Quando inevitavelmente ocorrer a alguém, algum dia, a malfadada idéia
de filmar a biografia de Yasser Arafat, não poderá encontrar
um diretor mais adequado que o espanhol Pedro Almodóvar, especializado
em temas surrealistas e grotescos. O roteiro da película será escrito
no estilo "novilíngua", que George Orwell descreveu em seu
livro 1984, (os assassinos-suicidas são mártires; a destruição
de Israel é o direito de retorno; os terroristas são lutadores
pela liberdade).
A vida de Arafat é uma trama cheia de elementos sensacionalistas,
onde não falta o homossexualismo; incríveis escapadas da morte;
o desfalque de centenas de milhões de dólares doados ao povo
palestino por países generosos e ingênuos; seqüestros de
aviões de passageiros; assassinatos de atletas em Munique; suicídios;
bombas; doutrinamento de toda uma geração no ódio e
o fanatismo; mentiras fantásticas e calúnias absurdas (Israel
está causando câncer nos palestinos com urânio; os Templos
de Salomão e Heródes nunca existiram; o Holocausto é uma
invenção sionista; os personagens da Bíblia eram todos
palestinos; as listras azuis da bandeira de Israel simbolizam seu afã expansionista,
pois representam os rios Nilo e Eufrates).
Para que o filme tenha um mínimo de ingrediente romântico terá um
casamento tardio e de aparência com uma esposa muito mais jovem, loura
oxigenada, educada em um convento e convertida ao islamismo, mas que mantém
uma grande vida em Paris, onde não lhe faltam os amantes.
O filme estará na tradição do Teatro do Absurdo: um
terrorista multimilionário adulado pelo mundo e venerado por seu povo
morto de fome, a quem fez vítima de sua corrupção e
do seu despotismo. Um líder que recebeu o prêmio Nobel da Paz,
apesar do seu objetivo, franco para seu povo ou dissimulado para o resto
do mundo, sempre foi o mesmo: a destruição do Estado de Israel.
E ao final, uma misteriosa enfermidade, que acaba numa morte cuja lentidão
não foi obstáculo para que seus impacientes sucessores planejassem
seu enterro enquanto ainda vivia.
A película não precisará chamar-se necessariamente “Tudo
sobre Arafat”. Poder-se-ia tornar a utilizar qualquer outro título
dos filmes de Almodóvar, como por exemplo “Matador” (de
1986) ou “Carne trêmula” (de 1997).
Ou, se o diretor decidir que o filme seja tratado desde o ponto de vista
do povo palestino que finalmente abre os olhos sobre Arafat, o título
deveria ser “O que fizemos para merecer isto?” (1984).
E se a protagonista principal fosse a sra. Suha Arafat, a película
poderia chamar-se “De saltos altos”, (1991), ou “Mulher à beira
de um ataque de nervos” (1988).
Arafat morto: as reações
Em Israel não há manifestações de alegria ou
júbilo pela morte de um inimigo que tinha as mãos manchadas
de sangue judeu, de um terrorista dedicado à destruição
de Israel que foi responsável pela morte de mais judeus que nenhuma
outra pessoa desde a época de Hitler. A reação, em geral,
foi uma muito limitada e pálida esperança de que os novos dirigentes
palestinos abandonem a fracassada tática de querer dobrar Israel por
meio do terror, e escolham o caminho da convivência pacífica.
A reação do mundo foi diametralmente oposta. Jacques Chirac,
presidente da França, disse que Arafat foi "um homem de coragem
e convicção, que por 40 anos combateu pelos direitos nacionais
palestinos".
(Nota: faz 40 anos, em 1964 faltavam ainda três anos para a Guerra
dos Seis Dias quando Israel ocupou Gaza e a Margem Ocidental. Assim, não
são muito claros a quais direitos nacionais palestinos se refere Chirac).
Kofi Annan, o secretário das Nações Unidas, disse: "estou
emocionado pela morte de Arafat. É trágico que não se
tenha concretizado o Acordo de Oslo".
(Nota: Annan não mencionou que a razão pela qual não
se concretizou Oslo foi a inexplicável rejeição de Arafat à muito
arriscada oferta do então primeiro-ministro Barak em Camp David, no
ano de 2000, de entregar-lhe toda Gaza, 92% da Margem Ocidental, e metade
de Jerusalém. Em vez de aceitar, Arafat deu rédea solta poucas
semanas depois a uma cruel guerra de terror contra os israelenses que até agora
não terminou).
A União Européia enalteceu Arafat por sua determinação à causa
palestina.
(Nota: a União Européia não julgou necessário
explicar que a causa palestina, segundo a interpretação de
Arafat, era a destruição de Israel e sua substituição
por um Estado palestino).
O Vaticano elogiou Arafat dizendo que era "um líder que lutou
pela independência de seu povo. Rogamos a D-us que dê descanso
eterno à sua alma e paz à Terra Santa".
(Nota: efetivamente é possível que agora, depois da morte de
Arafat, a paz chegue à Terra Santa).
O único líder no mundo que vê as coisas como são,
ou, talvez, o único que não é hipócrita, é o
primeiro-ministro da Austrália, John Howard, que disse: "A história
o julgará severamente por seu fracasso em aceitar a proposta de paz
de Israel".
