Uma
boa introdução para os que buscam entender
o contexto histórico do conflito árabe-israelense
Por: William
Bennett, Jack Kemp e Jeane Kirkpatrick
A atenção de todo o mundo está voltada
para o Oriente Médio. Todos os dias somos confrontados
com imagens de carnificina e destruição. Será possível
entender tamanha violência? Sim, mas apenas se analisarmos
a situação estando firmemente alicerçados
nos fatos básicos relacionados, que muitas vezes são
esquecidos, se é que chegamos a tomar conhecimento deles.
Listaremos aqui 20 fatos que pensamos ser úteis para um
entendimento maior da situação atual, mostrando
como as coisas chegaram ao ponto em que se encontram e como uma
solução poderia ser alcançada.
As Raízes
do Conflito
1. Quando as Nações Unidas propuseram o estabelecimento
de dois Estados naquela região – um árabe
e outro judeu – os judeus aceitaram a proposta e declararam
sua independência em 1948. O Estado judeu tem apenas 1/6
de 1% da extensão do que é conhecido como "mundo árabe".
Os países árabes, no entanto, rejeitaram a proposta
das Nações Unidas e desde então têm
lutado contra Israel constantemente, através de conflitos
militares abertos, de guerras de atrito e de ataques terroristas.
Em 1948, as forças armadas de cinco nações árabes
invadiram Israel numa tentativa de erradicá-lo. Jamal
Husseini, do "Alto Comitê Árabe", falou
por muitos árabes ao jurar "encharcar o solo de nossa
amada nação com a última gota de nosso sangue".
2. A Organização pela Libertação
da Palestina (OLP) foi fundada em 1964 – três anos
antes de Israel controlar a Margem Ocidental do Jordão
(a Cisjordânia) e Gaza. O propósito declarado da
OLP era exterminar o Estado de Israel através da luta
armada. Até hoje o site da Autoridade Palestina (AP) de
Yasser Arafat afirma que toda a extensão de Israel é território "ocupado". É impossível
conciliar essa posição com as declarações
da OLP e da AP diante de audiências ocidentais, em que
afirmam que a origem do conflito é a ocupação
israelense da Margem Ocidental e de Gaza.
3. A Margem Ocidental e Gaza (controladas, respectivamente, pela
Jordânia e pelo Egito de 1948 a 1967) passaram para o controle
israelense durante a "Guerra dos Seis Dias" em 1967,
que teve início quando o Egito fechou o Estreito de Tiran
e os exércitos árabes ultrapassaram as fronteiras
de Israel para invadir e tentar acabar com o Estado judeu. É importante
destacar que durante os 19 anos em que exerceram domínio
sobre aquela região, nem a Jordânia, nem o Egito
fizeram qualquer esforço para estabelecer um Estado Palestino
naquelas terras. Pouco antes das nações árabes
iniciarem a guerra contra o Estado de Israel em 1967, Hafez Assad,
o então ministro da Defesa da Síria (posteriormente
presidente), declarou: "Agora nossas forças estão
inteiramente preparadas... para iniciar a libertação
e explodir a presença sionista em nossa pátria árabe...
chegou a hora de iniciar a batalha de aniquilação".
Na véspera da guerra de 1967, o presidente egípcio
Gamal Nasser disse: "Nosso objetivo básico é a
destruição de Israel".
4. Devido ao seu ódio por Israel, muitos líderes
da causa palestina têm apoiado os inimigos dos EUA. O grão-mufti
de Jerusalém aliou-se a Adolf Hitler durante a II Guerra
Mundial. Yasser Arafat, líder da OLP e presidente da AP,
repetidamente atacou e matou cidadãos americanos. Em 1973,
Arafat ordenou a execução de Cleo Noel, o embaixador
americano no Sudão. Sabe-se que durante a Guerra Fria
Yasser Arafat tinha ligações muito fortes com a
União Soviética e outros países inimigos
dos Estados Unidos. Em 1991, durante a Guerra do Golfo, Arafat
uniu-se a Saddam Hussein, que declarou ser "o defensor da
nação árabe, dos muçulmanos e de
todos os homens livres".
