Visão Judaica - Edição N° 27
:. Não temas as "vitórias" árabes .:

 

Por: Mitchell G. Bard

Uma das principais objeções que se ouve ao plano de Ariel Sharon para a retirada unilateral da Faixa de Gaza é que os palestinos reivindicarão que esta é uma vitória para sua estratégia de terror. Quem se preocupa com o que os palestinos dizem? Se Israel fizesse suas políticas baseadas no que os palestinos disseram sobre elas, o país estaria paralisado.
É verdade que o mundo árabe em geral interpretou a retirada unilateral de Israel do Líbano como uma derrota para Israel e uma vitória para as táticas do Hezbollah. A retirada ajudou a provocar a atual intifada, mas isto não significa que a decisão sobre o Líbano foi um erro. Pelo contrário, poupou vidas israelenses e no mínimo eliminou um dos principais problemas de fronteira de Israel e uma causa contínua de crítica internacional.
Gaza é semelhante ao Líbano no sentido de que todo mundo - israelenses e palestinos - sabe que Israel se retirará finalmente. Israel tem tentado se livrar de Gaza durante décadas. Ironicamente, é o terror palestino que manteve Israel em Gaza, exatamente pela preocupação em não repetir o precedente do Líbano e dar aos palestinos argumentos para acreditar que eles podem fazer Israel sair de Judéia e Samária por meio de bombas também.
Porém, os palestinos entendem que Judéia e Samária são diferentes. Israel não tem qualquer reivindicação sobre o Líbano ou Gaza, mas tem uma ligação política, religiosa, psicológica e histórica muito forte com esta região. Eles ainda podem abrigar a ilusão de que a comunidade internacional forçará Israel às linhas do armistício de 1949 (embora o presidente Bush deva tê-los desiludido em relação a esta idéia em sua declaração ao primeiro-ministro Sharon), mas eles também entendem que Israel não será aterrorizado e forçado àquele tipo de retirada.
Quando Israel retirar-se de Gaza, e/ou de partes de Judéia e Samária, dificilmente será uma vitória para os palestinos. Dois anos atrás, Israel poderia ter sido visto como se retirando, mas agora Israel controla todo o território e está fazendo um redisposição de tropas e armas, estratégia baseada em suas próprias necessidade de segurança e não nas exigências de terroristas. Militarmente, Israel poderia anexar os territórios amanhã e os palestinos sabem disto. Deixe-os declarar vitória, da mesma maneira que Arafat disparou o sinal “V” quando ele foi expulso do Líbano para Tunis. Israel estará mais seguro e os palestinos estarão em melhores condições.
Esta paralisia em cima de fantasias palestinas já durou muito tempo. Durante anos, as pessoas diriam que Israel não pode fazer nenhum compromisso territorial e não pode viver ao lado de um estado palestino porque os palestinos não ficarão satisfeitos com Judéia e Samária; eles não interromperão sua campanha de terror até que eles tenham liberado Haifa, Jaffa e Jerusalém.
Novamente, quem se preocupa com que os palestinos dizem ou pensam? Israel não está a ponto de deixar os palestinos conquistar Haifa, Jaffa, e Jerusalém.
Israel não tem que resolver o “problema palestino”. Israel tem que resolver o “problema israelense”, que é como manter um estado judeu democrático. A maioria das pessoas entende que isto só pode ser conseguido pela retirada da Gaza e traçando a fronteira de forma que ela siga aproximadamente ao longo da linha do armistício de 1949, com modificações para acomodar as maiores cidades de Judéia e Samária. Este é o resultado inevitável, seja decorrente de negociações ou de uma ação unilateral e quanto mais for postergado, mais sangue desnecessário será derramado.

Uma vez que Israel tenha revisto suas fronteiras, os palestinos reivindicarão a vitória ao mesmo tempo em que gritarão sobre a contínua injustiça de não conseguir tudo que querem. Deixe-os fazer ambas as coisas. Israel terá uma maioria judaica e uma democracia vibrante. Também terá fronteiras seguras e defensáveis e continuará, como tem feito durante 56 anos, a usar todos os recursos para assegurar que os palestinos não atinjam seu objetivo de destruir Israel.

* Mitchell G. Bard é autor de 17 livros inclusive o “Guia do Completo Idiota sobre o Conflito do Oriente Médio” e “Mitos e Fatos: Um Guia sobre o Conflito Árabe-Israelense”.
Traduzido por Irene Walda Heyne e publçicaod no site De Olho na Mídia em 3/8/2004


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