A recompensa da paz com Israel
George Chaya *

Jornalista árabe culpa a Síria e o Irã pela falta da paz no Oriente Médio


Nestas horas maneja-se informação muito sensível nas mais altas esferas do governo libanês, que implicaria em mudanças nas posições do passado do primeiro ministro Fouad Siniora. O fato se refere às conversas avançados entre líderes libaneses dos setores drusos, cristãos e sunitas que pediram ao Primeiro-Ministro uma ação chave e uma mensagem muito firme no processo de estabilização e se relaciona com esboçar um "acordo de paz com Israel".
Um acordo de paz com Israel é algo imediato que deveria fazer o governo de Siniora, segundo as respostas a consultas de parlamentares libaneses com funcionários da Jordânia e a Chancelaria saudita após a cúpula de Riad do final de abril. Deve estar motivado na honra, na sinceridade e no sentido comum e trazer uma clara mensagem à comunidade internacional isolando ainda mais os opositores internos que desejam derrocar o governo. O Líbano precisa terminar de uma vez por todas e de forma permanente com esse conflito em vão ao qual o empurraram em nome do absurdo as forças contrárias à civilização. No Líbano perdemos mais de 50 anos de nossas vidas, nosso mais brilhante potencial humano emigrou ou foi arrasado e o país hoje se encontra numa crise quase terminal lutando por sua vida.
A paz com Israel traria importantes recompensas e benefícios ao Líbano. Estabilizaria permanentemente ambas sociedades, avalizaria e fortaleceria os libaneses no campo internacional e na segurança interna. Descobriríamos um vizinho democrático e uma cultura rica pretensamente proibida para nós pelos tiranos regionais por mais de meio século.
Por que devemos considerar os israelenses como inimigos quando várias de nossas gerações anteriores não trataram com eles e portanto não os conheceram? Precisamos romper as cadeias que aprisionaram as mentes dos políticos e os dirigentes sectários do passado que não serviram lealmente aos interesses nacionais libaneses, porém semearam em nossa terra a semente do ódio e os doutrinamentos da arcaica "cortina de ferro" árabe. Precisamos avançar juntos motivados em nosso interesse nacional e o desejo genuíno de encontrar a paz. Como o fizeram o Egito e a Jordânia no passado.
A paz com Israel, acompanhada de avanços nos níveis da democracia na política interna e nos direitos humanos significaria a entrada do Líbano na União Européia em pouco tempo, talvez antes da Turquia. Isso colocaria o país sob o guarda-chuva da proteção militar da OTAN e traria permanente estabilidade e prosperidade à situação interna. Nada mais devemos observar como está prosperando a Europa Oriental e como hoje celebra e agradece a estabilidade proporcionada pela UE e a OTAN.
A paz com Israel significaria a abertura de novos canais para nosso comércio a partir do sul do país, com e através de Israel, até a Jordânia e Egito, nações com suas fronteiras abertas e honrados acordos de paz com Israel, e dali, poderíamos comerciar com o Golfo e os mercados africanos.
Um acordo de paz significaria a cooperação econômica, investimentos estrangeiros em grande escala, empresas de risco compartilhado, intercâmbios culturais, e um desenvolvimento econômico muito mais rápido e produtivo para o Líbano.
Nossa civilização fenícia tem milhares de anos no exercício do comércio com maestria e êxito, e o que nos caracterizou foi sempre ser constantes empreendedores de projetos comerciais de sucesso.
Nossa característica histórica baseada na destreza comercial nos garantiu o respeito e a amizade de todas as culturas, e nosso estilo honesto e aberto nos permitiu ganhar mercados e fazer boas relações com todos os povos através de nossa história milenar. Sem dúvida alguma a isto é o que deve retornar o Líbano no presente e deve ser fortalecido no futuro.
A paz com Israel garantiria a mútua compreensão, apreço, tolerância e a cordialidade entre nossos povos. Poderíamos fazer mais e melhores laços de amizade com diversos países, inclusive trabalhar aliados no cenário regional pela paz global. Todas estas alternativas positivas e frutíferas, estão, não obstante, ameaçadas pelo totalitarismo regional sírio-iraniano e seus executores locais do Hezbolá. O regime do presidente Assad sustenta que: "Não haverá paz para o Líbano a menos que eles voltem". Pelo que parece, com os postulados da Síria e do Irã nenhuma paz libanesa-israelense poderá ser obtida a menos que a ditadura de Assad seja derrotada e seu regime seja levado à justiça pelos crimes cometidos contra a humanidade. A única esperança de paz para o Líbano pensando na Síria, fixa-se numa sociedade síria democrática que reconheça humildemente seu passado, peça perdão, se reforme e se comporte como vizinho decente, e não com este regime atual de quem se possa esperar tais condutas. Porém, mais além disso, é de se esperar, que os diálogos que ocorrem agora por no seio do governo libanês cheguem a uma decisão inteligente e razoável, a partir da qual o primeiro-ministro Fouad Siniora assuma suas responsabilidades históricas e outorgue ao povo libanês a oportunidade de viver em paz com Israel e com todos os povos democráticos da comunidade internacional.

* George Chaya é licenciado em Direito, jornalista, professor e analista político internacional. É especialista em terrorismo e conflitos religiosos, conferencista titular da International Consulting in Politics Affaires on Middle Eastern and Hispanic America e especializado em Oriente Médio. Integra o Conselho Acadêmico de vários meios internacionais de comunicação. É membro fundador do Conselho Mundial da Revolução dos Cedros, consultor e assessor de governos da América Latina em matéria do Oriente Médio.