A Partilha e a mão estendida. Outra vez

Em 29 de novembro passado comemoramos 59 anos da histórica aprovação, pela Assembléia Geral da ONU, presidida pelo estadista brasileiro Oswaldo Aranha, da partilha da Palestina, em 1947. Essa resolução da ONU, que recebeu o nº 181, foi importantíssima, porque ao mesmo em que eliminava o mandato britânico, e consequentemente todo o aparato militar opressivo contra os judeus que se batiam pela independência, ofereceu aos habitantes árabes e judeus a grande oportunidade de exercerem seus direitos de autodeterminação, criando, cada um, seus respectivos Estados. No caso judaico foi um marco inapagável da história dos filhos de Israel. Já no caso dos palestinos, os árabes se recusaram a implantá-lo e, a rigor, continuam até hoje sem interesse num estado palestino. O único objetivo é destruir Israel.
Oswaldo Aranha recebeu post-mortem a medalha Ben Gurion do governo israelense em agradecimento pelo esforço que fez no estabelecimento do Estado judeu. Grande número de cidades israelenses batizou ruas com o nome do brasileiro a lembrar para sempre a data de 29 de novembro de 1947. Um outro diplomata que também se esforçou muito para que a partilha acontecesse —  abrindo as portas para a Independência de Israel e a concretização do sonho judeu de 2 mil anos — que poucos conhecem fora de Israel, foi o guatemalteco Jorge García Granados, membro da Unscop, a Comissão das Nações Unidas que recomendou a partilha da Palestina. Granados também é nome de muitas ruas em Israel e foi homenageado pelo país que ajudou a nascer. Nas futuras edições de Visão Judaica, vamos falar mais de García Granados.
Desde a Guerra da Independência em 1948, quando os líderes árabes prometiam “jogar os judeus ao mar”, e invadiram a Palestina para impedir a implementação da partilha, alegando que a região era exclusivamente árabe e islâmica, passando por outras quatro guerras nas décadas seguintes, sempre ameaçaram que iriam desfechar ataques militares para impedir a existência do Estado judeu. Muito pouco mudou com relação a esse pensamento. O Hamas e o Hezbolá não preconizam a criação de um Estado palestino, mas pregam a eliminação de Israel e do povo judeu, repetindo até à náusea o idêntico anti-semitismo dos nazistas. Mas Israel está aí, de pé, um Estado moderno, o único democrático na região, que garante os direitos de cidadania de seus habitantes, e inclusive de seus árabes. E o que é fundamental: o único Estado judaico do mundo. Com seus acertos e seus erros é uma nação formidável, que dia-a-dia dá exemplos magníficos em todos os campos da atividade humana, da ciência à medicina, da tecnologia à pesquisa.
A paz é possível? Há uma luz no final do túnel? Um cessar fogo foi pedido pelos palestinos, que não param de lançar foguetes Kassam contra Israel, e atendido pelos israelenses. Porém, a despeito das violações do cessar fogo por parte dos palestinos, a trégua continua e o exército israelense não tem respondido ao fogo lançado. O primeiro-ministro Olmert já declarou que se poderia outorgar a independência à Autoridade Palestina, se for alcançado um acordo de paz definitivo. 
Mas é esperar para ver, se finalmente os palestinos vão querer mesmo seu Estado independente, ou se vão insistir na inútil e tresloucada guerra santa para “libertar a Palestina” mediante a violência extrema, que já sabem, só irá criar mais violência ainda.
Com o discurso de Olmert em Sde Boker, perto do túmulo de Ben Gurion, Israel estendeu mais uma vez sua mão aos árabes. Em breve saberemos o resultado dessa oferta.                                                
                                                                                    A Redação