As luzes de Chanucá clareiam tudo
Por definição, escuridão
é a ausência de luz. Já a luz, por dedução
lógica e intuitiva é a falta da obscuridade que
nos cerca nas profundezas da metafísica, como também
povoa os recônditos do mundo físico. Em palavras
mais simples, onde há luz, há conhecimento, sabedoria
e experiência. Onde imperam as trevas, prevalecem a ignorância,
a insensibilidade e a indigência de espírito. O milagre
das luzes de Chanucá, cuja festa se repete todos anos parece
nos dizer que as chamas iluminam nosso caminho, afastam perspectivas
sombrias, clareiam tudo. É só uma questão
de enxergar melhor as coisas.
Abdel Kader, um dos líderes do Fatah e um dos articuladores
do acordo de Genebra, disse ao jornal Jerusalem Post, que o principal
objetivo da proposta é "criar divisões em Israel
e minar o governo de Sharon". São claras as segundas
intenções dos palestinos em relação
à paz com o beneplácito suíço e o
apoio dos países ocidentais. É por isso que, apesar
de tanto barulho e propaganda, só 31% dos israelenses apóiam
o documento de Genebra, enquanto outros 38% o rejeitam.
Na Turquia o Al-Qaeda retornou com a brutalidade do seu terrorismo,
mas é preciso ver nas entrelinhas, que esse país
foi o escolhido para forçar o rompimento das estreitas
relações com Israel. A Turquia é uma nação
eminentemente muçulmana, mas amiga, parceira comercial
e com fortes laços que a vinculam a Israel. Uma exceção
à regra.
O ex-ministro das Relações Exteriores do governo
Fernando Henrique, Celso Lafer, fez pesadas críticas ao
presidente Lula por causa de seu périplo pelos países
árabes do Oriente Médio e da África. Oficialmente,
o motivo da viagem foi de natureza econômica, mas na prática,
o que se viu foi um despudorado apoio político, que causou
as enérgicas reações de Lafer ao comparar
o comportamento do atual governo com o estilo assembleísta
dos sindicalistas, decalcado na luta do operariado versus capital,
e transposta para a política externa brasileira. Como conseqüência,
o temido 'choque das civilizações' e o apoio não
tão dissimulado ao enfrentamento Oriente contra o Ocidente
e à causa palestina, em detrimento dos direitos de Israel
à existência.
À luz da razão, causa espanto que o governo, em
nome da "abertura de mercado" procure justamente apertar
as mãos de ditadores de países que impedem a democracia
de fazer do cotidiano de seus cidadãos. No caso de Bashar
Al-Assad, da Síria, e de Muammar Kadafi, da Líbia,
ambos têm sido vinculados com o apoio ao terrorismo. Nem
na Síria, nem no Líbano, nosso presidente deu um
pio sequer contra a ocupação deste por aquele.
Ao dizer em Damasco que o Brasil está votando na ONU em
favor da resolução que exige a devolução
das Colinas de Golã, é obvio que ignora que Israel
só está no Golã por causa dos ataques sírios
diários que partiam da região antes de 1967. Se
a Síria quer o Golã de volta, pode tê-lo,
basta assinar um acordo de paz com Israel, como já fizeram
o Egito e a Jordânia. Mas a Síria realmente quer
assinar esse acordo? Há décadas esta pergunta permanece
sem resposta por parte de Damasco. Para o embaixador aposentado
José O. de Meira Penna, que serviu por sete anos no Oriente
Médio, a viagem foi não somente inoportuna, mas
inútil. Diz que apenas espera que o Brasil não enterre
nas areias do deserto da Síria mais alguns bilhões
de dólares, sem retorno algum, como fez ao tempo dos generais
Geisel e Figueiredo nas areias do deserto do Iraque.
Nesta viagem bateu-se muito na tecla de que as nações
devem respeitar as decisões da ONU, numa clara alusão
ao fato de Israel não segui-las. No entanto, a coerência
foi deixada de lado. Vale lembrar que desrespeitos às resoluções
da ONU não são novidade no Oriente Médio.
Numa destas ocasiões, há mais de 50 anos, quando
a ONU decidiu pela criação do Estado de Israel em
sessão dirigida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, países
como Síria e Líbano, entre outros, não aceitaram
a decisão e deram início à primeira guerra
entre árabes e judeus.
Por fim, desejamos lembrar aos nossos leitores que Visão
Judaica pára em janeiro, mas retorna em fevereiro. Boa
leitura!
A Redação