Por:Jayme Blay
Em tempos recentes, assistimos
a um processo que nos causa indignação
e preocupação. Uma verdadeira avalanche de simplificações
e de falácias passou a freqüentar os meios de comunicação,
com a expressa intenção de demonizar o Estado de
Israel, de transformá-lo em vilão e de classificar
como "expansionista" um país que, desde a sua
criação, em 1948, precisa lutar por sua sobrevivência
a cada dia, a cada momento.
Os críticos de plantão esquecem — ou, na
falta de honestidade intelectual, ocultam — uma realidade
incontestável: existem até nossos dias grupos terroristas
que defendem a destruição de Israel e a idéia
de "jogar os judeus ao mar", como o palestino Hamas
e o libanês Hezbollah. Também há países,
como o Irã, que não escondem o desejo de apagar
o Estado judeu do mapa.
A luta diuturna pela sobrevivência e a espada que paira
incessantemente sobre Israel desaparecem velozmente das análises
que buscam responsabilizar o Estado judeu pela tragédia
do Oriente Médio. Por que a Israel não é dado
o direito de se defender? Por que ignorar que todas as iniciativas
de paz sólidas surgidas no mundo árabe contaram
com a resposta positiva de Israel? Foram assinados acordos com
o Egito e com a Jordânia. Houve o Acordo de Oslo, para
criar a Autoridade Nacional Palestina. A Yasser Arafat foi oferecida,
em 2000, uma proposta ampla e ousada pelo então primeiro-ministro
Ehud Barak. Como resposta, em vez da manutenção
do caminho da diplomacia, Israel obteve a sangrenta Intifada.
Por que ignorar que todas as iniciativas de paz sólidas
surgidas no mundo árabe contaram com a resposta positiva
de Israel?
A Intifada voltou a mergulhar o Oriente Médio no caldeirão
do confronto. Recuperou o terrorismo como arma política,
uma opção inaceitável em tempos atuais.
No campo da luta das idéias, proliferam tentativas de
emprestar densidade a um conceito batizado de anti-sionismo,
numa iniciativa que tem como objetivo minar a legitimidade de
Israel, assim negando ao povo judeu o seu lugar na comunidade
das nações e negando o direito a ter sua pátria.
Rejeitar o sionismo é, portanto, atacar o direito básico
da existência de Israel como uma nação, em
violação a um dos princípios fundamentais
do direito internacional.
É
falso fazer a distinção entre anti-semitismo e
anti-sionismo. Conforme Martin Luther King Jr. escreveu, em 1967,
o anti-sionismo "é inerentemente anti-semita".
Realmente, não é coincidência que as censuras
e condenações a Israel em fóruns internacionais
e na mídia tenham sido acompanhadas de uma forte escalada
dos incidentes anti-semitas em muitas partes do mundo. Conforme
notou King, anti-sionismo "é a negativa ao povo judeu
de um direito fundamental que justamente clamamos para os povos
da África, com o que, livremente, outras nações
do globo se põem de acordo. É discriminação
contra os judeus porque eles são judeus. Resumindo, é anti-semitismo".
A mídia do mundo árabe, controlada pelos governos
locais, transformou-se em recipiente e disseminadora dos mais
medievais preconceitos antijudaicos. Há seriado de televisão
baseado nos "Protocolos dos Sábios do Sião",
um dos principais emblemas da literatura anti-semita. Jornais
governamentais publicam textos e charges para perpetuar estigmas
já condenados ao lixo da história. Nos meios de
comunicação palestinos, glorifica-se o terrorismo
e educa-se para a guerra.
Qualquer debate honesto sobre o Oriente Médio deve partir
do pressuposto de que não há solução
a não ser o caminho de dois Estados, um judeu e um palestino.
Aventureiros que posam de intelectuais e que buscam deslegitimar
a milenar reivindicação judaica de ter seu lar
nacional na terra de Israel prestam um desserviço à paz
e às gerações futuras de israelenses e de
palestinos. Querer ressuscitar o fantasma do anti-semitismo e
rejeitar o direito de Israel à existência representa
retrocessos inadmissíveis em pleno século 21.
Jayme Blay, 63 anos, engenheiro, é um dos vice-presidentes
do World Council of Synagogues e presidente da Federação
Israelita do Estado de São Paulo –FISESP.