Por:Antonio
Carlos Coelho *
Ao percorrer as
ruas do bairro árabe da cidade velha de Jerusalém
pode-se ficar atento ao mercado e a sua variedade de mercadorias.
No entanto, há belezas arquitetônicas que não
podem ser perdidas. É o que fatalmente acontece. O mercado
é tão pitoresco que os visitantes acabam deixando
de perceber detalhes arquitetônicos que caracterizam os
diferentes períodos de dominação da Cidade.
Os detalhes se concentram principalmente nos portais, no trabalho
de cantaria, na coloração das pedras. É verdade
que não há indicação que chame a atenção
do visitante, e freqüentemente essas obras da arte urbana
islâmica estão perdidas em pichações,
placas de lojas e outros obstáculos comuns do bairro árabe.
O ponto central do bairro é o Domo da Rocha, foco central
de muitos cartões postais e calendários, por seu
tamanho, beleza e importância religiosa e cultural. É
o terceiro local de importância para a peregrinação
dos fiéis do Islã e também é atração
para muitos turistas.
Qubbat al-Sakhra - assim é conhecido, na língua
árabe, o mais importante monumento islâmico em Israel.
Construído no século VII (688-691) por ordem do
califa Adb al-Malik, contrasta com a simplicidade dos oratórios
do deserto. Possui um desenho que segue um ritmo matemático
perfeito: uma estrela de oito pontas circunscrita num grande círculo.
Este que foi o primeiro santuário construído pelo
Islã é o único que permaneceu intacto até
os nossos dias. Ele não é uma mesquita como muitos
pensam. É um lugar de oração e visitação,
onde a tradição islâmica preserva como sendo
o local da ascensão de Maomé aos céus (Sura
XVII).
Sua cúpula dourada e suas paredes decoradas com inscrições
religiosas abrigam uma grande rocha no centro do edifício.
Esta rocha, segundo a tradição judaica, foi o local
onde Abraão ofereceu em sacrifício o seu filho Isaac,
daí a importância primeira do local sagrado. Por
esta razão, ali foram construídos o primeiro e o
segundo Templo de Jerusalém. Posteriormente os bizantinos
fizeram no mesmo local uma grande igreja - o Templo do Senhor,
como era chamada. Sua forma circular inspirou a construção
islâmica que a sucedeu.
Internamente, seu piso está coberto por tapetes. Suas paredes
revestidas por pedras ajustadas de forma que de seus veios surgiram
figuras de animais e anjos. Sua cúpula dourada é
também dourada internamente, com uma beleza que enche os
olhos do visitante.
Tal obra de caráter religioso-cultural traduziu, no seu
tempo, o orgulho e a imposição cultural muçulmana
sobre as culturas cristã e judaica no Oriente Médio.
Hoje, embora haja tantas outras casas de oração
de muita beleza espalhadas pelo mundo, construídas sem
nenhuma restrição no mundo ocidental, certamente
o Domo da Rocha guarda o mesmo significado para o mundo árabe,
manifestando as mesmas aspirações de 1.300 anos
atrás.
* Antonio Carlos
Coelho é professor e membro do Instituto Ciência
é Fé.