Visão Judaica - Edição N° 16
:. O divino e o profano na vida diária .:

Por: Edda Bergmann*

O importante é a procura de respostas e não respostas preparadas a priori.
Uma resposta à condição judaica, à identidade judaica, ou o conteúdo judaico deve ser apresentado a cada um individualmente de forma pessoal.
O importante não é a resposta, mas sim o questionamento em si mesmo. O objetivo deve ser o de que cada um viva de maneira íntegra sua própria condição de judeu.
Um dos pilares do judaísmo, sua valorização da vida neste mundo, hoje, aqui e agora.
Por isso, concentra grande parte dos seus valores para ressaltar o relacionamento do Homem com o próximo e do Homem com as coisas.
É muito importante ver como o judaísmo destaca o relacionamento do Homem com D-us.
O Amor para com D-us deve se refletir no Amor ao Próximo, aos Homens, à Humanidade. Num mundo que se converteu em quantitativo e não qualitativo, em que através da unanimidade dos conhecimentos estes devem passar a qualitativos para ter valor.
A sociedade qualitativa respeita a justiça, a honradez e o Amor ao Próximo enquanto que a quantitativa respeita a riqueza e os trunfos econômicos como base para uma vida feliz e completa.
O judaísmo é a história do desenvolvimento de um povo que em determinado momento da humanidade decidiu romper com todo o passado e o presente e criar uma nova sociedade, uma nova civilização e introduzir uma nova escala de valores no mundo.
Numa grande rebelião contra tudo o que existia, Abrão rompeu com todos os ídolos do seu tempo, com os ídolos do Pai e abandonou a casa paterna.
Ele não encontra uma fé no acaso, sua decisão é firme, não tem mais medo dos ídolos, rompendo contra todo um sistema, busca uma vida melhor, mais elevada e de maior significação.
É uma nova concepção, uma nova interpretação do Universo, não meramente contemplativa, mas com uma necessidade imperiosa de ação e de renovação.
Para a cristalização essencialmente humana, frente à crise das civilizações, do homem moderno, pensamos na renovação das raízes da civilização judaica, uma civilização otimista e que acredita na essência humana do Homem, na seriedade, para podermos romper com nossos ídolos e ser a renovadora destas raízes, podermos chegar a ser o que somos.
Se quisermos realmente continuar a viver uma vida judaica íntegra e significativa devemos alcançar um sistema de valores adequados.
O judaísmo pode, sem dúvida, ser uma resposta aos problemas apresentados no torvelinho do mundo moderno.
O judaísmo pode ser uma resposta às nossas inquietudes como judeus e também pode ser uma resposta às nossas indagações existenciais como seres humanos no planeta Terra nesta primeira metade do século XXI, cuja definição deveria ser o símbolo do espírito e de novos valores, valores básicos de uma Humanidade justa e feliz.

* Edda Bergmann é presidente da B'nai B'rith do Brasil

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