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Estamos
recordando hoje nove anos de um crime horroroso que resultou em
86 mortes pelo simples fato de serem almas judias ou estarem entre
judeus. Estamos falando do atentado perpetrado contra a Amia (Associação
Mutual Israelita Argentina), em Buenos Aires, na manhã de
18 de julho de 1994 e que segue impune até os dias de hoje.
A memória daqueles que tiveram arrancadas suas vidas pela
barbárie e pela intolerância não deve ser jamais
esquecida para que não torne a acontecer, nem com judeus,
nem com qualquer outro ser humano.
A bomba que ceifou a vida de 86 pessoas na explosão da sede
da Amia resultou também em mais de 300 feridos. O ataque
era dirigido à comunidade judaica argentina. Morreram crianças
e adultos, trabalhadores, vizinhos e pedestres. Eram 9h53 quando
o prédio veio abaixo com a explosão e a vida se deteve.
Escombros sepultavam corpos, sonhos e esperanças. Terroristas
não pedem documentos de identidade para matar, não
lhes interessam idades, nem credos. Só precisam de quantidades:
o maior número possível de vidas apagadas.
O que ocorreu na Argentina até hoje não foi esclarecido.
O presidente Kirchner prometeu chegar à verdade e fazer justiça.
Os agentes da violência atroz e indiscriminada precisam ser
punidos para que os sobreviventes, os familiares e a sociedade possam
recuperar-se do acontecido. "Justiça, Justiça
perseguirás para que vivas ..." (Deuteronômio
16, 20).
Em meio a hudna, a trégua do terror palestino, segue claudicante
o tênue processo de paz desencadeado pelo Mapa da Estrada.
Um atentado com morte é suficiente para acabar com a calma
e o relativo sossego no Oriente Médio. Em contrapartida,
na via diplomática as pressões são fortes.
O Road Map não prevê nem a libertação
de prisioneiros, nem toca na questão da cerca ou muro que
Israel está construindo mais ou menos ao longo da "linha
verde", uma espécie de fronteira não definida
entre a Cisjordânia e Israel. Mas os palestinos passaram a
exigir a libertação de todos os presos e o fim do
muro. Num gesto de boa vontade, mais de 700 prisioneiros "sem
sangue nas mãos" já foram libertados e outro
tanto será nos próximos dias. Só continuarão
presos os que planejaram, executaram e mataram, a despeito das exigências
das organizações terroristas.
Quanto à cerca, até mesmo os esquerdistas de Israel
que fazem oposição ao governo Sharon concordam que,
pelo menos durante um certo tempo, para que haja a paz, é
necessário haver a separação. Se não
houvesse os atentados suicidas, os ataques indiscriminados, as ciladas
e os seqüestros, pela lógica o muro seria desnecessário.
Mas a realidade é outra. O primeiro-ministro Mahmoud Abbas,
mais conhecido como Abu Mazen, tem se mostrado um político
hábil e mais diplomata que Arafat. Só que de outro
lado, não tem força para desmantelar os grupos terroristas,
parte principal do acordo com o Mapa que os palestinos ainda não
cumpriram. Então não há outra saída
senão continuar com o muro, pois os israelenses querem viver
em paz.
A Redação
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