Editorial
Estamos nos aproximando de Rosh Hashaná, o Ano Novo Judaico
5765. Além da renovação que o evento encerra
em si, trata-se de uma das mais belas festividades comemoradas
pelo povo de Israel. Mas representa algo bem mais profundo do
que uma festa com todas suas alegrias, comida e roupa bonita.
Significa que é chegado o momento do exame de consciência,
uma introspecção abrangente por tudo o que se fez
no ano que ora se encerra e também por tudo o que se deixou
de fazer. É quando pedimos ao Altíssimo por nós,
pois do trono Divino passamos a ser julgados pelos atos que cometemos.
Seguem-se os Iamim Noraim, os Dias Tementes, nos quais a reflexão
sobre nossas vidas e nossos atos se torna a inquietação
de nossas almas, pois sabemos, de antemão, que em Iom
Kipur, que virá a seguir, D-us irá decidir sobre
o nosso destino. Nesta edição de Visão Judaica
há alguns artigos interessantes sobre Rosh Hashaná,
tanto para os leitores que já estão familiarizados
com essa tradição, como para aqueles que ainda
não a conhecem bem.
O Ano Novo sempre traz consigo a esperança e o sonho de
paz. Principalmente para Israel que nos últimos anos tem
sofrido ataques diabólicos de homens-bomba para ceifar
a vida de civis. Há poucos dias, a ONU divulgou que a
chamada segunda intifada palestina, iniciada em setembro de 2000
resultou na morte de 4.502 pessoas, sendo 3.553 do lado palestino
e 949 do israelense. Nunca é demais recordar o porquê disso
tudo e quem é o responsável por ela. Sim, é ele
mesmo: Yasser Arafat. Naquele mesmo ano, na iminência de
firmar um acordo de paz sob o beneplácito do ex-presidente
norte-americano Bill Clinton, o então primeiro-ministro
de Israel Ehud Barak estava disposto a transferir à Autoridade
Palestina, toda Gaza, 97% do território da Cisjordânia,
mais três por cento do território israelense como
compensação, e a parte oriental de Jerusalém.
Foi uma concessão jamais imaginada e mesmo assim Arafat
recusou. E a Palestina não foi criada. Em lugar disso,
ele lançou a intifada. Abba Eban z”l, o notável
chanceler, dizia que os “palestinos nunca perdem a oportunidade
de perder a oportunidade”.
Mas a paz tão almejada, infelizmente, não parece
estar fácil de alcançar. Pelo menos, é o
que se deduz da leitura da instigante entrevista concedida ao
Visão Judaica por Mitchell Bard, que veio ao Brasil lançar,
na semana passada, a edição em português
do seu livro “Mitos e Fatos — a verdade sobre o conflito árabe-israelense” (Editora
Sêfer). A entrevista é altamente esclarecedora e
traz mais luz sobre os aspectos que envolvem a questão
do Oriente Médio.
Após seis meses de calmaria — a cerca que Israel
constrói se mostrou eficientíssima — um atentado,
frustrado, matou dois palestinos e feriu outras 19 pessoas (14
palestinos e 6 israelenses). Frustrado porque o terrorista não
conseguiu chegar a Jerusalém — olha aí a
eficácia da cerca de novo — e decidiu detonar sua
carga mortífera na própria Cisjordânia, entre
Jerusalém e Ramallah. Os responsáveis, as Brigadas
de Mártires de Al-Aqsa, o braço armado terrorista
da Fatah, a facção do presidente da Autoridade
Palestina, Yasser Arafat, enviaram nota à imprensa para
pedir desculpas “por ter provocado vítimas palestinas”.
A nota, ao afirmar que o objetivo era desfechar um ataque suicida
em Jerusalém, cinicamente, queria dizer que o seu propósito
era matar judeus.
A Redação