Visão Judaica - Edição N° 20
:. Propaganda, Mentiras e Democracia .:

Por: Herman Glanz 07/12/2003

A semana que passou foi marcada pela cerimônia da assinatura da chamada Iniciativa de Genebra, (já que não se trata de um acordo oficial, mas uma iniciativa particular) cuja finalidade em si não é trazer paz para o Estado de Israel e palestinos, mas tão somente promover os interlocutores, buscando ganhar, como se diz aqui, no tapetão, o que foi perdido nas urnas. Enfim, um golpe contra a democracia por aqueles que tanto falam em democracia, mas não a praticam. Lembremo-nos que os líderes israelenses dessa iniciativa não se saíram bem nas últimas eleições em Israel. Como do lado palestino não há democracia, nada a dizer. E o Partido Trabalhista israelense, na oposição atualmente, já se colocou contra essa iniciativa, da qual participam alguns dos seus membros. A semana ainda foi marcada, para nós brasileiros, pela visita do Presidente Luis Inácio Lula da Silva ao Oriente Médio, começando pela Síria, onde se declarou contra a "ocupação israelense" e, numa entrevista, expressou seu apoio à iniciativa de Genebra.
Em primeiro lugar, devemos entender que essa iniciativa de Genebra é uma grande propaganda para os seus autores, com apoio de países europeus, como a França e a Suíça, que alocaram grandes somas de recursos, visando acabar com a iniciativa americana, consubstanciada no chamado "Roadmap", o tal roteiro da paz, e com isso buscando desbancar os americanos. É o que declarou, ainda em 18 de outubro, quando se tomava conhecimento da existência daquela iniciativa, Hussein Hejazi, um porta-voz do Ministério do Exterior palestino, afirmando que a referida iniciativa tornava irrelevante o Roadmap. A cerimônia de assinatura, dia 1º de dezembro, contou com a presença de inúmeros intelectuais, artistas, ex-presidente americano Carter, palavras de apoio de Nelson Mandela, de Bill Clinton, transformando-se numa festa de ataques a Israel. Enquanto do lado palestino e europeu se falava contra a "ocupação" israelense, contra a guerra de Israel aos palestinos e ataques diretos a Sharon, e teciam-se loas aos terroristas, os israelenses nada diziam em favor das vítimas israelenses dos atentados terroristas, como se os últimos três anos de terror palestino nunca tivessem existido. Parece que essa gente não considera politicamente correto tais protestos, prejudicando somente o Estado de Israel, como, aliás, essa iniciativa letal contra o Estado de Israel. No texto da proposta de um acordo de paz, embora conste que os palestinos reconhecem o direito da existência de Israel, não se menciona que esse direito ocorre na Palestina, como se fala para os palestinos. E o sheik Yassin, líder do Hamas, conforme saiu ontem nos jornais, declarou que nada tem contra um Estado Judeu... na Europa. Muito embora tenha sido propagado que, pelo texto da iniciativa, os palestinos abriram mão do chamado "direito de retorno", o que não se afigura correto, pois mencionam as Resoluções das Nações Unidas a respeito, e um dos signatários dessa iniciativa, Jamal Zaqout, escreveu: "que foi espalhado por ilustres figuras israelenses que os palestinos abriram mão do direito de retorno, para tornar o documento mais palatável ao público de Israel". As figuras israelenses passam a ser não tão ilustres...
Quando se fala em "ocupação" israelense, significa mesmo deslegitimar o Estado de Israel, pois se, a chamada Margem Ocidental e Gaza, são territórios ocupados, implicitamente todo o Estado de Israel é território ocupado, pois deixa de fazer sentido tratar-se de território do antigo Estado Judeu (que incluía a Jordânia), que na verdade, foi ocupado pelos árabes, por sucessivas invasões guerreiras. Mentiras repetidas.
Ainda sobre as palavras do nosso Presidente na Síria, a respeito da ocupação israelense, inclusive do Golan reivindicado pela Síria, alguns órgãos da imprensa fizeram notar que a Síria é ocupante de território do Líbano, onde o Presidente Luis Inácio Lula da Silva também esteve. O que ninguém fala, quanto ao Golan, e é preciso gritar bem alto, como disse o premiado escritor israelense e expoente da esquerda, Amos Oz, tratar-se de uma injustiça que clama aos céus, que se exija que a Lei Internacional seja aplicada a Israel, mas não à Síria, que ocupou o Golan na Guerra de 1948. Por que a Lei Internacional deve valer para Israel e não para a Síria? Que se retorne à fronteira de 1923, quando foi criado o atual Estado sírio, conclui Amos Oz.
Enfim, conforme já se falou, o relatório sobre o anti-semitismo europeu, preparado por sociólogo e historiador alemães para a União Européia, e que fora arquivado, foi finalmente divulgado, ante os protestos, motivando um artigo, ainda no jornal da esquerda israelense, Ha'aretz, intitulado "Onde a Esquerda e a Direita se Encontram", pois, conforme o referido relatório, o anti-semitismo é provocado por grupos da direita, grupos islâmicos, grupos pró-palestinos, políticos de várias tendências e grupos e intelectuais de esquerda, emitindo declarações anti-semitas ao tratarem de racismo, anti-globalização e o conflito árabe-israelense. Devemos ter presentes as declarações do escritor português e Prêmio Nobel, José Saramago, quando aqui esteve.
Essa propaganda anti-semita se espalhando, o objetivo de deslegitimar Israel e o encontro da direita e da esquerda na mesma finalidade anti-semita são motivos de alerta que não podemos deixar passar calados. Gritemos contra todos os anti-semitas.

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