Por:Luiz
Nazário
A revista “Caros Amigos” acaba de ultrapassar as
fronteiras da ética jornalística e da própria ética
da velha esquerda: assumindo a defesa de pessoas insanas que
se arrogam a missão de serem “porta-vozes dos pobres
e desvalidos”, de pessoas que podem estar simplesmente
seguindo os passos de Adolf Hitler, que se arrogava essa missão
na Alemanha, a revista não pode mais reivindicar qualquer
credibilidade, transfigurando-se num veículo do irracionalismo
de extrema-direita. A nova reivindicação posta
a circular na revista, como meio justificado da causa da destruição
de Israel que abraçou, é a parcialidade, ou seja,
a mentira deslavada, a ocultação sorrateira dos
fatos, a manipulação da informação
e a distorção da verdade histórica. Tudo
isso acaba de ser assumido como direito legítimo na luta
contra a existência do Estado judeu, acusado sem provas
como num processo de Kafka encenado em escala global.
No artigo “A coragem de ser parcial”, a jornalista
Elaine Tavares, diretora do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade
Federal de Santa Catarina, defende a falsidade ideológica
como um princípio ético que a grande imprensa deveria
acatar sem restrições em nome da liberdade de opinião.
Ela exalta o terrorismo palestino como um suicídio romântico
de desesperados, omitindo que os suicidas palestinos não
morrem se explodindo melancolicamente em seus quartinhos, mas
no meio da multidão israelense, para matar o maior número
de pessoas. Para Elaine Tavares, os homens-bombas palestinos
não seriam assassinos de massa, e homicidas de um novo
tipo, engajados num genocídio a conta-gotas, mas românticos
suicidas na flor da idade. A adesão da diretora do Sindicato
dos Trabalhadores da Universidade Federal de Santa Catarina à judeofobia
professada por uma certa Urda Klueger, que ela mesma qualifica
de “doida”, é mais um capítulo na história
da fusão da extrema-esquerda à extrema-direita,
dando nascimento a um único movimento regressivo de caráter
anti-americano e anti-judaico.
Apresentando o terrorismo muçulmano como um novo socialismo,
o novo fascismo global ganha cada vez mais adeptos junto aos
esquerdistas que, saídos do cueiro, e sinceramente comovidos
com a miséria do mundo que explode diariamente na TV,
disso culpam o “capitalismo”, essa abstração
conceitual que preferem ver encarnada nos EUA, o qual teria sua
suposta “ponta-de-lança” no Estado de Israel,
cujas medidas de defesa contra uma agressão permanente
desperta o velho anti-semitismo cristão inculcado naqueles
esquerdistas desde a infância, numa confirmação
de todos os seus preconceitos primários e irracionais,
que nenhum argumento racional, nenhuma aula de História,
nenhuma demonstração lógica é capaz
de mudar. Por isso vivemos num mundo cada vez mais desenhado
por Kafka, um mundo que parece caminhar para um novo Holocausto.
* Luiz Nazário * é escritor e professor
de cinema da Escola de Belas Artes da Universidade Federal
de Minas Gerais.