Por: Yossef
Dubrawsky
O que é que tem 22 linhas, 713 letras, 4.649 leis a respeito
da execução de sua escritura, é um preceito
da Torá e visa a nossa proteção e bem-estar? É a
Mezuzá, o pequeno rolo de pergaminho, que contém
duas passagens bíblicas, Shema Israel e Vehaya im shamoa,
que mencionam o mandamento Divino “E as escreverás
sobre os umbrais de tuas casas e portões” (Devarim:
6:9 e 11:20). É afixada no batente das portas em cada
entrada de casa e em cada cômodo no interior da casa.
O nome do Todo-Poderoso que está no lado externo do pergaminho
da Mezuzá é escrito em hebraico, Shin-Daled-Yud.
Estas letras formam um acróstico, Shomer, Daltot Yisrael, “Guardião
das portas de Israel”. Rabi Aba declara no Zohar: “Uma
pessoa constrói uma casa e o Santo, Bendito Seja Ele,
lhe diz, ‘Escreva meu nome colocando-o sobre sua porta;
você descansará dentro de sua casa, enquanto Eu
sentarei do lado de fora, para lhe guardar’... ” Ainda
mais, comentando sobre o verso de Salmos (121:8), “D-us
guardará a sua saída e a sua chegada desde agora
e para sempre”, o Zohar explica que o efeito da Mezuzá é prover,
também, a proteção de D-us a partir do momento
que saímos de casa até a hora que voltamos.
A Torá afirma que devemos observar o preceito da Mezuzá... “para
que sejam multiplicados seus dias e os dias de seus filhos”.
O Shulchan Aruch determina: “aquele que é meticuloso
na observância da Mezuzá - seus dias e os dias de
seus filhos serão prolongados”. Homens e mulheres
têm a mesma obrigação no cumprimento deste
preceito e ambos podem fazer a Brachá e afixar uma Mezuzá.
O caráter protetor da Mezuzá se aplica a uma Mezuzá Casher
escrita sobre pergaminho, por um escriba qualificado e temente
a D-us. Infelizmente, muita gente compra Mezuzót em boa
fé, em Israel ou na diáspora, que, depois, acabam
descobrindo serem papel impresso à máquina. Apesar
de suas intenções puras, essas pessoas não
cumprem a Mitsvá. Mesmo as Mezuzót que eram casher
quando adquiridas, devem ser checadas por um competente escriba,
pois elas podem deteriorar com o passar do tempo e por fatores
climáticos. Nossas Mezuzót devem ser revisadas
no mínimo duas vezes a cada sete anos. Também devemos
tomar cuidado para colocar o pergaminho corretamente dentro do
seu invólucro e no lado, posição e altura
certa no umbral da porta.
A primeira passagem bíblica escrita no pergaminho da Mezuzá proclama
a unicidade de D-us, Shema Israel Hashem Elokeinu Hashem Echad
seguido pelo nosso dever de amá-Lo com todo nosso coração
e alma. A segunda passagem ressalta a nossa obrigação
de temer a D-us. O equivalente numérico (Guematria) da
palavra hebraica, Mezuzá, corresponde ao valor numérico
do nome Ad-nai de D-us, que significa “Senhor” ou “Amo”.
Esta mitsvá expressa a idéia do domínio
de D-us sobre o inteiro universo. Ao entrarmos e sairmos da nossa
casa ela nos lembra que o Senhor do mundo é Um, nos sete
céus em cima e na terra em baixo e aos quatro pontos cardeais.
Este lembrete tem o poder de proteger a entrada, não somente
da nossa casa, como também do nosso coração,
das persuasões do nosso Yetser Hará (inclinação
má).
Uma casa que contém muitos livros sagrados precisa de
uma Mezuzá na sua porta? A resposta é sim. Até mesmo
uma casa completamente cheia de livros sagrados necessita uma
Mezuzá na sua porta!
Uma casa pode estar cheia de livros sagrados, mas ainda temos
que garantir que o seu conteúdo sagrado seja refletido
na vida de seus moradores. Ao afixarmos a Mezuzá na porta
entre a nossa casa e a rua, demonstramos que não nos satisfazemos
apenas em conhecer os versos de Shema Israel, mas queremos nos
conduzir no espírito do Shema, na nossa vida cotidiana,
dentro de nossa casa e no ambiente fora dela. Uma pessoa pode
ter um rico conhecimento de judaísmo (ela seria comparável
a uma casa cheia de livros sagrados), ainda assim ele necessita
ter “uma Mezuzá”, o amor e temor a D-us, sem
os quais o Zohar declara que o seu estudo de Torá não
poderá elevar-se ou perdurar.
É
costume judaico revisar as Mezuzót antes do nosso Ano
Novo, Rosh Hashaná. Invistamos no plano Divino para o
seguro do nosso lar e o bem-estar dos seus membros. A nossa entidade
está à disposição da comunidade para
maiores orientações a respeito deste e outros valiosos
preceitos do judaísmo.
Que a nossa dedicação à mitsvá de
Mezuzá apresse a época de Mashiach, quando D-us
será Um e Seu nome Um, para todos os povos (Devarim: 6:4-Rashi)
e que possamos todos ser inscritos e carimbados no Livro da Vida
para um ano novo repleto de saúde e alegrias.
* Yossef Dubrawsky é rabino e diretor do Beit Chabad de
Curitiba.