Joseph Farah*
Desde que escrevi uma coluna, em outubro passado, intitulada "Mitos
do Oriente Médio", leitores do mundo todo têm frequentemente
me perguntado o que quer dizer o termo "palestino".
A resposta simples é que quer dizer qualquer coisa que Yasser Arafat
queria que quisesse dizer.
O próprio Arafat nasceu no Egito. Mais tarde ele se mudou para Jerusalém.
Na verdade, a maior parte dos árabes que vive dentro das fronteiras
de Israel hoje, veio de algum outro país árabe em algum momento
de suas vidas.
Por exemplo, desde logo no início dos acordos de Oslo, mais de 400.000 árabes
adentraram na Judéia, Samária ou Gaza. Eles vieram da Jordânia
e do Egito; e, indiretamente, de todo e qualquer país árabe
que você possa citar.
Os árabes construíram 261 assentamentos na Margem Ocidental
desde 1967. Não se costuma ouvir muito sobre estes assentamentos.
Por outro lado, escuta-se muito sobre o número de assentamentos israelenses
que foram criados. Ouvimos sobre quão desestabilizadores eles são
-- quão provocadores eles são. No entanto, comparativamente,
apenas 144 assentamentos judaicos foram construídos desde 1967 --
incluindo aqueles que circundam Jerusalém, os localizados na Judéia,
Samária e em Gaza.
O número de colonos árabes baseia-se em estatísticas
reunidas na Ponte Allenby e outros pontos de coleta de dados entre Israel
e a Jordânia. Baseia-se no número de trabalhadores diaristas árabes
que entram em Israel e não saem. Os números foram publicados
pelo Escritório Central de Estatísticas de Israel durante a
administração de Binyamin Netanyahu, e foram subsequentemente
negados como "erros de relatório" pela administração
de Ehud Barak.
É
claro que a administração Barak tinha incentivos para negar
os elevados números da imigração ilegal, dada sua pesada
confiança depositada em votantes árabes.
Acaso seria este um fenômeno novo? Absolutamente não. Sempre
foi assim. Árabes têm rumado para Israel desde que este foi
criado, e mesmo antes, coincidindo com a onda de imigração
judaica para a Palestina anterior a 1948.
Winston Churchill disse em 1939: "Longe de serem perseguidos, os árabes
têm vindo às multidões para o País, e têm
se multiplicado ao ponto de sua população ter crescido mais
do que todo o mundo judaico junto teria capacidade de aumentar a população
judia".
Isto levanta uma questão que eu nunca ouvi ninguém perguntar:
Se a política de Israel torna a vida tão intolerável
para os árabes, então por que eles continuam a dirigir-se para
o Estado Judeu?
Esta é uma pergunta importante agora que vemos o debate palestino
deslocar-se para a questão do "direito de retorno".
De acordo com as afirmações mais liberais de fontes árabes,
algo entre 600.000 e 700.000 árabes deixaram Israel em 1948 ou por
volta disso, quando o Estado Judeu foi criado. A maior parte não foi
expulsa por judeus, mas saiu a pedido dos líderes árabes que
declararam guerra a Israel.
No entanto, há bem mais árabes vivendo nestes territórios
agora do que jamais houve. E muitos dos que saíram em 1948 tinham
de fato suas raízes em outras nações árabes.
É
por isso que é tão difícil definir o termo "palestino".
Sempre foi. O que ele significa? Quem é um "palestino"?
Seria alguém que veio a trabalho na Palestina devido a uma explosão
econômica com novas oportunidades de emprego? Seria alguém que
vinha vivendo na região havia dois anos? Cinco anos? Dez anos? Seria
alguém que alguma vez visitou a área? Seria qualquer árabe
que gostaria de viver naquela área?
Os árabes superam os judeus em números, no Oriente Médio,
por um fator de cerca de 100 para um. Mas quantos destas centenas de milhões
de árabes são de fato palestinos? Não muitos.
A população árabe da Palestina foi historicamente extremamente
baixa -- antes do renovado interesse dos judeus pela área, que começou
no início dos anos 1900.
Por exemplo, um guia de viagens para a Palestina e Síria, publicado
em 1906 por Karl Baedeker, ilustra o fato de que, mesmo quando o Império
Islâmico Otomano dominava a região, a população
muçulmana de Jerusalém era mínima.
O livro estima a população total da cidade em 60.000 pessoas,
dos quais 7.000 eram muçulmanos; 13.000 eram cristãos e 40.000
eram judeus.
"
O número de judeus tem crescido grandemente nas últimas décadas,
a despeito do fato que eles são proibidos de imigrar ou possuir terras",
o livro afirma.
Embora os judeus fossem perseguidos, ainda assim eles vieram para Jerusalém
e representavam a maioria absoluta da população já desde
1906.
Por que a população muçulmana era tão baixa?
Afinal de contas, nos dizem que Jerusalém é a terceira cidade
mais santa no Islã. Certamente, se esta fosse uma crença amplamente
aceita em 1906, mais devotos teriam para lá se assentado.
A verdade é que a presença judaica em Jerusalém e por
toda a Terra Santa persistiu ao longo de toda sua sangrenta história,
como está documentado na obra fundamental de Joan Peters sobre o conflito árabe-judaico
na região, "From Time Immemorial" - "Desde Tempos Imemoriáveis".
Também é verdade que a população árabe
cresceu seguindo-se à imigração judaica para a região.
Os árabes vieram por causa da atividade econômica. E, creiam
ou não, eles vieram porque havia mais liberdade e mais oportunidades
em Israel do que em seus países de origem.
O que é um palestino? Se algum árabe possui direito legítimo
de reclamar propriedade em Israel, devem ser aqueles que foram ilegalmente
privados de suas terras e lares após 1948. Arafat não possuia
tal direito. E poucos - se algum, daqueles que estão atirando, explodindo
e aterrorizando israelenses hoje - também o têm.
* Joseph Farah é jornalista árabe-cristão americano,
de origem libanesa e editor-chefe do World Net Daily. Publicado originalmente.
no World Net Daily - Traduzido por Zalman Girtman.