De Beer-Sheva a Eilat – 1

Antonio Carlos Coelho *

Na edição anterior o tema foi Beer-Sheva, cidade situada ao norte do deserto do Neguev. De Beer-Sheva ao sul, tudo é deserto. É lugar onde a aridez torna-se bela. A graduação suave das cores, com predominância do ocre, se acentua ao nascer e ao cair da tarde. O pouco verde que se vê, são acácias, retorcidas semelhantes às nossas árvores da caatinga.   
Três são os caminhos que podem ser escolhidos de Beer-Sheva ao extremo sul do Neguev. Um que acompanha o limite com o Egito; o mais usado, via Dimona, até chegar à rodovia 90 que vai direto a Eilat, ou a estrada que vai a Sde Boker e passa por Avedat. Ali está a antiga cidade dos nabateus, posteriormente ocupada pelos bizantinos, onde deixaram marcas do cristianismo. Além da boa conservação das ruínas, há um interessante sistema de coleta de água criado pelos primitivos habitantes, os mesmos que construíram a fantástica Petra, na Jordânia.
Mais ao sul, chega-se a uma impressionante cratera – Mizpé Ramon. Tem-se a impressão de que aquele lugar é o mais selvagem e inóspito da face da terra. Animais saltam sobre as pedras da escarpa da enorme cratera. O silêncio é absoluto. O calor, infernal, faz a paisagem vibrar diante dos olhos.  
Seguindo ao sul, pela rodovia 90 ou pela 40 (de Mizpé Ramon) chega-se a Timna. Saindo da estrada, encontra-se um grande paredão de rochas, uma das faces da meseta rochosa que marca o local. Ela apresenta colunas naturais, chamadas de Colunas do Rei Salomão. Ali, do século 13 a.e.c ao século 2 e.c., os egípcios extraíram o cobre. Hoje é possível encontrar os túneis que levavam ao interior da mina, desenhos egípcios nas rochas e, ainda, um pequeno templo dedicado ao deus Hathor. A partir da criação do Estado de Israel os israelenses passaram a explorar o cobre.
Nas proximidades há uma rocha em forma de cogumelo, formado pela ação do vento. Ele tem cerca de 6 metros de altura. Escavações no local indicam as presença egípcia e medianita. Ali há um pequeno templo medianita, com um altar de oferendas. As marcas deixadas por esses dois povos indicam que, durante o período de exploração do cobre, havia uma boa relação entre eles.
Não muito distante de Timna está o Kibutz Yotvata. Nele há um museu sobre a história da região e, há também, um restaurante, como tantos existentes nas estradas de Israel. Bem, esse restaurante se torna, sem dúvida, o melhor e o mais acolhedor restaurante do mundo, depois de se percorrer quilômetros no deserto e visitar tantos locais de extrema aridez.  

* Antonio Carlos Coelho é professor, diretor do Instituto Ciência e Fé, e colaborador do jornal Visão Judaica.