Visão Judaica - Edição N° 23
:. Visão Panorâmica.:

Por:
Yossi Groisseoign

Melhor que coleção de selos?
Uma exposição de Pessach (Páscoa) no Clube Israelita do Rio de Janeiro exibiu 63 hagadot (plural de hagadah) diferentes. A mostra de 18 dias, iniciou em 30 de março e durou até 15 de abril, incluía uma hagadah (livro que relata história da libertação do povo judeu da escravidão no Egito) no formato de acordeão e escrito num idioma africano. “A exibição é importante por fazer as pessoas interessadas estudarem os vários aspectos do Êxodo e os múltiplos comentários que foram escritos pelos sábios de todas as gerações,” declarou David Gorodovits. que reuniu a coleção durante mais de 30 anos. A exibição teve o apoio do Museu Judaico do Rio de Janeiro Museu judeu e da Federação Israelita.

Medidas e pesos diferentes
O objetivo declarado do Hamas, um grupo terrorista radical é destruir Israel e criar em seu lugar um estado islâmico na região. Teriam entre 200 e 300 militantes e realizaram mais de 400 ataques causando a morte de 377 pessoas e ferindo 2.076 civis e soldados. Foram 52 ataques suicidas que mataram 288 e feriram 1646. Fazem muito barulho e ganham muito espaço na mídia européia. Seus líderes rejeitam qualquer negociação de paz e dizem com todas as letras que o objetivo é destruir Israel e matar os judeus. Israel tem o direito de defender-se e matou o líderes do grupo, sheik Ahmad Yassin dia 22 de março e Abdel–Aziz Rantissi, seu sucessor, em 17 de abril. A mídia tem denominado isso de “assassinatos seletivos”, mas quando morrem civis inocentes em atentados, não os chama de “assassinatos indiscriminados”.

MST e Hamas
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o paranaense Roberto Busato, comparou no dia 29/3 as ameaças de invasões de terras feitas pelo líder do MST João Pedro Stédile, às promessas de ataque aos Estados Unidos e Israel anunciadas pelo então novo líder do movimento fundamentalista Hamas, Abdel-Aziz Rantissi (ele ainda não tinha sido morto). Stédile havia dito que “abril vai pegar fogo”. “Hoje de manhã liguei a TV e vi o novo líder do grupo terrorista Hamas dizendo a mesma coisa, que vai transformar abril em um mês de sangue, em um abril vermelho”, comentou Busato.

Voltando atrás
Bastou o anúncio de que a Inglaterra e os Estados Unidos congelaram as conta de cinco líderes do Hamas, incluindo o do líder do grupo em Gaza, Rantissi (antes de sua morte), por envolvimento com o terrorismo para que este voltasse atrás em sua declaração de que o grupo pretendia atacar também interesses dos EUA. Os outros quatro que tiveram contas bloqueadas são Musa Abu Marzouk, Imad Khalil Al-Alami, Usama Hamdan e Khalid Mishaal.

Embaixador fala de Israel
“ Israel na Política Externa Brasileira” foi tema de palestra proferida pelo embaixador do Brasil em Israel, Sérgio Eduardo Moreira Lima, em evento promovido pela Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria, Rotary Club de São Paulo-Oeste e Rotaract-Oeste. O embaixador falou para 150 empresários em 16 de março. Moreira Lima analisou o atual intercâmbio entre o Brasil e Israel, ressaltando as oportunidades ainda não exploradas pelo empresariado dos dois países.
Mostrou-se otimista com as possibilidades de ampliação da pauta das exportações do País para Israel. E destacou que, comparando o resultado da balança comercial de 2002 e 2003 entre as duas nações, houve um crescimento de 30% nas vendas do Brasil para o mercado israelense neste último ano. Em janeiro de 2004, em relação ao mesmo período de 2003, registrou-se um aumento de 70% nas exportações brasileiras para Israel. O aumento inclui componentes eletrônicos e grãos como a soja.

Rio recebe missão da Ness
A viagem da governadora do Rio, Rosinha Matheus a Israel, no inicio de 2004, já reverteu na visita ao Detran de executivos da Ness Technologies, internacionalmente reconhecida por sua excelência na área de software. Os israelenses vieram conhecer o sistema integrado de informação na área de segurança pública relacionado a roubos e furtos de automóveis. E receberam informações sobre o Registro Nacional de Veículos Automotores e Registro Nacional de Carteiras de Habilitação, conhecidos como sistemas seguros. Além da instituição, a missão da Ness visitou delegacias legais, a Coordenadoria de Recursos Especiais e o Departamento de Fiscalização de Armas e Explosivos da Polícia Civil. O Rio de Janeiro receberá, ainda no primeiro semestre, uma missão da Ormat, empresa israelense que atua no segmento de energia. O objetivo do grupo é analisar a possibilidade da usar a tecnologia desenvolvida da companhia em áreas rurais para populações de baixa renda.

