilla, na Venezolana de Televisión, o espaço que segundo insiste Chavez é o melhor que transmite a televisão venezuelana e ao qual vai e onde participa frequentemente (Três vezes nas duas últimas semanas demonstrando ser um fã do programa e seu apresentador).
Invadiram a Hebraica e pode restar um ato tão vil, escondido pela avalanche noticiosa que, com razão, gerou o belo triunfo do NÃO. Por isso, quero tornar público este ato bárbaro, um a mais na coleção privadíssima de Chavez. Quero que relacionemos este novo fustigamento com as permanentes acusações que à comunidade judaica são feitas pelo apresentador da latrina televisiva com nome de arma branca…
Há uma sistemática campanha contra nossa Comunidade Judaica, há uma sistemática campanha contra os rabinos, contra os dirigentes da comunidade judaica, contra os empresários dessa comunidade… Satanizam-nos, culpam-nos, vilipendiam-nos… Não dão provas, mas semeiam o ódio… Por isso, além de comemorar que a Venezuela não é terra conquistada por um valentão, estou pensando seriamente em colocar sobre meu peito um Magen (Estrela de) David amarelo e sair para celebrar o triunfo do NÃO. Porque nem contente calo-me, nem me faço de desentendida diante de outra selvageria da boina vermelha.
* Eleonora Bruzual é jornalista e radialista na Venezuela e não é judia (ebruzual@cantv.net). O texto original, em espanhol está publicado no website
http://www.diariocritico.com/venezuela/2007/Diciembre/opinion/48819/ eleonora-bruzual.html