Visão Judaica - Edição N° 20
:. Turismo: Jerusalém (7) - Bairro Árabe (2).:

Por:
Antonio Carlos Coelho *

Ao percorrer as ruas do bairro árabe da cidade velha de Jerusalém pode-se ficar atento ao mercado e a sua variedade de mercadorias. No entanto, há belezas arquitetônicas que não podem ser perdidas. É o que fatalmente acontece. O mercado é tão pitoresco que os visitantes acabam deixando de perceber detalhes arquitetônicos que caracterizam os diferentes períodos de dominação da Cidade. Os detalhes se concentram principalmente nos portais, no trabalho de cantaria, na coloração das pedras. É verdade que não há indicação que chame a atenção do visitante, e freqüentemente essas obras da arte urbana islâmica estão perdidas em pichações, placas de lojas e outros obstáculos comuns do bairro árabe.
O ponto central do bairro é o Domo da Rocha, foco central de muitos cartões postais e calendários, por seu tamanho, beleza e importância religiosa e cultural. É o terceiro local de importância para a peregrinação dos fiéis do Islã e também é atração para muitos turistas.
Qubbat al-Sakhra - assim é conhecido, na língua árabe, o mais importante monumento islâmico em Israel. Construído no século VII (688-691) por ordem do califa Adb al-Malik, contrasta com a simplicidade dos oratórios do deserto. Possui um desenho que segue um ritmo matemático perfeito: uma estrela de oito pontas circunscrita num grande círculo. Este que foi o primeiro santuário construído pelo Islã é o único que permaneceu intacto até os nossos dias. Ele não é uma mesquita como muitos pensam. É um lugar de oração e visitação, onde a tradição islâmica preserva como sendo o local da ascensão de Maomé aos céus (Sura XVII).
Sua cúpula dourada e suas paredes decoradas com inscrições religiosas abrigam uma grande rocha no centro do edifício. Esta rocha, segundo a tradição judaica, foi o local onde Abraão ofereceu em sacrifício o seu filho Isaac, daí a importância primeira do local sagrado. Por esta razão, ali foram construídos o primeiro e o segundo Templo de Jerusalém. Posteriormente os bizantinos fizeram no mesmo local uma grande igreja - o Templo do Senhor, como era chamada. Sua forma circular inspirou a construção islâmica que a sucedeu.
Internamente, seu piso está coberto por tapetes. Suas paredes revestidas por pedras ajustadas de forma que de seus veios surgiram figuras de animais e anjos. Sua cúpula dourada é também dourada internamente, com uma beleza que enche os olhos do visitante.
Tal obra de caráter religioso-cultural traduziu, no seu tempo, o orgulho e a imposição cultural muçulmana sobre as culturas cristã e judaica no Oriente Médio. Hoje, embora haja tantas outras casas de oração de muita beleza espalhadas pelo mundo, construídas sem nenhuma restrição no mundo ocidental, certamente o Domo da Rocha guarda o mesmo significado para o mundo árabe, manifestando as mesmas aspirações de 1.300 anos atrás.

* Antonio Carlos Coelho é professor e membro do Instituto Ciência é Fé.

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