Visão Judaica - Edição N° 16
:. As 10 tribos perdidas de Israel.:

Os judeus do Afeganistão

A Torá menciona a cidade de Meda como uma das localizações do exílio assírio das Dez Tribos de Israel. A maioria entende esta área como sendo a região ao noroeste da Irã chamada Kurdistão.
Quando se considera a possibilidade do povo deste exílio vagando para o Norte e Leste, então isto se aplicaria às Tribos de Israel que viviam nas Montanhas do Cáucaso, entre o Mar Cáspio e o Mar Negro, o que inclui as áreas da Armênia, Geórgia, Azerbaidjão e Daguistão (áreas de Khazar nos tempos antigos). Uma expansão a leste além do Mar Cáspio inclui as áreas do Usbequistão, Bukara e Turkmenistão. Partindo destas áreas, é muito fácil deslocar-se no rumo Sul até o Afeganistão, Índia, Paquistão, bem como chegar até a China.
Se alguém viajar da área de Meda ou Hamadã, ainda mais longe no rumo Leste, cruzando as Montanhas do Passo Khayber, chegará à fronteira do atual Afeganistão. Lá, deparamos com uma vista assombrosa. Há muitos homens numa tribo com nomes como Yusuf: Yusufzai, Yusufuzi, Yusufzad, etc., que se dizem oriundos das Tribos Perdidas.
Yusuf significa Yossef e Yusufzai quer dizer filhos de Yossef. As tribos de Yossef são as tribos de Efraim e Manashe, que são uma parte das Dez Tribos Perdidas de Israel. Também chamam a si mesmos Bnei Israel, que significa filhos de Israel. Diz sua tradição que foram levados para longe de seu antigo país de origem. Anteriormente foram pastores, em busca de pasto para os animais, mas desistiram da vida nômade e assentaram-se em aldeias comunitárias. Os yusufzai - que vivem no Afeganistão têm costumes dos antigos israelitas e os pathans - que também vivem no Afeganistão e no Paquistão, mantêm a tradição da circuncisão no 8º dia, têm franjas nas túnicas, respeitam o sábado, observam a kashrut (leis sobre dieta alimentar) e usam tfilin (filactérios), etc.

Tradição israelita na família real afegã
Não apenas os pathans, mas também a Família Real afegã tem uma tradição muito conhecida, reportando a sua origem no Israel antigo, vindos da tribo de Binyamin.
Esta tradição foi primeiramente publicada em 1635, num livro chamado Mahsan-I-Afghani e é freqüentemente mencionado na literatura de pesquisa. De acordo com esta tradição, o rei Saul tinha um filho chamado Jeremia, que tinha um filho chamado Afghana. Jeremia morreu na mesma época da morte do rei Saul e Afghana foi criado pelo rei David, e permaneceu na corte real durante o reinado do rei Salomão.
Aproximadamente 400 anos mais tarde, numa época de desordem em Israel, a família de Afghana fugiu para um país chamado Gur, na parte central do Afeganistão. Eles estabeleceram-se lá e fizeram negócios com o povo da região, e no ano 662, com o advento do Islã, os filhos de Israel em Gur converteram-se ao profeta com sete representantes de Afghan, O líder dos filhos de Israel era Kish, como o nome do pai de Saul.
De acordo com esta tradição, Maomé os recompensou e o nome hebraico Kish foi mudado para Arab-A-Rashid, recebendo a incumbência de divulgar o Islã entre seu povo. Estas são as raízes da Família Real Afegã.
Assim, a Família Real Afegã tem a tradição de Israel antigo - a tribo de Binyamin.

