Visão Judaica - Edição N° 27
:. Plano Divino de seguro para o lar .:

Por: Yossef Dubrawsky

O que é que tem 22 linhas, 713 letras, 4.649 leis a respeito da execução de sua escritura, é um preceito da Torá e visa a nossa proteção e bem-estar? É a Mezuzá, o pequeno rolo de pergaminho, que contém duas passagens bíblicas, Shema Israel e Vehaya im shamoa, que mencionam o mandamento Divino “E as escreverás sobre os umbrais de tuas casas e portões” (Devarim: 6:9 e 11:20). É afixada no batente das portas em cada entrada de casa e em cada cômodo no interior da casa.
O nome do Todo-Poderoso que está no lado externo do pergaminho da Mezuzá é escrito em hebraico, Shin-Daled-Yud. Estas letras formam um acróstico, Shomer, Daltot Yisrael, “Guardião das portas de Israel”. Rabi Aba declara no Zohar: “Uma pessoa constrói uma casa e o Santo, Bendito Seja Ele, lhe diz, ‘Escreva meu nome colocando-o sobre sua porta; você descansará dentro de sua casa, enquanto Eu sentarei do lado de fora, para lhe guardar’... ” Ainda mais, comentando sobre o verso de Salmos (121:8), “D-us guardará a sua saída e a sua chegada desde agora e para sempre”, o Zohar explica que o efeito da Mezuzá é prover, também, a proteção de D-us a partir do momento que saímos de casa até a hora que voltamos.
A Torá afirma que devemos observar o preceito da Mezuzá... “para que sejam multiplicados seus dias e os dias de seus filhos”. O Shulchan Aruch determina: “aquele que é meticuloso na observância da Mezuzá - seus dias e os dias de seus filhos serão prolongados”. Homens e mulheres têm a mesma obrigação no cumprimento deste preceito e ambos podem fazer a Brachá e afixar uma Mezuzá.
O caráter protetor da Mezuzá se aplica a uma Mezuzá Casher escrita sobre pergaminho, por um escriba qualificado e temente a D-us. Infelizmente, muita gente compra Mezuzót em boa fé, em Israel ou na diáspora, que, depois, acabam descobrindo serem papel impresso à máquina. Apesar de suas intenções puras, essas pessoas não cumprem a Mitsvá. Mesmo as Mezuzót que eram casher quando adquiridas, devem ser checadas por um competente escriba, pois elas podem deteriorar com o passar do tempo e por fatores climáticos. Nossas Mezuzót devem ser revisadas no mínimo duas vezes a cada sete anos. Também devemos tomar cuidado para colocar o pergaminho corretamente dentro do seu invólucro e no lado, posição e altura certa no umbral da porta.
A primeira passagem bíblica escrita no pergaminho da Mezuzá proclama a unicidade de D-us, Shema Israel Hashem Elokeinu Hashem Echad seguido pelo nosso dever de amá-Lo com todo nosso coração e alma. A segunda passagem ressalta a nossa obrigação de temer a D-us. O equivalente numérico (Guematria) da palavra hebraica, Mezuzá, corresponde ao valor numérico do nome Ad-nai de D-us, que significa “Senhor” ou “Amo”. Esta mitsvá expressa a idéia do domínio de D-us sobre o inteiro universo. Ao entrarmos e sairmos da nossa casa ela nos lembra que o Senhor do mundo é Um, nos sete céus em cima e na terra em baixo e aos quatro pontos cardeais. Este lembrete tem o poder de proteger a entrada, não somente da nossa casa, como também do nosso coração, das persuasões do nosso Yetser Hará (inclinação má).
Uma casa que contém muitos livros sagrados precisa de uma Mezuzá na sua porta? A resposta é sim. Até mesmo uma casa completamente cheia de livros sagrados necessita uma Mezuzá na sua porta!
Uma casa pode estar cheia de livros sagrados, mas ainda temos que garantir que o seu conteúdo sagrado seja refletido na vida de seus moradores. Ao afixarmos a Mezuzá na porta entre a nossa casa e a rua, demonstramos que não nos satisfazemos apenas em conhecer os versos de Shema Israel, mas queremos nos conduzir no espírito do Shema, na nossa vida cotidiana, dentro de nossa casa e no ambiente fora dela. Uma pessoa pode ter um rico conhecimento de judaísmo (ela seria comparável a uma casa cheia de livros sagrados), ainda assim ele necessita ter “uma Mezuzá”, o amor e temor a D-us, sem os quais o Zohar declara que o seu estudo de Torá não poderá elevar-se ou perdurar.
É costume judaico revisar as Mezuzót antes do nosso Ano Novo, Rosh Hashaná. Invistamos no plano Divino para o seguro do nosso lar e o bem-estar dos seus membros. A nossa entidade está à disposição da comunidade para maiores orientações a respeito deste e outros valiosos preceitos do judaísmo.
Que a nossa dedicação à mitsvá de Mezuzá apresse a época de Mashiach, quando D-us será Um e Seu nome Um, para todos os povos (Devarim: 6:4-Rashi) e que possamos todos ser inscritos e carimbados no Livro da Vida para um ano novo repleto de saúde e alegrias.

* Yossef Dubrawsky é rabino e diretor do Beit Chabad de Curitiba.


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