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Por determinação do governo israelense, o Consulado
de Israel em São Paulo estará encerrando suas atividades.
Foi uma decisão difícil para o Ministério das
Relações Exteriores, principalmente por causa da importância
desta instituição no papel de ponte entre a comunidade
judaica brasileira e Israel.
Nesta longa trajetória de 47 anos de existência, o
consulado acompanhou todos os momentos marcantes da história
do Estado judaico, fornecendo, mesmo à distância, todo
o apoio necessário. Por isso, lamento muito pela situação
que estamos passando. No entanto, quero ressaltar que esta fase
difícil não deve se esvair em pessimismo e nem se
transformar em desilusão. Devemos manter uma esperança
real de que o fechamento será apenas temporário, até
que as atividades econômicas em Israel voltem à normalidade
e que, daqui a alguns anos, o consulado esteja novamente funcionando
na capital paulista.
Não poderia me despedir sem mencionar a relevância
e a grandeza do sr. Leon Feffer, nosso primeiro cônsul honorário,
que trabalhou obstinadamente pelo consulado, sempre defendendo o
Estado de Israel com amor e dedicação. Sua gestão
foi marcada pela determinação em fortalecer cada vez
mais os laços da comunidade judaica com Israel.
Na minha passagem de 3 anos e meio neste honroso cargo, a maior
parte do tempo foi marcada pela tensão da Intifada - que
nos deixou cada vez mais atônitos, sem entender a lógica
do terrorismo -, por uma cobertura pouco favorável da mídia
em relação a Israel e por dificuldades econômicas.
Houve momentos de frustração, nos quais a esperança
de ver estabelecida a paz entre Israel e seus vizinhos ganhou horizontes
nebulosos.
Desde os primeiros dias desta revolta palestina, eu sabia que tais
atitudes violentas, brutais e hostis não levariam a nada,
a não ser à dor e ao distanciamento do diálogo.
Tinha a certeza de que em algum momento iluminado a necessidade
de se sentar à mesa de negociações iria ser
reconhecida. E então, destas conversas difíceis, se
chegaria à conclusão definitiva de que a única
solução para a convivência pacífica dos
povos no Oriente Médio é a existência de dois
estados: Israel e o Estado Palestino.
As dificuldades existiram. Mas ao olhar para trás, vejo também
muitas realizações gratificantes que alcançamos
lado a lado. Tive a oportunidade e a alegria de poder trabalhar
com muitos de vocês em ocasiões especiais, desde o
primeiro evento até a inesquecível Marcha pela Paz,
que teve a participação de mais de 10 mil pessoas.
Juntos, tentamos mudar a imagem de Israel perante a imprensa local,
tentando deixar claro que o desejo da paz está presente em
todos nós.
É por esse gosto de dever cumprido que, mesmo diante dos
obstáculos, não devemos esmorecer. O apoio de vocês
sempre foi e continuará sendo muito valioso para o Estado
de Israel. Assim como a maioria dos israelenses, vocês são
parte do povo judeu e seremos eternamente ligados um ao outro. Col
Israel Arevim Ze Laze - Todo o povo de Israel se ajuda mutuamente
- é a melhor expressão que caracteriza o povo judeu.
Aproveito esta oportunidade para me despedir de cada um em especial.
A turbulência do momento está me impedindo de fazê-lo
pessoalmente. De Israel, será um prazer manter contato com
todos vocês. Baseado na história de nosso povo, tenho
a certeza de que nossas conversas futuras ocorrerão em tempos
melhores. Serão verdadeiras celebrações de
uma época vindoura, em que haverá finalmente uma paz
duradoura, em que a segurança do povo judeu terá sido
alcançada, e na qual os conflitos dolorosos entre Israel
e os nossos vizinhos serão páginas de uma história
cada vez mais distante.
Shalom a todos,
Medad Medina
Cônsul Geral de Israel.
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