Os bancos da Suíça não se manifestaram oficialmente,
mas fontes fidedignas asseguram que estão felizes já que parece
que Arafat levou para a tumba os números de suas contas secretas.
Quem é Suha Arafat?
Suha Arafat, filha de um casal árabe-cristão — o pai
banqueiro, educado em Oxford, e a mãe, Raymonda Tawil, conhecida jornalista
palestina — nasceu em Jerusalém e foi educada, primeiro em Nablus
e Ramallah, e depois estudou na Universidade de Sorbonne, em Paris, onde
seus pais tinham um apartamento.
Conheceu Arafat quando um jornal francês a enviou para entrevistá-lo.
Arafat a tomou como assistente de relações públicas
e, em seguida, como conselheira econômica da OLP. Com a idade de 28
anos, quando Arafat tinha 62, os dois casaram em Túnis após
a conversão de Suha ao Islã. O matrimônio foi mantido
em segredo durante 15 meses.
Em julho de 1995 Suha deu a luz a sua filha Zahwa num exclusivo hospital
de Paris, onde a diária custava mais de mil libras esterlinas. Explicou
que "o bebê havia sido concebido em Gaza, mas como as condições
sanitárias ali são tão terríveis, preferi dar
a luz em Paris porque não quero ser uma heroína e arriscar
meu bebê".
Sempre foi muito franca ao expressar nas entrevistas seu ódio aos
israelenses e sua oposição a qualquer processo de normalização
com eles.
Em novembro de 1999, durante uma reunião com Hillary Clinton, esposa
do então presidente americano, Suha, inspirada pelas clássicas
acusações anti-semitas da Idade Média, acusou Israel
de envenenar o ar e a água dos palestinos e de causar-lhes, de forma
premeditada, câncer e outras horríveis enfermidades. (Hillary
Clinton comentou que as acusações de Suha Arafat "não
ajudavam o processo de paz").
Em 2000, quando estourou a "intifada" (guerra de terror promovida
por Arafat) mudou-se com sua filha para a França, onde recebeu a nacionalidade
francesa. Desde aquela data nunca (até dias antes da morte de Arafat)
visitou seu esposo em Ramallah ou se interessou pelos palestinos. Sua única
contribuição à "intifada" foi dizer que se
tivesse um filho, com gosto o enviaria para se suicidar em algum restaurante,
ou centro comercial israelense.
Em Paris vive com uma limitada mesada mensal de cem mil dólares que
Yasser Arafat lhe enviava. As autoridades francesas iniciaram uma investigação,
que terminou em nada, sobre uma transferência de 11 milhões
de dólares da Suíça para sua conta bancária em
2002 e 2003.
No ano passado, após ter ocupado por muitos meses um andar inteiro
do exclusivo Hotel Bristol, comprou por vários milhões um apartamento
de luxo próximo do Arco do Triunfo, o qual foi decorado com imagens
do Papa e de Jesus, e uma foto de Arafat com um rifle. Passa seus dias assistindo
a desfiles de moda e fazendo compras. Quando viaja, o faz somente de primeira
classe. Segundo rumores não lhe faltam admiradores nem acompanhantes
românticos.
Nos últimos dias Suha ocupou novamente as primeiras páginas
dos jornais ao acusar os líderes palestinos de conspirar para usurpar
o posto de Arafat, e recordou-lhes que só ela, de acordo com a lei
francesa, tinha direito de desconectar Arafat das máquinas que o mantinham
vivo.
Segundo reportagens de diversos jornais, Suha e os sucessores de Arafat chegaram
a um acordo pelo qual Suha receberá anualmente 22 milhões de
dólares, soma que a permitirá manter em Paris o padrão
de vida ao qual não lhe foi difícil acostumar-se.
No futuro Suha poderá ser a protagonista de uma versão modernizada
da opereta de Johann Strauss, A Viúva Alegre.
Os sucessores de Arafat, de seu lado, lamentam que Suha se converteu ao Islã.
Eles acham que teria sido preferível que Suha tivesse se convertido
ao hinduísmo, já que um dos mais tradicionais e respeitados
costumes da dita religião é o "sati", a imolação
da viúva na pira funerária do defunto esposo.
Não chores por mim, BBC
Num de seus artigos antiisraelenses, (El cristal con que se mira [O cristal
com o que se vê]), o escritor Vargas Llosa se autofelicita por estar
muito bem informado da situação real no Oriente Médio
graças aos "imparciais" e "objetivos" meios de
comunicação europeus. Num claro exemplo das ditas "imparcialidade" e "objetividade" Bárbara
Plett, a correspondente da BBC no Oriente Médio Oriente, disse pela
rádio que "quando vi o helicóptero levando o frágil
ancião comecei a chorar".
Emoção similar e simpatia nunca haviam sido expressas pela
senhorita Plett nas numerosas ocasiões quando informou sobre os israelenses,
crianças, mulheres e anciãos, despedaçados por assassinos-suicidas
que foram financiados, estimulados, doutrinados e glorificados pelo "frágil
ancião".
Em outro exemplo da desfaçatez de certos meios de comunicação,
a CNN se permitiu fazer uma pesquisa sobre se Arafat deveria ser sepultado
em Jerusalém. Muitos reagiram sugerindo à CNN que era preferível
que realizasse uma pesquisa sobre se se deveria enterrar ou não Bin
Laden no Cemitério Nacional de Arlington, em Washington.