De Londres a Jerusalém
Por: Tom Gross

Na última sexta-feira, enquanto a Polícia britânica procurava freneticamente por quarto responsáveis pelos ataques a bomba em fuga, os cidadãos de Londres puderam vislumbrar o que os cidadãos de Israel vivem diariamente. Os explosivos de todos os quatro homens falharam em destruir o sistema de transportes de Londres no dia anterior, e eles conseguiram escaparam.

Ainda durante toda a sexta-feira houve bloqueios de rua e buscas em casas através de toda Londres. Imagens dos quarto, captadas por circuitos fechados de TV foram divulgadas à tarde, e ao anoitecer dois suspeitos já estavam sob custódia. Os cidadãos de Londres expressaram o medo de "viver com o terror de 24/7", o mundo expressou simpatia, e houve muito apoio e compreensão na cobertura da ação britânica na mídia internacional e no meio político.

Os terroristas palestinos já provocaram mais de 25 mil ataques contra Israel desde setembro de 2000, resultando em milhares de mortos e feridos. As forças de segurança israelenses frustraram milhares de ataques, e israelenses cresceram vivendo com as perseguições do tipo vistas em Londres na sexta-feira; ainda que sejam raramente divulgados no exterior.
O diretor do Shin Bet (Agência de Segurança de Israel) confirmou na semana passada que Israel atualmente recebe cerca de 60 avisos da inteligência sobre potenciais ataques terroristas palestinos todos os dias, e só no mês de julho várias mulheres israelenses e jovens garotos – e agora Rachel e Dov Kol – têm sido mortos em diversos ataques.

Em meio ao nervosismo de Londres, na sexta-feira por volta das 10h da manhã, um homem de pele escura foi morto num trem na estação de Stockwell, no sul de Londres. Testemunhas no trem imediatamente disseram que estava claro que o homem estava desarmado. Nas palavras de um, ele foi "literalmente executado". Ele ainda estava deitado, imóvel, no chão, tendo tropeçado, quando a polícia britânica atirou sete vezes contra sua cabeça e uma no ombro, bem de perto. No anoitecer de sábado, a Polícia confirmou que havia se enganado ao alvejar um homem inocente. Explicaram que era um brasileiro católico.

Israel tem tido um enorme cuidado com seus "alvos matadores", os "homens bomba-relógio suicidas", e quase nunca atira em alguém em caso de erro de identidade.

Contrariamente às mentiras publicadas pela mídia inglesa nos últimos dias – e reproduzida inclusive aqui no Brasil — as Forças de Defesa de Israel não instituíram a política de “atirar-para-matar”, nem treinaram os britânicos para fazê-lo. Por exemplo, na mesma sexta-feira em que a Polícia britânica atirava num rapaz na estação, as forças israelenses capturavam e desarmavam um terrorista do Fatah já dentro de Israel a caminho de executar um atentado suicida a bomba em Tel Aviv. As forças israelenses nem chegaram a ferir o terrorista ao agarrá-lo e desarmá-lo do cinturão com a carga de 5 kg de explosivos que estava usando.

E ainda assim, por expor o mínimo de risco necessário para salvar as vidas de seus cidadãos nos últimos anos Israel tem sido criticado sem misericórdia, virtualmente, pelo mundo todo.

Se a Polícia israelense tivesse atirado para matar um estrangeiro inocente, num de seus ônibus ou trens, comprovando-se a morte com uma saraivada de balas quase à queima-roupa, num erro em esforço para frustrar um ataque à bomba, a ONU provavelmente convocaria uma sessão de emergência à última hora para, unanimemente, denunciar o Estado judeu.
À noite, 12 horas após o tiroteio, a BBC ainda não tinha entrevistado ninguém da família enlutada, e ninguém havia clamado por um boicote das universidades britânicas, os times de futebol Chelsea e Arsenal não tinham anunciado mudar seus jogos para Chipre, e o jornal The Guardian até então não se referira à política britânica como “genocida” da população paquistanesa.

Quanto ao prefeito de Londres, Ken Livingstone, que comanda o controle do transporte da cidade, incluindo o trem onde o rapaz foi morto com os tiros, e que tem defendido com veemência a política de “atirar-para-matar” como um meio legítimo de se defender de suicidas-bomba, ainda não estava sendo acusado de crimes de guerra – como o próprio Livingstone tem-se referido aos líderes políticos israelenses.

Sobre a sexta-feira, Polly Toynbee, comentarista-chefe do The Guardian, escreveu que os terroristas foram "dementes", "selvagens" e "lunáticos", "assassinos" que "matam em nome de D-us". Este é um grande contraste da habitual maneira pela qual o jornal The Guardian e outros descrevem os suicidas assassinos de israelenses, como "combatentes” e "ativistas".
Um dos terroristas londrinos responsáveis pelas explosões de 7 de julho, Muhammad Sidique Khan, viajou a Israel em fevereiro de 2003. Permaneceu lá só por um dia, e podemos supor que não foi para ser voluntário num kibbutz ou visitar o Yad Vashem.

Dois meses depois, em abril de 2003, dois outros bretões de origem paquistanesa (a quem o Hamas posteriormente admitiu tê-los treinado) estavam envolvidos no ataque suicida do Mike's Place, um bar popular de Tel Aviv, matando ou ferindo 58 pessoas.

A visita de Khan a Israel foi a principal manchete internacional do The Washington Post na última terça-feira, enquanto a maioria dos jornais britânicos ignorou isso completamente. O The Independent e o The Daily Telegraph nem o mencionaram; o Scotsman, e os jornais Times e Sun somente muito ligeiramente.

Parece haver pouco interesse na Inglaterra pelo assassinato de israelenses por cidadãos britânicos Muitos jornalistas britânicos evidentemente têm dificuldade em admitir que pessoas assassinadas em ônibus em Israel são vítimas iguais àquelas assassinadas nos ônibus londrinos. Outro cidadão britânico, Richard Reid, que ficou conhecido como o "sapato-bomba," também esteve em Israel e na Faixa de Gaza durante dez dias em julho de 2001.

Se os britânicos desejam deter os terroristas eles têm que reconhecer a inspiração, e o possível treinamento que o Hamas, mestre nos ataques suicidas, tem dado para pretensos britânicos e outros terroristas, tais como Reid. Ao invés disso, funcionários britânicos abraçam o Hamas, e mantém conversas com ele. Têm também que parar de dar ouvidos às mentiras propagadas por boa parte de sua mídia. Por exemplo, a reportagem de capa desta semana de New Statesman, a publicação preferida de muitos sob o governo britânico do Partido Trabalhista, diz: "Não havia suicidas-bomba na Palestina até Ariel Sharon, um conhecido criminoso de guerra, patrocinado por Bush e Blair, chegar ao poder".

* Tom Gross, o autor deste artigo escreve no jornal Jerusalem Post e é ex-correspondente em Jerusalém do jornal londrino The Sunday Telegraph. Tradução Szyja Lorber