Visão Judaica - Edição N° 31
:. Arafat financiava terrorismo das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa .:

Livro conta como ele agia contra seu próprio povo

Khaled Abu Toameh*

Yasser Arafat injetou milhões de dólares nas Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, ainda que tenha deixado suas forças de segurança decepcionadas por ficar meses sem pagamento, de acordo com um livro prestes a ser lançado, escrito por Matt Rees, chefe do escritório da revista Time em Jerusalém.
A revelação veio a público ao mesmo tempo em que representantes palestinos anunciaram recentemente que a Autoridade Nacional Palestina não podia pagar os salários de seus servidores civis e o pessoal de segurança no mês de novembro. Arafat, que então estava recebendo tratamento médico em Paris, telefonou, conforme noticiado, para seu Ministro das Finanças e ordenou-lhe que pagasse os salários em dia.
Num incidente descrito em “A Batalha de Caim: Fé, Fratricídio e Medo no Oriente Médio”, que deve ser publicado ainda este mês pela Free Press, editado por Simon & Schuster, Rees revela como Arafat enviou dois milhões de dólares para as Brigadas dos Mártires da Al-Aqsa, em Gaza, em junho de 2002, mas forneceu apenas uma pequena quantia para pagar os salários de suas forças de segurança oficiais.
De acordo com “A Batalha de Caim”, numa cópia antecipada obtida pelo jornal “The Jerusalem Post”, dois altos oficiais da inteligência palestina visitaram a casa do major general Abdel Razak al-Majaideh, comandante das Forças de Segurança Nacional de Arafat em Gaza, em junho de 2002. Os oficiais da inteligência, sem pagamento há vários meses, souberam, através de contatos na Fatah, que Arafat havia acabado de enviar dois milhões de dólares para as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa em Gaza. Majaideh, ultrajado, reclamou com eles que Arafat enviara-lhe apenas 30.000 dólares para pagar os salários de todos os oficiais de segurança palestinos na Faixa de Gaza.
“ Esta era a equação dos interesses de Arafat,” escreveu Rees. “Dois milhões de dólares contra 30.000. Arafat estava trabalhando contra seu próprio povo, ignorando-o enquanto enviava montes de dinheiro para atiradores”.
Pela primeira vez, Rees revelou a história por dentro da administração auto-destrutiva e geradora de discórdias de Arafat, detalhando o que os atiradores fizeram com o dinheiro que receberam de Arafat.
Ele mostrou como as Brigadas dos Mártires da Al-Aqsa, o braço armado da Fatah, [e que promove atentados terroristas] mandavam nas cidades palestinas como gangsters, desacatando os oficiais de segurança, que gradualmente aprenderam que não tinham o apoio de Arafat.
Rees revela ainda a história chocante de uma garota cristã de Bet Jala, próximo a Belém, que foi coagida a fazer sexo e então assassinada pelos líderes das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa em Belém. Depois de matar a menina, os líderes do grupo emitiram uma declaração dizendo que eles “queriam limpar as casas palestinas das prostitutas.”
Rees escreveu que os “criminosos degradaram-na sexualmente, puniram-na por isto, e então reivindicaram a posição de defensores morais de uma sociedade que eles, mais do que quaisquer outras pessoas, foram responsáveis por manchar."
" A Batalha de Caim," conta ainda a história do vice-chefe da Inteligência Geral em Gaza,
Zakaria Baloush. Ele se cansou tanto do jogo duplo de Arafat, que anunciou que concorreria contra ele pelo cargo de presidente.
Arafat nunca realizou eleições, mas tentou persuadir Baloush a retornar ao rebanho. Quando Baloush disse a Arafat que ele não poderia mais trabalhar para o chefe da Inteligência Geral em Gaza, Amin al-Hindi, Arafat disse: "Então chute-o. Jogue-o ao mar."
Rees disse que Arafat conduzia a Autoridade Nacional Palestina exatamente da mesma forma que ele fez com a OLP – como um feudo pessoal onde ninguém sabia em quem confiar. “Ele nunca fez a transição para um governo responsável e organizado,” disse Rees.
As relações com Israel, mesmo durante os anos de Oslo, eram também sujeitas à duplicidade de Arafat. Rees escreveu sobre um oficial da inteligência palestina que queria dar informações ao Shin Bet sobre os soldados israelenses que não retornaram da batalha de Sultan Yakoub, com paradeiro desconhecido, em 1982. Quando o oficial da inteligência trouxe os oficiais israelenses a Arafat, o líder palestino dispensou-os, dizendo que o oficial da inteligência estava doente e precisava ficar em casa para tratamento médico.

* Khaled Abu Toameh é jornalista árabe-israelense e escreve no Jerusalem Post - Traduzido por Irene Walda Heynemann e publicado no site De Olho na Mídia (www.deolhonamidia.org.br) em 8/11/2004



 

 


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