A morte de Arafat pode ter aberto algumas portas para o otimismo no Oriente
Médio. Nos últimos anos houve tão poucas chances de
paz entre Israel e os vizinhos árabes, que é importante dar
atenção às oportunidades. Mas, se de um lado sopram
ventos novos, de outro, devemos ficar atentos: o terrorismo continua. O atentado
de 12 de dezembro e os que se seguiram, são prova disso. Faltam recursos
para o saneamento e a saúde dos palestinos? Mas o Al-Aksa e o Hamas
têm dinheiro para explodir, com 1.500 kg de dinamite, um posto militar
em Gaza, matando cinco jovens israelenses. Não é uma disputa
de gangues pelo poder. É a tentativa de forçar Israel a esquecer
seu plano de retirada de Gaza. Se sair, do que irão reclamar os palestinos
depois?
Uma razão para o otimismo é a transferência suave do
governo na Autoridade Palestina. Esperava-se uma violenta luta intestina
pelo poder. As eleições que o finado ditador prometera, e nunca
cumprira, acontecerão, finalmente, em 9 de janeiro. Abu Mazen convenceu
o cinco vezes condenado à prisão perpétua Marwan Barghouti
a retirar a candidatura. É claro que Mazen vencerá as eleições,
mas não nos iludamos. Sabem o que pensa dos judeus? Que mentem e inflaram
o número de vítimas no Holocausto. Para ele, foi “menos
que um milhão”!
O sheik Hasan Yusef, um líder do Hamas na Cisjordânia, recentemente
libertado da prisão, passou a falar sobre uma trégua de 10
anos, negociações de paz e até mesmo “viver lado-a-lado
com Israel". Essa dissensão discursiva surpreende considerando
o desvario e o fanatismo psicótico em riscar Israel do mapa. Mas com
os últimos atentados, o Hamas de Gaza mostra que não liga a
mínima para o que diz o sheik. Os acenos também partem de Damasco.
Bashar El- Assad quer conversar com Sharon sem impor condições
sobre o Golan. Só não deixa de apoiar grupos terroristas baseados
na Síria e no Líbano, e de sorrir para o videogame sírio,
sucesso no mundo árabe e palestino, por incentivar o ódio,
a matança de judeus e a destruição de Israel. Underash
[esse é o nome do jogo] ainda pega pesado com os palestinos ao mostrar
as glórias de um terrorista suicida.
Nas últimas semanas houve intensa atividade diplomática entre
Israel e o Egito. Visitas de ministros, encontros cordiais, egípcios
dispostos a atuar contra o contrabando de armas para a Faixa de Gaza, a inesperada
declaração de Mubarak qualificando Sharon como o único
capaz de obter um acordo de paz com os palestinos e a libertação
do druso israelense Azzam Azzam da prisão. A TV palestina tem adotado
um tom mais moderado, sem as inflamadas transmissões que comparam
judeus a macacos e porcos nas pregações religiosas dos clérigos
ou chamam o exército israelense nos noticiários de “forças
selvagens da ocupação”. Algo significativo mudou nas últimas
semanas desde a morte de Arafat. Agora o discurso é de reconciliação.
De fato, sopram novos ventos na região, mas um pouco de cautela sempre é bom
para conter otimismos exagerados.
Na TV israelense jamais veríamos propaganda remotamente assemelhada àquilo
que a TV palestina veicula. Se um dia isso acontecesse, podem ter certeza
de que até Paraíba do Sul ficaria sabendo: Israel é um
país de vidro, o sujeito se coça em Jerusalém e na mesma
hora a CNN mostra. O mundo sabe desse comportamento. Só que nunca
fez nada. Pelo contrário, com seu silêncio aplaude a TV de Arafat,
o "pacifista" carniceiro que está para virar estátua,
com dinheiro público, no município fluminense de Paraíba
do Sul, pelas mãos do prefeito energúmeno, no apagar das luzes
de sua infeliz administração.
Lembrete: em janeiro não circulamos, pois entramos em férias.
Voltamos em fevereiro.
A Redação