Na última sexta-feira, enquanto a Polícia britânica
procurava freneticamente por quarto responsáveis pelos
ataques a bomba em fuga, os cidadãos de Londres puderam
vislumbrar o que os cidadãos de Israel vivem diariamente.
Os explosivos de todos os quatro homens falharam em destruir
o sistema de transportes de Londres no dia anterior, e eles
conseguiram escaparam.
Ainda durante toda a sexta-feira houve bloqueios de rua e buscas
em casas através de toda Londres. Imagens dos quarto,
captadas por circuitos fechados de TV foram divulgadas à tarde,
e ao anoitecer dois suspeitos já estavam sob custódia.
Os cidadãos de Londres expressaram o medo de "viver
com o terror de 24/7", o mundo expressou simpatia, e houve
muito apoio e compreensão na cobertura da ação
britânica na mídia internacional e no meio político.
Os terroristas palestinos já provocaram mais de 25 mil
ataques contra Israel desde setembro de 2000, resultando em
milhares de mortos e feridos. As forças de segurança
israelenses frustraram milhares de ataques, e israelenses cresceram
vivendo com as perseguições do tipo vistas em
Londres na sexta-feira; ainda que sejam raramente divulgados
no exterior.
O diretor do Shin Bet (Agência de Segurança de
Israel) confirmou na semana passada que Israel atualmente recebe
cerca de 60 avisos da inteligência sobre potenciais ataques
terroristas palestinos todos os dias, e só no mês
de julho várias mulheres israelenses e jovens garotos – e
agora Rachel e Dov Kol – têm sido mortos em diversos
ataques.
Em meio ao nervosismo de Londres, na sexta-feira por volta
das 10h da manhã, um homem de pele escura foi morto
num trem na estação de Stockwell, no sul de Londres.
Testemunhas no trem imediatamente disseram que estava claro
que o homem estava desarmado. Nas palavras de um, ele foi "literalmente
executado". Ele ainda estava deitado, imóvel, no
chão, tendo tropeçado, quando a polícia
britânica atirou sete vezes contra sua cabeça
e uma no ombro, bem de perto. No anoitecer de sábado,
a Polícia confirmou que havia se enganado ao alvejar
um homem inocente. Explicaram que era um brasileiro católico.
Israel tem tido um enorme cuidado com seus "alvos matadores",
os "homens bomba-relógio suicidas", e quase
nunca atira em alguém em caso de erro de identidade.
Contrariamente às mentiras publicadas pela mídia
inglesa nos últimos dias – e reproduzida inclusive
aqui no Brasil — as Forças de Defesa de Israel
não instituíram a política de “atirar-para-matar”,
nem treinaram os britânicos para fazê-lo. Por exemplo,
na mesma sexta-feira em que a Polícia britânica
atirava num rapaz na estação, as forças
israelenses capturavam e desarmavam um terrorista do Fatah
já dentro de Israel a caminho de executar um atentado
suicida a bomba em Tel Aviv. As forças israelenses nem
chegaram a ferir o terrorista ao agarrá-lo e desarmá-lo
do cinturão com a carga de 5 kg de explosivos que estava
usando.
E ainda assim, por expor o mínimo de risco necessário
para salvar as vidas de seus cidadãos nos últimos
anos Israel tem sido criticado sem misericórdia, virtualmente,
pelo mundo todo.
Se a Polícia israelense tivesse atirado para matar um
estrangeiro inocente, num de seus ônibus ou trens, comprovando-se
a morte com uma saraivada de balas quase à queima-roupa,
num erro em esforço para frustrar um ataque à bomba,
a ONU provavelmente convocaria uma sessão de emergência à última
hora para, unanimemente, denunciar o Estado judeu.
À
noite, 12 horas após o tiroteio, a BBC ainda não
tinha entrevistado ninguém da família enlutada,
e ninguém havia clamado por um boicote das universidades
britânicas, os times de futebol Chelsea e Arsenal não
tinham anunciado mudar seus jogos para Chipre, e o jornal The
Guardian até então não se referira à política
britânica como “genocida” da população
paquistanesa.
Quanto ao prefeito de Londres, Ken Livingstone, que comanda
o controle do transporte da cidade, incluindo o trem onde o
rapaz foi morto com os tiros, e que tem defendido com veemência
a política de “atirar-para-matar” como um
meio legítimo de se defender de suicidas-bomba, ainda
não estava sendo acusado de crimes de guerra – como
o próprio Livingstone tem-se referido aos líderes
políticos israelenses.
Sobre a sexta-feira, Polly Toynbee, comentarista-chefe do The
Guardian, escreveu que os terroristas foram "dementes", "selvagens" e "lunáticos", "assassinos" que "matam
em nome de D-us". Este é um grande contraste da
habitual maneira pela qual o jornal The Guardian e outros descrevem
os suicidas assassinos de israelenses, como "combatentes” e "ativistas".
Um dos terroristas londrinos responsáveis pelas explosões
de 7 de julho, Muhammad Sidique Khan, viajou a Israel em fevereiro
de 2003. Permaneceu lá só por um dia, e podemos
supor que não foi para ser voluntário num kibbutz
ou visitar o Yad Vashem.
Dois meses depois, em abril de 2003, dois outros bretões
de origem paquistanesa (a quem o Hamas posteriormente admitiu
tê-los treinado) estavam envolvidos no ataque suicida
do Mike's Place, um bar popular de Tel Aviv, matando ou ferindo
58 pessoas.
A visita de Khan a Israel foi a principal manchete internacional
do The Washington Post na última terça-feira,
enquanto a maioria dos jornais britânicos ignorou isso
completamente. O The Independent e o The Daily Telegraph nem
o mencionaram; o Scotsman, e os jornais Times e Sun somente
muito ligeiramente.
Parece haver pouco interesse na Inglaterra pelo assassinato
de israelenses por cidadãos britânicos Muitos
jornalistas britânicos evidentemente têm dificuldade
em admitir que pessoas assassinadas em ônibus em Israel
são vítimas iguais àquelas assassinadas
nos ônibus londrinos. Outro cidadão britânico,
Richard Reid, que ficou conhecido como o "sapato-bomba," também
esteve em Israel e na Faixa de Gaza durante dez dias em julho
de 2001.
Se os britânicos desejam deter os terroristas eles têm
que reconhecer a inspiração, e o possível
treinamento que o Hamas, mestre nos ataques suicidas, tem dado
para pretensos britânicos e outros terroristas, tais
como Reid. Ao invés disso, funcionários britânicos
abraçam o Hamas, e mantém conversas com ele.
Têm também que parar de dar ouvidos às
mentiras propagadas por boa parte de sua mídia. Por
exemplo, a reportagem de capa desta semana de New Statesman,
a publicação preferida de muitos sob o governo
britânico do Partido Trabalhista, diz: "Não
havia suicidas-bomba na Palestina até Ariel Sharon,
um conhecido criminoso de guerra, patrocinado por Bush e Blair,
chegar ao poder".
* Tom Gross, o autor deste artigo escreve no jornal Jerusalem
Post e é ex-correspondente em Jerusalém do jornal
londrino The Sunday Telegraph. Tradução Szyja Lorber