Por: Mitchell G.
Bard
Uma das principais objeções que se ouve ao plano
de Ariel Sharon para a retirada unilateral da Faixa de Gaza é que
os palestinos reivindicarão que esta é uma vitória
para sua estratégia de terror. Quem se preocupa com o
que os palestinos dizem? Se Israel fizesse suas políticas
baseadas no que os palestinos disseram sobre elas, o país
estaria paralisado.
É
verdade que o mundo árabe em geral interpretou a retirada
unilateral de Israel do Líbano como uma derrota para Israel
e uma vitória para as táticas do Hezbollah. A retirada
ajudou a provocar a atual intifada, mas isto não significa
que a decisão sobre o Líbano foi um erro. Pelo
contrário, poupou vidas israelenses e no mínimo
eliminou um dos principais problemas de fronteira de Israel e
uma causa contínua de crítica internacional.
Gaza é semelhante ao Líbano no sentido de que todo
mundo - israelenses e palestinos - sabe que Israel se retirará finalmente.
Israel tem tentado se livrar de Gaza durante décadas.
Ironicamente, é o terror palestino que manteve Israel
em Gaza, exatamente pela preocupação em não
repetir o precedente do Líbano e dar aos palestinos argumentos
para acreditar que eles podem fazer Israel sair de Judéia
e Samária por meio de bombas também.
Porém, os palestinos entendem que Judéia e Samária
são diferentes. Israel não tem qualquer reivindicação
sobre o Líbano ou Gaza, mas tem uma ligação
política, religiosa, psicológica e histórica
muito forte com esta região. Eles ainda podem abrigar
a ilusão de que a comunidade internacional forçará Israel às
linhas do armistício de 1949 (embora o presidente Bush
deva tê-los desiludido em relação a esta
idéia em sua declaração ao primeiro-ministro
Sharon), mas eles também entendem que Israel não
será aterrorizado e forçado àquele tipo
de retirada.
Quando Israel retirar-se de Gaza, e/ou de partes de Judéia
e Samária, dificilmente será uma vitória
para os palestinos. Dois anos atrás, Israel poderia ter
sido visto como se retirando, mas agora Israel controla todo
o território e está fazendo um redisposição
de tropas e armas, estratégia baseada em suas próprias
necessidade de segurança e não nas exigências
de terroristas. Militarmente, Israel poderia anexar os territórios
amanhã e os palestinos sabem disto. Deixe-os declarar
vitória, da mesma maneira que Arafat disparou o sinal “V” quando
ele foi expulso do Líbano para Tunis. Israel estará mais
seguro e os palestinos estarão em melhores condições.
Esta paralisia em cima de fantasias palestinas já durou
muito tempo. Durante anos, as pessoas diriam que Israel não
pode fazer nenhum compromisso territorial e não pode viver
ao lado de um estado palestino porque os palestinos não
ficarão satisfeitos com Judéia e Samária;
eles não interromperão sua campanha de terror até que
eles tenham liberado Haifa, Jaffa e Jerusalém.
Novamente, quem se preocupa com que os palestinos dizem ou pensam?
Israel não está a ponto de deixar os palestinos
conquistar Haifa, Jaffa, e Jerusalém.
Israel não tem que resolver o “problema palestino”.
Israel tem que resolver o “problema israelense”,
que é como manter um estado judeu democrático.
A maioria das pessoas entende que isto só pode ser conseguido
pela retirada da Gaza e traçando a fronteira de forma
que ela siga aproximadamente ao longo da linha do armistício
de 1949, com modificações para acomodar as maiores
cidades de Judéia e Samária. Este é o resultado
inevitável, seja decorrente de negociações
ou de uma ação unilateral e quanto mais for postergado,
mais sangue desnecessário será derramado.
Uma vez que Israel tenha revisto suas
fronteiras, os palestinos reivindicarão a vitória ao mesmo tempo em que gritarão
sobre a contínua injustiça de não conseguir
tudo que querem. Deixe-os fazer ambas as coisas. Israel terá uma
maioria judaica e uma democracia vibrante. Também terá fronteiras
seguras e defensáveis e continuará, como tem feito
durante 56 anos, a usar todos os recursos para assegurar que
os palestinos não atinjam seu objetivo de destruir Israel.
* Mitchell G. Bard é autor de 17 livros inclusive o “Guia
do Completo Idiota sobre o Conflito do Oriente Médio” e “Mitos
e Fatos: Um Guia sobre o Conflito Árabe-Israelense”.
Traduzido por Irene Walda Heyne e publçicaod no site De
Olho na Mídia em 3/8/2004