|
Por:Antonio
Carlos Coelho
O Bairro Armênio é o quarto dos bairros
que dividem a Jerusalém Antiga. Este bairro também
poderia estar incluído no bairro cristão,
mas talvez, pela concentração de edifícios
de propriedade da Igreja da Armênia e pela sua
população, esteja como um bairro à parte.
O acesso mais fácil ao bairro é pela porta
de Jafa. Contornando-se pela direita a Cidadela de Davi,
toma-se a Rua Ha-Armenit e, em seguida, a Rua Ha-Patriarkhiya,
em direção da porta de Sion. Logo no início
da rua encontraremos uma loja de artesanato em cerâmica
com pinturas típicas armênias. Os trabalhos
em cerâmica, pratos e ladrilhos, são muito
semelhantes àqueles que encontramos no shuk,
vendido pelos árabes, no entanto sua coloração
e os temas são próprios.
Após a passagem coberta, como um túnel, à esquerda,
temos a Catedral de S. James, principal edifício
religioso da Igreja Armênia em Jerusalém.
Junto a essa igreja está o museu armênio
e o cemitério da comunidade. Além disso,
há a escola, o seminário, casas comerciais
e residências. Parte desse bairro está sobre
o que foi o antigo palácio de Herodes, o Grande.
Os armênios tornaram-se cristãos no século
4. Vieram como peregrinos para Jerusalém assim
como os outros cristãos. Na metade do século
5 a Igreja da Armênia era muito representativa
na Terra Santa. Um documento do século 7 nos
diz que havia 70 mosteiros em Jerusalém. Com
o fim do reino armênio, no século 4, iniciou-se
um período de perseguição a esse
povo, o qual culminou num massacre de 2 milhões
de pessoas, no início do século 20, promovido
pelo império otomano. Após o massacre,
Jerusalém tornou-se um dos principais locais
de refúgio da comunidade armênia.
Na Capela de São Polyeuctos, na Rua Ha-Neviím
(fora das muralhas), encontra-se um dos mais belos dos
mosaicos de Israel. Este mosaico, que pertence a uma
antiga capela mortuária do século 6, mantém
o seu brilho e cores originais. Nele estão representados
pássaros em ramos de videira, refletindo uma
visão neoplatônica da relação
corpo e alma, e esses estão ameaçados
pelo mal representado por uma águia; há um
pavão que aparece bebendo o elixir da vida eterna.
Ao seu longo há uma inscrição: “Em
memória e salvação das almas de
todos armênios, os quais, só Deus conhece
os seus nomes”.
* Antonio Carlos Coelho é professor e diretor
do Instituto Ciência e Fé.
|