AMIA: 14 anos sem justiça

 

Como acontece há quatorze anos, às 9 horas e 53 minutos do dia 18 de julho, o som de uma sirene seguido de um minuto de silêncio pára a rua Pasteur, em Buenos Aires. O alerta marca o início do ato central de homenagem e recordação às vítimas do atentado ao prédio da Associación Mutual Israelita Argentina, em 1994, que resultou na morte de 85 pessoas e deixou mais 300 feridos. Anualmente a cerimônia reúne cerca de 8 mil pessoas, entre a diretoria da instituição, familiares e amigos das vítimas, autoridades e a comunidade judaica argentina, no intuito de honrar a memória de quem padeceu neste ataque covarde e brutal, assim como clamar por justiça e cobrar ações do governo para responsabilizar os culpados e colaboradores do atentado.
Em 2006, doze anos depois de um dos atentados mais terríveis da história da América Latina, o Ministério Público Argentino responsabilizou o Irã pelo ataque que destruiu a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) em Buenos Aires, ocorrido durante o governo do ex-presidente Carlos Menem. Além da captura internacional do ex-presidente do Irã Ali Akbar Rafsanjani, foi pedida a prisão de outros sete iranianos (incluindo dois ex-funcionários da embaixada do Irã em Buenos Aires e dois ex-ministros) e antigos líderes do Hezbolá, grupo financiado pela Síria e pelo Irã.
Nenhuma pessoa foi detida na Argentina nem em outro país por este caso, investigado há 14 anos e que ainda permanece num beco sem saída. Graves acusações judiciais de acobertamento pesam, no entanto, em nível local contra funcionários do governo do então presidente Carlos Menem (1989-1999). Os oito andares da mutual israelita Amia, no coração do bairro comercial judaico Once, de Buenos Aires, foram derrubados com 300 kg de explosivos, transportados por um carro-bomba.
Ao completar 14 anos do atentado a AMIA, o Congresso Judaico Latino-Americano (CJL) reuniu em Buenos Aires, parlamentares do Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai. Representando o Brasil, estiveram presentes Adão Villaverde (PT/RS) e Arnaldo Madeira (PSDB/SP). O encontro teve por objetivo trocar visões e experiências sobre o terrorismo internacional, bem como a participação dos parlamentares e lideranças no ato de recordação do atentado a AMIA.
Os parlamentares, junto com os líderes máximos das comunidades judaicas de seus respectivos países, se reuniram no dia anterior ao ato, com autoridades da Amia e Daia, com quem compartilharam opiniões sobre a luta contra o terrorismo. Jack Terpins, presidente da Conib e CJL afirmou que, “a luta contra o terrorismo é imperiosa nas sociedades que tem a vida, como valor supremo. Os estados podem combater o terrorismo de maneira eficiente somente se contarem com os instrumentos legais e adequados para fazer isso”. E conclamou os legisladores para refletir sobre o tema.