Visão Judaica - Edição N° 31
:. Novos ventos e a mediocridade em Paraíba do Sul .:

 

A morte de Arafat pode ter aberto algumas portas para o otimismo no Oriente Médio. Nos últimos anos houve tão poucas chances de paz entre Israel e os vizinhos árabes, que é importante dar atenção às oportunidades. Mas, se de um lado sopram ventos novos, de outro, devemos ficar atentos: o terrorismo continua. O atentado de 12 de dezembro e os que se seguiram, são prova disso. Faltam recursos para o saneamento e a saúde dos palestinos? Mas o Al-Aksa e o Hamas têm dinheiro para explodir, com 1.500 kg de dinamite, um posto militar em Gaza, matando cinco jovens israelenses. Não é uma disputa de gangues pelo poder. É a tentativa de forçar Israel a esquecer seu plano de retirada de Gaza. Se sair, do que irão reclamar os palestinos depois?
Uma razão para o otimismo é a transferência suave do governo na Autoridade Palestina. Esperava-se uma violenta luta intestina pelo poder. As eleições que o finado ditador prometera, e nunca cumprira, acontecerão, finalmente, em 9 de janeiro. Abu Mazen convenceu o cinco vezes condenado à prisão perpétua Marwan Barghouti a retirar a candidatura. É claro que Mazen vencerá as eleições, mas não nos iludamos. Sabem o que pensa dos judeus? Que mentem e inflaram o número de vítimas no Holocausto. Para ele, foi “menos que um milhão”!
O sheik Hasan Yusef, um líder do Hamas na Cisjordânia, recentemente libertado da prisão, passou a falar sobre uma trégua de 10 anos, negociações de paz e até mesmo “viver lado-a-lado com Israel". Essa dissensão discursiva surpreende considerando o desvario e o fanatismo psicótico em riscar Israel do mapa. Mas com os últimos atentados, o Hamas de Gaza mostra que não liga a mínima para o que diz o sheik. Os acenos também partem de Damasco. Bashar El- Assad quer conversar com Sharon sem impor condições sobre o Golan. Só não deixa de apoiar grupos terroristas baseados na Síria e no Líbano, e de sorrir para o videogame sírio, sucesso no mundo árabe e palestino, por incentivar o ódio, a matança de judeus e a destruição de Israel. Underash [esse é o nome do jogo] ainda pega pesado com os palestinos ao mostrar as glórias de um terrorista suicida.
Nas últimas semanas houve intensa atividade diplomática entre Israel e o Egito. Visitas de ministros, encontros cordiais, egípcios dispostos a atuar contra o contrabando de armas para a Faixa de Gaza, a inesperada declaração de Mubarak qualificando Sharon como o único capaz de obter um acordo de paz com os palestinos e a libertação do druso israelense Azzam Azzam da prisão. A TV palestina tem adotado um tom mais moderado, sem as inflamadas transmissões que comparam judeus a macacos e porcos nas pregações religiosas dos clérigos ou chamam o exército israelense nos noticiários de “forças selvagens da ocupação”. Algo significativo mudou nas últimas semanas desde a morte de Arafat. Agora o discurso é de reconciliação. De fato, sopram novos ventos na região, mas um pouco de cautela sempre é bom para conter otimismos exagerados.
Na TV israelense jamais veríamos propaganda remotamente assemelhada àquilo que a TV palestina veicula. Se um dia isso acontecesse, podem ter certeza de que até Paraíba do Sul ficaria sabendo: Israel é um país de vidro, o sujeito se coça em Jerusalém e na mesma hora a CNN mostra. O mundo sabe desse comportamento. Só que nunca fez nada. Pelo contrário, com seu silêncio aplaude a TV de Arafat, o "pacifista" carniceiro que está para virar estátua, com dinheiro público, no município fluminense de Paraíba do Sul, pelas mãos do prefeito energúmeno, no apagar das luzes de sua infeliz administração.
Lembrete: em janeiro não circulamos, pois entramos em férias. Voltamos em fevereiro.

A Redação

 

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