Visão Judaica - Edição N° 31
:. Caminho para o Mar Morto tem beleza muito especial .:

Edda Bergmann *

Israel é um país que se percorre em cerca de 5 horas de Norte a Sul e em apenas uma de Leste a Oeste.
Uma piada comum com quem chega é aquela em que o turista diz para o amigo israelense “amanhã vou sair para conhecer Israel”. E o amigo responde: “e o que você vai fazer à tarde?”.
Pequeno em tamanho e bem servido de estradas, o lugar é no entanto tão rico em diversidade natural que dificilmente alguém levará apenas este tempo para dar um giro decente.
Saindo de Jerusalém um dos primeiros pontos a que o turista se dirige é o Leste, a fim de descobrir os mistérios do Mar Morto, que na verdade não passa de um grande lago. Israel também apelidou de mar outro lago, o de Tiberíades como o Mar da Galiléia.
É na região do Mar Morto, de beleza impar e aterradora que estão duas importantes atrações nacionais: Qumran, a aldeia onde foram encontrados os manuscritos do Mar Morto e Massada, a cidade fortaleza erguida sobre um imenso platô de 400 metros de altura, de onde se tem uma vista espetacular da região até as montanhas da Jordânia.
Uma hora de carro nesta estrada que corta o deserto de Judá, de Oeste para Leste e atingimos o ponto mais baixo da terra, 400 metros abaixo do nível do mar.
O cenário até lá é em tons ocre e terra, enfeitados por pedaços verdes onde tamareiras robustas oferecem fontes em abundância já que estamos em plena época da colheita. Plantações irrigadas de citros, melões, uvas sem semente também são avistadas com freqüência.
Israel é auto-suficiente na maioria dos alimentos, mas importa carne e trigo.
O cheiro de enxofre ainda pode ser sentido quando se entra num dos spas construídos para receber os turistas. Neles é possível embelezar-se com banhos de lama rica em minerais, antes de ir flutuar. O índice de salinidade dos quase 30% inviabiliza a vida nestas águas e impede que o corpo afunde.
O Mar Morto é alimentado principalmente pelas águas do rio Jordão, mas sua salinidade extrema tem provocado sua lenta evaporação ao longo dos anos.
Estima-se que o mar tenha perdido 12 metros de altura nos últimos cem anos.
Massada é um libelo da liberdade do povo hebreu contra a dominação estrangeira.
Heródes construiu uma fortaleza e um palácio imponente no alto deste monte no final do século I a.C., estabelecendo aqui um refúgio seguro para o caso de uma investida inimiga e temia que Cleópatra tentasse estender seu império desde o Egito até a Judéia.
Mas foram os próprios judeus que tomariam a montanha para resistir à dominação romana no conhecido movimento da Revolta Judaica, iniciado em Jerusalém e que durou de 66 a 73 d.C. depois que Herodes já tinha morrido.
Lá no alto se refugiaram 967 judeus zelotes, ortodoxos que após demorada e heróica resistência cometeram suicídio coletivo, preferindo a morte à rendição aos 15 mil homens das tropas da 10ª legião romana.
O relato de dois sobreviventes inspirou Flávio Josefus que escreveu com detalhes a história da “Guerra dos Judeus”.
Massada também ilustra a capacidade estratégica dos engenheiros de Herodes.
A primeira pergunta que se faz quando se está lá no alto sob um sol de 35 graus é como ele poderia ter abastecido de água uma cidade onde mesmo hoje o acesso só é facilitado pela existência de um bondinho teleférico.

E a resposta é uma aula de engenharia civil. O governador mandou represar as águas das famosíssimas torrentes do Neguev, um fenômeno que ainda hoje acontece sete vezes por ano na região.
Herodes desviava as abundantes águas para 11 cisternas construídas nas encostas da montanha e conseguia assim suprir as necessidades do povo. Além disso, Herodes construiu enormes silos para estocar grãos e sementes que duravam muito mais devido à umidade do ar de 15%.
Massada é até hoje o sítio arqueológico mais visitado do país.
Atravessar o deserto de Judá e investigar o passado da região onde está também Massada, a antiga fortaleza construída por Herodes no século I d.C. faz parte do caminho para o Mar Morto cuja beleza desolada é algo impressionantemente visível aos olhos dos visitantes desta região e deixa o turista encantado com suas diversidades de tudo o que é conhecido.

* Edda Bergmann é Vice-presidente Internacional da B’nai B’rith.




 

 


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