5. Na verdade, Israel devolveu a maior parte das terras que ocupou
durante a guerra de 1967. Logo após o término da
guerra, Israel ofereceu a devolução de todo o território
ocupado em troca de paz e de relações normais,
mas sua oferta foi rejeitada. Como resultado dos acordos firmados
em Camp David em 1978 – quando o Egito reconheceu o direito
da existência de Israel e as relações diplomáticas
foram estabelecidas entre os dois países – Israel
devolveu o deserto do Sinai, uma região três vezes
maior que o Estado de Israel e que representava 91% dos territórios
tomados por Israel durante a guerra de 1967.
6. No ano 2000, durante as negociações por uma
paz consistente e durável, Israel se dispôs a devolver
a Yasser Arafat a maior parte dos territórios que ainda
mantinha sob controle. Mas a proposta foi rejeitada quando o
líder da OLP abandonou Camp David e deu início
aos conflitos que perduram até hoje.
7. Arafat sempre deixou claro quais eram os seus planos – ao
menos quando se expressava em árabe. No mesmo dia em que
assinou os acordos de Oslo em 1993 – quando prometeu abdicar
do terrorismo e reconhecer Israel – ele dirigiu-se ao povo
palestino pela TV jordaniana, dizendo abertamente que havia dado
o primeiro passo "do plano de 1974". Essa foi uma referência
velada ao "plano de fases", segundo o qual qualquer
obtenção territorial era aceitável como
uma maneira de se atingir o alvo final: a destruição
de Israel.
8. Faisal al-Husseini (recentemente falecido), um dos principais
porta-vozes dos palestinos, declarou o mesmo em 2001, quando
afirmou que a Margem Ocidental e Gaza representavam apenas "22%
da Palestina" e que o processo de Oslo era um "cavalo
de Tróia". Ele explicou: "Quando pedimos às
forças e facções palestinas que vejam o
acordo de Oslo e outros semelhantes como procedimentos ‘temporários’,
ou objetivos de uma fase, queremos dizer que estamos enganando
os judeus e preparando uma emboscada para eles". Ele acrescentou: "Nosso
alvo é a libertação da Palestina desde o
rio [Jordão] até o mar [Mediterrâneo]",
ou seja, todo o território de Israel.
9. Até hoje, a facção Fatah da OLP (a ala "moderada" da
organização, que foi fundada e é controlada
pelo próprio Arafat) tem como emblema um mapa do território
completo de Israel com a imagem de dois fuzis cruzados e uma
granada sobreposta a eles. Isso mostra que não são
verdadeiras as afirmações de que Arafat deseja
apenas a Margem Ocidental e Gaza.
10. Mesmo que críticas a Israel não sejam necessariamente
sinais de "anti-semitismo", devemos lembrar que a imprensa
do Oriente Médio está, sem dúvida, dominada
por idéias anti-semitas. Há mais de 15 anos atrás,
o erudito Bernard Lewis destacou: "A demonização
dos judeus [na literatura árabe] vai muito além
do que é apresentado na literatura ocidental, com exceção
da Alemanha durante o nazismo". Desde que ele fez tal declaração,
e durante todos esses anos de "processo de paz", as
coisas somente pioraram. A maneira de retratar os judeus na mídia árabe é semelhante
ao que se fazia na Alemanha nazista e os libelos de sangue da
Idade Média – incluindo alegações
de que os judeus usam o sangue de cristãos e muçulmanos
para preparar sua comida típica durante os feriados religiosos – têm
sido divulgados rotineiramente com destaque. Um exemplo foi um
sermão transmitido pelo canal de TV da Autoridade Palestina,
em que o xeque Ahmad Halabaya declarou: "Eles [os judeus]
devem ser mortos e destroçados, como disse o todo-poderoso
Alá: ‘Combata-os: Alá irá torturá-los
através de suas mãos’. Não tenha piedade
dos judeus, não importa onde eles estejam, em qualquer
país. Combata-os, onde quer que você esteja. Quando
encontrá-los, mate-os".
11. Mais de 3/4
dos palestinos aprovam a ação
dos homens-bomba suicidas – uma estatística aterradora,
mas pouco surpreendente à luz do que já relatamos.
O Estado de Israel
12. Existem 21 países árabes no Oriente Médio
e apenas um Estado judeu: Israel, que também é a única
democracia naquela região.
13. Israel é o único país daquela região
que permite os cidadãos de todas as crenças praticarem
sua religião livre e publicamente. Vinte por cento dos
cidadãos israelenses não são judeus.