Judeus afegãos

Embora a maioria dos integrantes do oficialmente extinto Talebã jamais tenha visto um judeu, o Afeganistão tinha, até pouco tempo, uma florescente comunidade judaica.
Em época tão recente quanto o início do século 20, mais de 40 mil judeus na verdade ali viviam em paz, afirma Ken Blady, um educador judeu, escritor e conferencista sobre o tema de judeus em áreas remotas do mundo.
Hoje, porém, diz o residente de Berkeley e autor de Comunidades Judaicas em Locais Exóticos, existem lá apenas dois judeus remanescentes. Quando o Talebã subiu ao poder em meados dos anos 90, o Afeganistão - que certa vez fornecera imunidade aos judeus contra os muçulmanos xiitas da Pérsia - carecia muito de judeus.
"Os judeus podiam ser encontrados no Afeganistão desde os primeiros tempos bíblicos", afirma Blady, um estudioso e aficcionado da história que conduziu grande parte de sua pesquisa em Israel, através de entrevistas com eruditos. Visitar o Afeganistão sob o governo do Talebã não serviria para esclarecer muita coisa, acrescenta ele.
"É possível que tenham chegado ali com a dispersão das Dez Tribos de Israel, em 722 a. e. C. Muitos acabaram indo para lá após a destruição do Primeiro Templo.
Quando Genghis Khan invadiu o Afeganistão no início do século 13, e "demoliu totalmente aquele que era um país adiantado com universidades liberais e de prestígio", também aniquilou uma grande parte dos judeus que lá viviam.
Porém, mais tarde, eles começaram a retornar aos poucos, principalmente no século 19, quando os xiitas tentaram convertê-los à força.
"Na Pérsia eles tiveram uma opção, entre a espada e a conversão ao Islã", diz Blady. "O Afeganistão não era tão intolerante. Os judeus não podiam ser convertidos à força".
Entretanto, os judeus, cristãos e zoroastristas eram constantemente lembrados de sua inferioridade. Não tinham permissão de construir uma sinagoga mais alta que uma mesquita, e não podiam montar cavalos, "que estavam reservados para as classes superiores."
A maioria dos judeus trabalhava em artesanato, tingindo tapetes, ou como ambulantes, importadores e exportadores.
"Tinham um lugar rígido na sociedade, e geralmente eram protegidos pela lei. Assim como você não chutaria um cachorro, não chutaria um judeu", observa o pesquisador.
Com a antiga e longa conexão dos judeus ao Afeganistão, não é surpresa total que os colonizadores britânicos certa vez notassem "algo invulgarmente judaico nos afegãos," diz Blady. "Eles usavam cachos e xales, e diz-se mesmo que acendiam velas nas sextas-feiras à noite".
Dezenas de nomes e costumes pashtuns parecem judaicos, desde os nomes das tribos pashtuns, Naftali e Asheri, até o costume pashtun de uma chupá (pálio) nupcial e a circuncisão dos filhos no oitavo dia após o nascimento.
Mas apesar desta amálgama de tradição judaica, Blady afirma ser falsa a alegação de algumas das tribos afegãs muçulmanas, de que são descendentes das Dez Tribos Perdidas.
O povo pashtun, do qual o Talebã fazia parte, por exemplo, alega que eram judeus que foram convertidos ao Islã por conselho de um outro judeu convertido ao Islã, um discípulo de Maomé, durante o século oitavo, diz ele. Afirmam que a cidade de Cabul "simboliza Caim e Abel" e que o nome Afeganistão é derivado do neto do Rei Saul da tribo de Binyamin, Afghana.
Blady diz que isso é mitologia. "Eles são arianos, curdos, iranianos, e de forma alguma são semíticos," afirma ele. Eles criaram esta mitologia sobre si mesmos para dominar outros povos - para dizer que, quando todos os outros eram primitivos e bárbaros, eles já eram monoteístas".
Blady diz que esta ascendência ariana deve-se em parte à época em que os nazistas tentaram estabelecer solidariedade com os afegãos durante a Segunda Guerra.
"Eles começaram a jogar panfletos dos aviões para criar inimizade e tensão para com os judeus." Muitos foram massacrados. Outros fugiram para Bombaim, ou para Israel antes de sua independência, para a Itália, Inglaterra e os Estados Unidos, com a ajuda de várias organizações judaicas.
As poucas centenas de judeus remanescentes no Afeganistão depois da 2ª Guerra Mundial saíram quando os soviéticos invadiram o país em 1979.
"Quando o Talebã chegou ao poder, havia apenas uma família judia restante. Então, há mais ou menos dois anos, eles também conseguiram sair." Teria então restado apenas dois judeus ali.

Este material foi pesquisado e coletado dos sites do Beit Chabad do Brasil (www.chabad.org.br), uma instituição religiosa judaica mundial, de Arimasa Kubo, um estudioso cristão japonês (www.new-tradition.org/) e no artigo escrito por Aleza Goldsmith no Boletim Judaico do Norte da Califórnia - EUA.

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