Visão Judaica - Edição N° 20
:.Família Jakubowitch coleciona chanukiót .:

 

Selos, moedas, cartões-postais, discos etc, são alguns dos hobbies mais populares entre as pessoas que costumam colecionar alguma coisa de forma geral. Mas não para o casal curitibano Jakes e Ester Jakubowitch. Uma paixão dos dois é colecionar chanukiót, menorót e castiçais para velas de Shabat, peças tipicamente judaicas, o que torna a coleção talvez inédita no mundo.
Ao todo, Ester e Jaquito (como Jakes é mais conhecido na comunidade) têm 31 peças, de todos os tamanhos e procedências. A maior parte, claro, é proveniente de Israel - há peças clássicas e modernas - mas também vieram da Turquia, da Romênia, da Bulgária, dos Estados Unidos e até do Brasil. Um verdadeiro encanto são as miniaturas que cabem na palma da mão e que têm velas próprias!
Para quem não sabe, menorót, em hebraico, é o plural de menorá, o candelabro de sete braços - um dos principais símbolos do judaísmo e de Israel; chanukiót é o plural de chanukiá, o candelabro de nove braços que os judeus utilizam para acender as luzes durante a Festa de Chanucá, que dura oito dias.
(neste ano começa dia 19 e vai até 26 de dezembro). O novo braço é para a vela chamada de Shamash, o servidor, com a qual se acende as demais, sempre uma a mais a cada dia, durante o período.
Contudo, dedicar-se ao hobby do colecionismo, especialmente de objetos cerimoniais e sagrados dos judeus, candelabros e castiçais que servem para acender velas cujas chamas iluminam, parece ter um sentido transcendente na vida desse casal. As luzes produzidas pelas chamas, significam conhecimento, cultura, sabedoria. Mas as chamas não produzem somente luzes. Produzem também calor. E o calor, no caso, significa dedicação, trabalho comunitário e ação social.
Tudo isso está representado na vida de Ester, aliás morá Ester, e de Jaquito. Embora aposentada, o termo morá (professora, em hebraico) está praticamente incorporado ao seu prenome. Pelo menos para a quase totalidade de seus ex-alunos na Escola Israelita "Salomão Guelmann" (onde por anos lecionou a língua hebraica), que ainda a chamam dessa forma mesmo depois de formados. Quando deixou a escola em 200, ganhou uma bela homenagem da comunidade durante um concorrido jantar. Além disso, participa dos trabalhos sociais de instituições femininas israelitas. Em 1996 foi presidente da Organização Wizo no Paraná. A Wizo é uma entidade de internacional de atuação no campo social e muito ativa inclusive no Brasil.
Jaquito, por sua vez, não professor, mas também tem sua vida ligada à cultura e à arte.
Participou como ator de peças encenadas em iídiche pela comunidade, inclusive a famosa comédia - a última levada ao palco em Curitiba, nos anos 80 - "Farbiten di Iotzres" (Misturando as cartas), de Sholem Aleichem, dirigida Chaim Israel Jugend (o Xuxe), e na qual interpretou o inesquecível personagem Itzik, que fazia muita confusão e arrancava gargalhadas sem fim da platéia. Jaquito foi também o autor da idéia e da execução do painel - na verdade um mural - da Paz, que existia até bem pouco tempo atrás na sede do Centro Israelita do Paraná (CIP), desmontado por causa da construção da nova sede. O mural impressionava logo quem entrasse no clube. Pombas virtuais "sobrevoavam" a palavra Paz escrita com grandes letras em diversas línguas, inclusive em hebraico e em árabe, dentre muitas outras. Entre outras atividades exercidas na comunidade, Jaquito foi dirigente da Chevra Kadisha, a instituição religiosa que cuida e mantém a Sinagoga "Francisco Frischman" e os cemitérios israelitas de Curitiba.
Muito antes de se conhecerem, Jaquito e Ester já tinham uma história em comum. Ambos são "filhos da guerra". Ambos, quando crianças, ela com 5 anos de idade e ele com 6, tiveram que embarcar sem suas famílias, fugindo dos nazistas, rumo a Eretz Israel. Ester saiu da Romênia e o navio em que viajava, o Hatikva (Esperança) foi apreendido pelos ingleses (Israel ainda não tinha obtido a independência e existia como Palestina) e seus passageiros levados para Chipre, da mesma forma como ocorreu com o histórico Êxodus, cuja saga foi contada por Leon Uris. Depois ela conseguiu desembarcar na "Terra Prometida". Jaquito, por sua vez, deixou a Alemanha, pelos mesmos motivos e passou pela França antes de embarcar no navio italiano Pace, por intermédio da Aliat Hanoar, que aportou em 1946. Ele foi então para o kibutz Dália, do Shomer Hatzair, de onde também, assim como Ester, que ainda não conhecia, pode participar e viver a história do nascimento da jovem nação Israel. Hoje, no Brasil, vivem rodeados pelos filhos e netos.

 


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