14. Enquanto os judeus não podem viver em muitos países árabes,
em Israel os árabes têm garantida a cidadania israelense
e o direito de votar. Eles também podem ser eleitos como
membros do Knesset (o Parlamento de Israel). Na verdade, muitos árabes
já foram democraticamente eleitos e desempenham suas funções
parlamentares há anos. Os árabes que vivem em Israel
têm mais direitos e mais liberdades que a maioria dos árabes
que vivem nas nações árabes.
15. Israel é muito pequeno [tem aproximadamente o tamanho
de Sergipe] e está cercado de nações que
se opõem à sua existência. Algumas propostas
de paz – incluindo a que foi feita recentemente pela Arábia
Saudita – exigem a retirada de toda a Margem Ocidental,
o que deixaria o território israelense com menos de 15,5
km de largura em seu ponto mais vulnerável.
16. A resolução 242 das Nações Unidas
(aprovada depois da guerra de 1967) é muito citada, mas
na verdade não requer a retirada completa de Israel da
Margem Ocidental. Conforme explicou o especialista em Direito
Eugene Rostow: "A resolução 242, que eu, como
subsecretário de Estado encarregado de questões
políticas entre 1966 e 1969, ajudei a produzir, requer
que seja feita a paz entre ambas as partes. Ela permite que Israel
administre os territórios que ocupou em 1967 até que
seja alcançada ‘uma paz justa e duradoura no Oriente
Médio’. Quando essa paz for alcançada, Israel
deve retirar suas forças armadas ‘de’ territórios
que ocupou durante a Guerra dos Seis Dias – ela não
diz ‘dos’ territórios ou de ‘todos’ os
territórios, mas de alguns deles".
17. Israel, na verdade, já admitiu que os palestinos têm
direitos legítimos de requerer os territórios em
disputa e está disposto a negociar essa questão.
Como já observamos, o primeiro-ministro israelense Ehud
Barak ofereceu quase todos esses territórios a Arafat
nas negociações em Camp David no ano 2000.
18. Apesar das alegações de que os assentamentos
israelenses na Margem Ocidental são obstáculos
para a paz, os judeus viveram ali durante séculos antes
de serem massacrados ou expulsos pelos exércitos árabes
invasores (em 1948-1949). Além disso, ao contrário
da errônea idéia comumente aceita, os assentamentos
israelenses – que perfazem menos de 2% dos territórios
em questão – raras vezes desabrigaram habitantes
palestinos.
19. A Margem Ocidental inclui alguns dos lugares mais importantes
da história judaica. Entre eles estão Hebron, Belém
e Jericó. Na parte oriental de Jerusalém, muitas
vezes chamada de "cidade árabe" ou "território
ocupado", encontra-se o local mais sagrado do judaísmo
[o Muro das Lamentações]. Enquanto esteve sob domínio
dos árabes (entre 1948 e 1967), essa área era totalmente
fechada para os judeus. Desde que Israel a controla, ela passou
a ser acessível para pessoas de todas as religiões.
20. Por último, consideremos a exigência de que
certos territórios do mundo muçulmano devem ser
proibidos para os judeus. Ela equivale à proclamação
de Hitler de que a Alemanha deveria ser "livre de judeus".
Os árabes podem viver em liberdade e exercer sua cidadania
sem restrições em qualquer parte de Israel. Por
que os judeus devem ser proibidos de viver ou de possuir terras
numa região como a Margem Ocidental, apenas porque a maioria
dos que vivem ali são árabes?
Em suma, uma análise justa e equilibrada da situação
no Oriente Médio revelará que apenas uma nação
está bem acima das outras em seu respeito aos direitos
humanos e à democracia, do mesmo modo que em seu compromisso
com a paz e a segurança mútuas. Essa nação é Israel.
* William J. Bennett
foi secretário da Educação
dos EUA no governo de Ronald Reagan e diretor do Escritório
de Controle Nacional de Drogas na administração
de George Bush.
*Jack Kemp foi secretário de Habitação e
Desenvolvimento Urbano dos EUA, além de deputado durante
18 anos. Foi candidato a vice-presidente na chapa do senador
Bob Dole em 1996.
* Jeane Kirkpatrick é uma das maiores especialistas americanas
em política mundial e questões internacionais.
Ela foi membro do Conselho de Segurança Nacional no governo
de Ronald Reagan. Durante os anos em que representou os EUA na
ONU, teve grande influência na política externa
americana e mundial.
(extraído de www.empoweramerica.com)