Visão Judaica - Edição N°31
:. JERUSALÉM (18) - Cidade além dos muros (1) .:

 

Muitas pessoas perguntam se Jerusalém é uma cidade antiga cercada de muros, cheia de relíquias do passado bíblico. Há motivos para isso, pois é a parte mais explorada da Cidade, tanto pelo turismo quanto pelas revistas e pelas agências de viagens. Mas a capital de Israel é muito mais do que uma cidade antiga cercada por uma muralha. Ela possui a parte nova, construída a partir da metade do século 19.
A “cidade nova” apresenta uma arquitetura interessante que merece ser conhecida pela sua beleza e pelo que ela traduz da história de Jerusalém. São marcas da história recente de Israel que registram desde o período do domínio otomano até as mais recentes obras da arquitetura contemporânea.
Visitar a “cidade nova” de Jerusalém é tão interessante quanto visitar a antiga. As marcas da história recente de Israel estão nas ruas, nas casas, nos cafés, nas lojas e nas praças. Ao passar pelos arredores da Praça Sion, no centro da cidade, lembramos o Dia da Independência de Israel. Lá está o balcão onde Ben Gurion falou ao povo que festejava a criação do novo Estado de Israel. É possível imaginar o que foi aquela noite de maio quando a população dançou nas proximidades da Rua Jaffa e Ben Yehuda. Nesta mesma rua temos um café, o Atara, ponto de encontro de muitos jornalistas dos anos 40, palco de um dos mais impressionantes atentados provocados pelos árabes nos dias que antecederam a criação do novo Estado.
A Ben Yehuda é a rua mais visitada pelos turistas. É um local alegre com muitos cafés, sorveterias e lojas de artigos de presentes e souvenirs. Nas noites, principalmente após o Shabat, músicos de rua alegram o passeio dos jovens e turistas que estão na cidade. Talvez essa rua seja uma síntese da vida de Jerusalém e da Israel moderna naquilo que pode expressar o espírito do povo. Ali passam estrangeiros, judeus de diferentes países e condições sociais, religiosos e não religiosos, jovens e velhos que vem para resolver negócios, conversar ou até mesmo para manifestar sobre questões sociais ou políticas.
Próximo está a Rua Rav Kook, onde está localizado o importante jornal editado em inglês, o Jerusalem Post. Anteriormente, quando os ingleses dominavam Israel, este jornal tinha o nome de Palestine Post e era o principal jornal nos dias da independência. Hoje, a editora mantém uma boa livraria com importantes obras sobre história e cultura judaica editadas em inglês.
Quando a Rua Ben Yehuda alcança a King George, movimentada avenida que liga importantes bairros da cidade, temos a fachada de um antigo edifício do século 19, conhecido por Talita Kumi (menina levanta), resto de um antigo orfanato de meninas mantido pelos cristãos na cidade.
Jerusalém mistura harmoniosamente o velho e o novo. Entre as suas ruas há aquelas que não nos permite abrir os braços e aquelas largas com canteiros centrais e muitas pistas. Tão importante é conhecer a Velha Cidade de Jerusalém, cercada pelo seu muro, quanto conhecer a “Cidade Nova”. Nela temos as marcas do passado recente que nos ajuda a compor a história moderna do povo judeu no esforço pela formação do novo Estado e também, é na Cidade Nova que se pode sentir o espírito da Israel do século 21.

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