Aliá etíope aproxima-se do final   
Por: Ruth Eglash *


      

Trajando novas roupas e sapatos, bem como a tradicional veste branca de algodão, 90 falashas muras procedentes da Etiópia desembarcaram em Israel para ali iniciar nova vida. Enquanto a chegada desses imigrantes vem se dando quase semanalmente, esse grupo foi acompanhado em sua jornada, de Adis Ababa para Tel Aviv, por 170 profissionais e líderes comunitários judeus de 48 federações judaicas espalhadas pelos Estados Unidos. Essa foi a maior delegação de judeus na diáspora a visitar a nação africana, e sua ida anuncia a conclusão próxima do processo da aliá etíope.
Ori Konforti, veterano funcionário da Agência Judaica na Etiópia, garantiu aos visitantes que o restante dos etíopes qualificados a fazer aliá estarão em Israel no prazo de um ano, e a partir daí, num prazo de um mês, todas as atividades do governo de Israel e da Agência Judaica estarão encerradas na Etiópia.
Doron Krakow, vice-presidente das Comunidades Judaicas Unidas para Israel e Assuntos Estrangeiros, afirmou que essa mobilização de lideranças comunitárias sem precedentes, foi para demonstrar o imenso desafio de Israel em absorver 110.000 israelenses etíopes. O objetivo era que compreendessem as necessidades da comunidade etíope em Israel.
Para o ano de encerramento da aliá etíope, espera-se o desembarque de 4.000 falashas muras (etíopes cujos ancestrais judeus foram forçados a se converter ao cristianismo). Konforti informou a delegação que 1816 já receberam permissão oficial e outros 2301 devem ter obtido autorizações até Rosh Hashaná e Iom Kipur. A comitiva acompanhou os preparativos para a partida na capital e na cidade de Gondar. A viagem foi patrocinada pela UJC, pelo Joint Distribution Comittee e Agência Judaica, entidades que desempenharam papel fundamental em trazer mais de 100.000  judeus etíopes e falashas muras. Apesar dos últimos não serem considerados judeus, puderam imigrar graças à emenda realizada na Lei do Retorno.
Bonnie Jennis, executiva da Federação de Rhode Island, disse estar muito feliz por ser testemunha de um momento histórico. Com sua Polaroid, tirava fotos instantâneas dos viajantes e as entregava a cada um, como recordação do momento tão especial. Jennis afirmou ao jornal Jerusalm Post confiar na capacidade de Israel e seus apoiadores em superar os obstáculos na absorção dos novos olim, apesar das inverdades espalhadas sobre esse processo.
Representantes de Sarasota (Flórida), Tucson (Arizona), Pittsburgh (Pennsylvania), de Nova Jersey e demais regiões, participaram de uma cerimônia  na embaixada de Israel, em Adis Ababa. Cantando, o hino de Israel, Hatikva, abraçando-se e dando-se as mãos, os judeus americanos e seus familiares, muitos com crianças de colo, desejaram aos imigrantes boa sorte em suas novas vidas.
Oito funcionários da Agência Judaica, eles mesmos imigrantes etíopes que obtiveram sucesso em Israel, agradeceram o papel desempenhado pelos judeus norte-americanos e se dirigiram aos novos imigrantes em amárico, oferecendo apoio na transição de uma cultura e língua tradicional para uma sociedade moderna.
Essa operação, que se iniciou em 2005, cadastrou 4991 falashas muras e teve aporte de US$160 milhões arrecadados nas comunidades judaicas dos EUA.
Leslie Rosenthal, líder comunitário em New Jersey, afirmou que a viagem superou suas expectativas. Afirmou ficar emocionada em acompanhar os passos dados e o desfecho feliz.
A experiência também trouxe contradições para muitas lideranças, como a de explicar a seus filiados a recusa em permitir a imigração de quase 4.000 pessoas, não aceitas dentro dos critérios oficiais. Nas palavras de Mitch Frumkin, outra liderança de Nova Jersey, essa situação aumentou o desafio e precisa ser resolvido. Marty Haberer afirmou não ser possível salvar o mundo todo de uma só vez, mas é possível ajudar uma pessoa de cada vez.
* Ruth Eglash escreve no jornal Jerusalem Post .