Visão Judaica - Edição N° 20
:. Editorial .:

 


As luzes de Chanucá clareiam tudo

Por definição, escuridão é a ausência de luz. Já a luz, por dedução lógica e intuitiva é a falta da obscuridade que nos cerca nas profundezas da metafísica, como também povoa os recônditos do mundo físico. Em palavras mais simples, onde há luz, há conhecimento, sabedoria e experiência. Onde imperam as trevas, prevalecem a ignorância, a insensibilidade e a indigência de espírito. O milagre das luzes de Chanucá, cuja festa se repete todos anos parece nos dizer que as chamas iluminam nosso caminho, afastam perspectivas sombrias, clareiam tudo. É só uma questão de enxergar melhor as coisas.
Abdel Kader, um dos líderes do Fatah e um dos articuladores do acordo de Genebra, disse ao jornal Jerusalem Post, que o principal objetivo da proposta é "criar divisões em Israel e minar o governo de Sharon". São claras as segundas intenções dos palestinos em relação à paz com o beneplácito suíço e o apoio dos países ocidentais. É por isso que, apesar de tanto barulho e propaganda, só 31% dos israelenses apóiam o documento de Genebra, enquanto outros 38% o rejeitam.
Na Turquia o Al-Qaeda retornou com a brutalidade do seu terrorismo, mas é preciso ver nas entrelinhas, que esse país foi o escolhido para forçar o rompimento das estreitas relações com Israel. A Turquia é uma nação eminentemente muçulmana, mas amiga, parceira comercial e com fortes laços que a vinculam a Israel. Uma exceção à regra.
O ex-ministro das Relações Exteriores do governo Fernando Henrique, Celso Lafer, fez pesadas críticas ao presidente Lula por causa de seu périplo pelos países árabes do Oriente Médio e da África. Oficialmente, o motivo da viagem foi de natureza econômica, mas na prática, o que se viu foi um despudorado apoio político, que causou as enérgicas reações de Lafer ao comparar o comportamento do atual governo com o estilo assembleísta dos sindicalistas, decalcado na luta do operariado versus capital, e transposta para a política externa brasileira. Como conseqüência, o temido 'choque das civilizações' e o apoio não tão dissimulado ao enfrentamento Oriente contra o Ocidente e à causa palestina, em detrimento dos direitos de Israel à existência.
À luz da razão, causa espanto que o governo, em nome da "abertura de mercado" procure justamente apertar as mãos de ditadores de países que impedem a democracia de fazer do cotidiano de seus cidadãos. No caso de Bashar Al-Assad, da Síria, e de Muammar Kadafi, da Líbia, ambos têm sido vinculados com o apoio ao terrorismo. Nem na Síria, nem no Líbano, nosso presidente deu um pio sequer contra a ocupação deste por aquele.
Ao dizer em Damasco que o Brasil está votando na ONU em favor da resolução que exige a devolução das Colinas de Golã, é obvio que ignora que Israel só está no Golã por causa dos ataques sírios diários que partiam da região antes de 1967. Se a Síria quer o Golã de volta, pode tê-lo, basta assinar um acordo de paz com Israel, como já fizeram o Egito e a Jordânia. Mas a Síria realmente quer assinar esse acordo? Há décadas esta pergunta permanece sem resposta por parte de Damasco. Para o embaixador aposentado José O. de Meira Penna, que serviu por sete anos no Oriente Médio, a viagem foi não somente inoportuna, mas inútil. Diz que apenas espera que o Brasil não enterre nas areias do deserto da Síria mais alguns bilhões de dólares, sem retorno algum, como fez ao tempo dos generais Geisel e Figueiredo nas areias do deserto do Iraque.
Nesta viagem bateu-se muito na tecla de que as nações devem respeitar as decisões da ONU, numa clara alusão ao fato de Israel não segui-las. No entanto, a coerência foi deixada de lado. Vale lembrar que desrespeitos às resoluções da ONU não são novidade no Oriente Médio. Numa destas ocasiões, há mais de 50 anos, quando a ONU decidiu pela criação do Estado de Israel em sessão dirigida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, países como Síria e Líbano, entre outros, não aceitaram a decisão e deram início à primeira guerra entre árabes e judeus.
Por fim, desejamos lembrar aos nossos leitores que Visão Judaica pára em janeiro, mas retorna em fevereiro. Boa leitura!
A Redação


 


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