Visão Judaica - Edição N° 27
:. Turismo: Jerusalém (14) - Bairro Armênio (1)

Por:
Antonio Carlos Coelho

 

O Bairro Armênio é o quarto dos bairros que dividem a Jerusalém Antiga. Este bairro também poderia estar incluído no bairro cristão, mas talvez, pela concentração de edifícios de propriedade da Igreja da Armênia e pela sua população, esteja como um bairro à parte.
O acesso mais fácil ao bairro é pela porta de Jafa. Contornando-se pela direita a Cidadela de Davi, toma-se a Rua Ha-Armenit e, em seguida, a Rua Ha-Patriarkhiya, em direção da porta de Sion. Logo no início da rua encontraremos uma loja de artesanato em cerâmica com pinturas típicas armênias. Os trabalhos em cerâmica, pratos e ladrilhos, são muito semelhantes àqueles que encontramos no shuk, vendido pelos árabes, no entanto sua coloração e os temas são próprios.
Após a passagem coberta, como um túnel, à esquerda, temos a Catedral de S. James, principal edifício religioso da Igreja Armênia em Jerusalém. Junto a essa igreja está o museu armênio e o cemitério da comunidade. Além disso, há a escola, o seminário, casas comerciais e residências. Parte desse bairro está sobre o que foi o antigo palácio de Herodes, o Grande.
Os armênios tornaram-se cristãos no século 4. Vieram como peregrinos para Jerusalém assim como os outros cristãos. Na metade do século 5 a Igreja da Armênia era muito representativa na Terra Santa. Um documento do século 7 nos diz que havia 70 mosteiros em Jerusalém. Com o fim do reino armênio, no século 4, iniciou-se um período de perseguição a esse povo, o qual culminou num massacre de 2 milhões de pessoas, no início do século 20, promovido pelo império otomano. Após o massacre, Jerusalém tornou-se um dos principais locais de refúgio da comunidade armênia.
Na Capela de São Polyeuctos, na Rua Ha-Neviím (fora das muralhas), encontra-se um dos mais belos dos mosaicos de Israel. Este mosaico, que pertence a uma antiga capela mortuária do século 6, mantém o seu brilho e cores originais. Nele estão representados pássaros em ramos de videira, refletindo uma visão neoplatônica da relação corpo e alma, e esses estão ameaçados pelo mal representado por uma águia; há um pavão que aparece bebendo o elixir da vida eterna. Ao seu longo há uma inscrição: “Em memória e salvação das almas de todos armênios, os quais, só Deus conhece os seus nomes”.
* Antonio Carlos Coelho é professor e diretor do Instituto Ciência e Fé.

 


 



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