Saída de
Gaza: um passo em direção à paz?
Israel está deixando Gaza nos próximos dias. É a
maior iniciativa histórica em nome da paz que ocorre
em meio ao contexto do conflito árabe-israelense nas últimas
duas décadas. O país vive uma etapa decisiva
jamais experimentada antes com tal intensidade. Por mais que
se fale da necessidade de deixar a Faixa de Gaza e partes da
Cisjordânia em benefício da paz, ou por mais que
se defenda a permanência das colônias, partidários
de ambos os lados da questão, assim como veículos
de comunicação no mundo, que cobrem o acontecimento
nunca conseguirão retratar adequadamente as dificuldades
encaradas pelos mais de 8.000 israelenses diretamente afetados.
São famílias forçadas a abandonar suas
casas, escolas, sinagogas, cemitérios, e negócios — suas
vidas inteiras — tudo em nome da paz. Isso levado ao
fato de que Israel, com a retirada voluntária, merece
o reconhecimento e o apoio de toda a comunidade internacional. É um
passo gigantesco, mas doloroso, que mostra aos seus vizinhos
palestinos e ao mundo a busca pela paz.
Entretanto, as ações palestinas não têm
correspondido aos arriscados e corajosos sacrifícios
de Israel. A maior deficiência do atual governo da Autoridade
Palestina reside na relutância em desmantelar a infra-estrutura
terrorista que ameaça as vidas dos civis israelenses.
AP declarou recentemente que continuará a não
fazer nada para desarmar os grupos terroristas como Hamas e
Jihad Islâmica, não obstante Israel e os Estados
Unidos pedirem seguidamente que Mahmoud Abbas retire o armamento
dos grupos terroristas. Ele tem dito que irá somente
tentar persuadi-los a não usar suas armas. As sociedades
democráticas não podem tolerar grupos armados
exceto a polícia e as forças de defesa na nação.
Se as armas continuam nas mãos dos terroristas, que
declaram abertamente seu objetivo de destruir Israel e os judeus,
o processo de paz está fadado ao fracasso. A visão
pacífica do Estado palestino convivendo lado a lado
com Israel requer o desarmamento desses grupos.
A AP também não está se empenhando em
outro ponto chave: Enquanto Israel, em decorrência dos
Acordos de Oslo de 1993 iniciou formalmente a educação
de suas crianças para a paz, com seus livros pedagógicos
descrevendo as contribuições positivas dos árabes
e muçulmanos, e a necessidade de negociar a paz com
base em compromissos civilizados, os palestinos, por outro
lado, continuam a promover a cultura do ódio contra
judeus e Israel em suas escolas. Seus livros escolares ainda
se recusam a reconhecer a legitimidade da existência
do Estado de Israel. Mapas nas salas de aula da Autoridade
Palestina excluem o Estado de Israel. Além disso, o
sionismo ainda é descrito como sendo um movimento fascista
e colonial. E os homens-bomba como mártires e heróis.
A menos que a AP eduque suas crianças com a mensagem
da paz, e os ajude a reconhecer as legitimas ligações
do povo judeu com a terra de Israel, não haverá longo
período de paz emergindo da retirada israelense de Gaza.
A saída de Gaza e da Margem Ocidental é realmente
um passo em direção à paz? Na realidade,
ninguém sabe dizer. É esperar para ver. Nesta
edição o leitor encontrará alguns artigos
que analisam diversos ângulos desta questão. Boa
Leitura.
A Redação