Visão Judaica - Edição N° 27
:. O Ano Novo e o ainda distante caminho para a paz .:

Editorial

Estamos nos aproximando de Rosh Hashaná, o Ano Novo Judaico 5765. Além da renovação que o evento encerra em si, trata-se de uma das mais belas festividades comemoradas pelo povo de Israel. Mas representa algo bem mais profundo do que uma festa com todas suas alegrias, comida e roupa bonita. Significa que é chegado o momento do exame de consciência, uma introspecção abrangente por tudo o que se fez no ano que ora se encerra e também por tudo o que se deixou de fazer. É quando pedimos ao Altíssimo por nós, pois do trono Divino passamos a ser julgados pelos atos que cometemos. Seguem-se os Iamim Noraim, os Dias Tementes, nos quais a reflexão sobre nossas vidas e nossos atos se torna a inquietação de nossas almas, pois sabemos, de antemão, que em Iom Kipur, que virá a seguir, D-us irá decidir sobre o nosso destino. Nesta edição de Visão Judaica há alguns artigos interessantes sobre Rosh Hashaná, tanto para os leitores que já estão familiarizados com essa tradição, como para aqueles que ainda não a conhecem bem.
O Ano Novo sempre traz consigo a esperança e o sonho de paz. Principalmente para Israel que nos últimos anos tem sofrido ataques diabólicos de homens-bomba para ceifar a vida de civis. Há poucos dias, a ONU divulgou que a chamada segunda intifada palestina, iniciada em setembro de 2000 resultou na morte de 4.502 pessoas, sendo 3.553 do lado palestino e 949 do israelense. Nunca é demais recordar o porquê disso tudo e quem é o responsável por ela. Sim, é ele mesmo: Yasser Arafat. Naquele mesmo ano, na iminência de firmar um acordo de paz sob o beneplácito do ex-presidente norte-americano Bill Clinton, o então primeiro-ministro de Israel Ehud Barak estava disposto a transferir à Autoridade Palestina, toda Gaza, 97% do território da Cisjordânia, mais três por cento do território israelense como compensação, e a parte oriental de Jerusalém. Foi uma concessão jamais imaginada e mesmo assim Arafat recusou. E a Palestina não foi criada. Em lugar disso, ele lançou a intifada. Abba Eban z”l, o notável chanceler, dizia que os “palestinos nunca perdem a oportunidade de perder a oportunidade”.
Mas a paz tão almejada, infelizmente, não parece estar fácil de alcançar. Pelo menos, é o que se deduz da leitura da instigante entrevista concedida ao Visão Judaica por Mitchell Bard, que veio ao Brasil lançar, na semana passada, a edição em português do seu livro “Mitos e Fatos — a verdade sobre o conflito árabe-israelense” (Editora Sêfer). A entrevista é altamente esclarecedora e traz mais luz sobre os aspectos que envolvem a questão do Oriente Médio.
Após seis meses de calmaria — a cerca que Israel constrói se mostrou eficientíssima — um atentado, frustrado, matou dois palestinos e feriu outras 19 pessoas (14 palestinos e 6 israelenses). Frustrado porque o terrorista não conseguiu chegar a Jerusalém — olha aí a eficácia da cerca de novo — e decidiu detonar sua carga mortífera na própria Cisjordânia, entre Jerusalém e Ramallah. Os responsáveis, as Brigadas de Mártires de Al-Aqsa, o braço armado terrorista da Fatah, a facção do presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, enviaram nota à imprensa para pedir desculpas “por ter provocado vítimas palestinas”. A nota, ao afirmar que o objetivo era desfechar um ataque suicida em Jerusalém, cinicamente, queria dizer que o seu propósito era matar judeus.

A Redação


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