Por: Jane
Bichmacher de Glasman*
O papel simbólico
da mezuzá é de proteção e seu propósito
é conscientizar o homem da unidade de D-us e da presença
divina. Simboliza a santidade do lar judaico e é um pequeno
rolo de pergaminho, que contém os dois primeiros parágrafos
do Shmá. O pergaminho deve ser manuscrito. O escriba que
escreve o Sefer Torá, os tefilin e as mezuzot é
chamado Sofer. Enrolado o pergaminho, é ele colocado num
estojo de madeira, metal ou cristal, que tem uma pequena abertura,
através da qual se distingue a palavra Shadai escrita nas
costas do rolo. Este nome divino é uma abreviação
das palavras hebraicas shomer daltot Israel (igual a guardião
das portas de Israel).
Fixa-se a mezuzá no lado direito dos portais de todas as
habitações em que vivem os judeus, conforme as palavras
bíblicas: "E as escreverás nos portais de tua
casa e nos teus portões". Antes de se afixar a mezuzá
pronuncia-se uma bênção especial: Baru'h atá
Adonai Elohenu mele'h ha-olam, asher kidishanu bemitsvotav vetsivanu
likboa Mezuzá (Bendito és Tu, Senhor nosso D-us,
Rei do Universo, que nos santificaste com teus mandamentos e nos
ordenaste afixar uma mezuzá). Ela distingue a casa judaica,
lembrando a moradores e visitantes, na entrada, quem é
o Criador e recordando o mandamento de se observar a Torá
tanto em casa como fora dela.
Uma das belezas da língua hebraica é que o hebraico
moderno baseia-se essencialmente no hebraico bíblico, cujos
vocábulos, de amplo alcance semântico, podem ser
perfeitamente adequadas às exigências do mundo moderno,
sem que o idioma se descaracterize. Assim, por exemplo, a palavra
windows, que no Brasil ninguém chama de janelas, em hebraico
chama-se halonot (embora se empregue no meio o termo em inglês
também. E shaar significa portal... Daí a questão
levantada no título. Na minha opinião - tem que
ter. Não é portal? Não é judaico?
O caráter não é simbólico, para nos
lembrar de D-us e das mitzvot? Não é uma mitzvá?...
E você, o que acha?
* Jane Bichmacher
de Glasman é Doutora em Língua Hebraica, Literaturas
e Cultura Judaica pela USP, Professora Adjunta, Fundadora e ex-Diretora
do Programa de Estudos Judaicos da UERJ, ,Professora e Coordenadora
do Setor de Hebraico-UFRJ (aposentada), Coordenadora do Grupo
de Estudos Beer Miriam-ARI e escritora.