Muitas pessoas perguntam se Jerusalém é uma cidade
antiga cercada de muros, cheia de relíquias do passado
bíblico. Há motivos para isso, pois é a
parte mais explorada da Cidade, tanto pelo turismo quanto pelas
revistas e pelas agências de viagens. Mas a capital de
Israel é muito mais do que uma cidade antiga cercada por
uma muralha. Ela possui a parte nova, construída a partir
da metade do século 19.
A “cidade nova” apresenta uma arquitetura interessante
que merece ser conhecida pela sua beleza e pelo que ela traduz
da história de Jerusalém. São marcas da
história recente de Israel que registram desde o período
do domínio otomano até as mais recentes obras da
arquitetura contemporânea.
Visitar a “cidade nova” de Jerusalém é tão
interessante quanto visitar a antiga. As marcas da história
recente de Israel estão nas ruas, nas casas, nos cafés,
nas lojas e nas praças. Ao passar pelos arredores da Praça
Sion, no centro da cidade, lembramos o Dia da Independência
de Israel. Lá está o balcão onde Ben Gurion
falou ao povo que festejava a criação do novo Estado
de Israel. É possível imaginar o que foi aquela
noite de maio quando a população dançou
nas proximidades da Rua Jaffa e Ben Yehuda. Nesta mesma rua temos
um café, o Atara, ponto de encontro de muitos jornalistas
dos anos 40, palco de um dos mais impressionantes atentados provocados
pelos árabes nos dias que antecederam a criação
do novo Estado.
A Ben Yehuda é a rua mais visitada pelos turistas. É um
local alegre com muitos cafés, sorveterias e lojas de
artigos de presentes e souvenirs. Nas noites, principalmente
após o Shabat, músicos de rua alegram o passeio
dos jovens e turistas que estão na cidade. Talvez essa
rua seja uma síntese da vida de Jerusalém e da
Israel moderna naquilo que pode expressar o espírito do
povo. Ali passam estrangeiros, judeus de diferentes países
e condições sociais, religiosos e não religiosos,
jovens e velhos que vem para resolver negócios, conversar
ou até mesmo para manifestar sobre questões sociais
ou políticas.
Próximo está a Rua Rav Kook, onde está localizado
o importante jornal editado em inglês, o Jerusalem Post.
Anteriormente, quando os ingleses dominavam Israel, este jornal
tinha o nome de Palestine Post e era o principal jornal nos dias
da independência. Hoje, a editora mantém uma boa
livraria com importantes obras sobre história e cultura
judaica editadas em inglês.
Quando a Rua Ben Yehuda alcança a King George, movimentada
avenida que liga importantes bairros da cidade, temos a fachada
de um antigo edifício do século 19, conhecido por
Talita Kumi (menina levanta), resto de um antigo orfanato de
meninas mantido pelos cristãos na cidade.
Jerusalém mistura harmoniosamente o velho e o novo. Entre
as suas ruas há aquelas que não nos permite abrir
os braços e aquelas largas com canteiros centrais e muitas
pistas. Tão importante é conhecer a Velha Cidade
de Jerusalém, cercada pelo seu muro, quanto conhecer a “Cidade
Nova”. Nela temos as marcas do passado recente que nos
ajuda a compor a história moderna do povo judeu no esforço
pela formação do novo Estado e também, é na
Cidade Nova que se pode sentir o espírito da Israel do
século 21.