Visão Judaica - Edição N° 25
:. O orgulho da parcialidade .:

Por:Luiz Nazário

A revista “Caros Amigos” acaba de ultrapassar as fronteiras da ética jornalística e da própria ética da velha esquerda: assumindo a defesa de pessoas insanas que se arrogam a missão de serem “porta-vozes dos pobres e desvalidos”, de pessoas que podem estar simplesmente seguindo os passos de Adolf Hitler, que se arrogava essa missão na Alemanha, a revista não pode mais reivindicar qualquer credibilidade, transfigurando-se num veículo do irracionalismo de extrema-direita. A nova reivindicação posta a circular na revista, como meio justificado da causa da destruição de Israel que abraçou, é a parcialidade, ou seja, a mentira deslavada, a ocultação sorrateira dos fatos, a manipulação da informação e a distorção da verdade histórica. Tudo isso acaba de ser assumido como direito legítimo na luta contra a existência do Estado judeu, acusado sem provas como num processo de Kafka encenado em escala global.
No artigo “A coragem de ser parcial”, a jornalista Elaine Tavares, diretora do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Santa Catarina, defende a falsidade ideológica como um princípio ético que a grande imprensa deveria acatar sem restrições em nome da liberdade de opinião. Ela exalta o terrorismo palestino como um suicídio romântico de desesperados, omitindo que os suicidas palestinos não morrem se explodindo melancolicamente em seus quartinhos, mas no meio da multidão israelense, para matar o maior número de pessoas. Para Elaine Tavares, os homens-bombas palestinos não seriam assassinos de massa, e homicidas de um novo tipo, engajados num genocídio a conta-gotas, mas românticos suicidas na flor da idade. A adesão da diretora do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Santa Catarina à judeofobia professada por uma certa Urda Klueger, que ela mesma qualifica de “doida”, é mais um capítulo na história da fusão da extrema-esquerda à extrema-direita, dando nascimento a um único movimento regressivo de caráter anti-americano e anti-judaico.
Apresentando o terrorismo muçulmano como um novo socialismo, o novo fascismo global ganha cada vez mais adeptos junto aos esquerdistas que, saídos do cueiro, e sinceramente comovidos com a miséria do mundo que explode diariamente na TV, disso culpam o “capitalismo”, essa abstração conceitual que preferem ver encarnada nos EUA, o qual teria sua suposta “ponta-de-lança” no Estado de Israel, cujas medidas de defesa contra uma agressão permanente desperta o velho anti-semitismo cristão inculcado naqueles esquerdistas desde a infância, numa confirmação de todos os seus preconceitos primários e irracionais, que nenhum argumento racional, nenhuma aula de História, nenhuma demonstração lógica é capaz de mudar. Por isso vivemos num mundo cada vez mais desenhado por Kafka, um mundo que parece caminhar para um novo Holocausto.

* Luiz Nazário * é escritor e professor de cinema da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais.

Voltar