Convênio com Haifa
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), através do reitor Nival de Almeida, e a Universidade de Haifa (Israel), através do reitor Aharon Ben-Zeev, assinaram um Convênio de Cooperação, cujo objetivo é estreitar relações de cooperação técnico-científica e cultural entre as partes, na área de estudos históricos. O acordo prevê, além do intercâmbio de docentes e alunos de graduação e pós-graduação, o desenvolvimento de atividades conjuntas, como cursos, seminários, pesquisas e publicações. O convênio abre mais um capítulo na história das relações entre Brasil e Israel, objetivando consolidar, pela cooperação universitária, a amizade e a integração entre os dois países. A coordenação do projeto em Israel está a cargo da professora Graciela Ben-Dror e, no Brasil, do professor Edgard Leite, do Departamento de História.

Formação de líderes etíopes
Cinqüenta e um estudantes de origem etíope completaram seu primeiro ano de estudo em Leis e Administração de Empresas na carreira acadêmica em Kiriat Ono, Israel. O objetivo do programa experimental é estimular os emigrantes da Etiópia a seguir com estudos universitários, na esperança de que os graduados venham a se tornar líderes da comunidade etíope no futuro, servindo de exemplo aos demais jovens e que se envolvam na atuação social em prol de sua comunidade.

Extradição de suspeitos da fronteira
Foi solicitada pela entidade-mãe da comunidade judaica argentina a captura e extradição de quatro libaneses de Cidade do Leste, no Paraguai, suspeitos de serem integrantes do extremismo islâmico na Tríplice Fronteira, ligados ao atentado que destruiu a Amia em julho de 1994. Conforme dados da Interpol eles seriam Assad Ahmad Barakat, Farouk Omairi, Ali Khalil Merhi e Imad Mougnieh, que estariam ligados com a “guerra santa”, através do Hezbolá, segundo informações de fontes de segurança do Mercosul.

Questão familiar no NYT
Israel suspendeu a deportação de um palestino que vive ilegalmente no país, mas tem um filho que serve no exército israelense. A Alta Corte de Justiça decidiu suspender os procedimentos contra Adel Hussein, nativo de Tulkarem, pois quando se casou com Stella Peretz, uma judia israelense eles tiveram um filho, Mohammed Hussein, que atualmente serve no batalhão beduíno do exército israelense. Hussein pai disse ao Tribunal que poderia ser morto caso fosse forçado a voltar à Margem Ocidental. A história da família foi publicada recentemente no jornal New York Times.

Uso de crianças para atentados
Soldados de Israel frustraram um ataque terrorista suicida em 16/3, quando um menino palestino de 11 anos de idade, Abdalah Kouran foi parado porque levava uma mochila contendo 10 kg de explosivos. Ele recebeu um dólar para levar a bolsa através do posto de fiscalização e foi justamente a bolsa que causou suspeita. Membros da Tanzim (que atua em atentados terroristas), da cidade de Nablus, tiraram proveito da aparência inocente do menino e sem o conhecimento dele, o usaram para transportar um dispositivo explosivo pelo posto de fiscalização. Ele iria morrer, pois os explosivos tinham um detonador acionado por telefone celular quando se aproximasse de um grupo de judeus. O jovem foi interrogado e libertado a seguir.

Crianças II
Essa atitude execrável de utilizar crianças também causa sérios danos à população palestina inocente, que atravessa os postos de fiscalização diariamente e fica cada vez mais evidente a necessidade de fazer as checagens nos postos de fiscalização. O frustrado ataque terrorista, mostra o modo pelo qual as organizações terroristas abusam das crianças palestinas e dos jovens que têm mais facilidades para passar pelos postos, e sem suspeita em áreas mais densas. Desde o começo da violência em 2000, 29 ataques suicidas foram levados a cabo por jovens com menos de 18 de idade. Desde maio de 2001, 22 ataques com disparos de armas e ataques utilizando dispositivos explosivos foram levados a efeito por garotos com menos de 18 de idade. E desde o começo de 2001, mais de 40 jovens com idade inferior a 18 anos estiveram envolvidos em tentativas frustradas de ataques terroristas suicidas a bomba, três deles durante 2004.

Spielberg contra-ataca
O diretor de cinema Steven Spielberg vai contra-atacar Mel Gibson por este abastecer o combustível do anti-semitismo no mundo com seu filme sobre Jesus. Ele fará um filme sobre as Cruzadas. Para converter judeus e muçulmanos ao cristianismo, cristãos atravessaram a Europa em direção ao Oriente Médio usando extrema violência com “os descrentes”. Ao longo do caminho eles estupraram, espancaram, mutilaram, torturaram e assassinaram centenas de milhares homens, mulheres e crianças inocentes. Será um filme sobre a brutalidade cristã de forma realista, gráfica e ensangüentada. Para Spielberg,Gibson quer acusar os judeus pela morte de uma pessoa que nós não matamos. “Mostrarei a desumana brutalidade de cristãos, contra pessoas de outras fés, tema sobre o qual historicamente não há ambigüidade sobre quem são os culpados”. Outro filme programado por Spielberg é o que vai abordar as torturas e o assassinato de judeus pela Inquisição espanhola.

Pesquisa da Super Interessante
Na sexta-feira santa, a Revista Super Interessante colocou em seu site a seguinte enquete: “Você acha que os judeus devem ser culpados pela morte de Jesus?”. No domingo de Páscoa,
com mais de 10.500 pessoas que passaram pelo site, o resultado da votação era: Sim 83,1% e
não 16,9%. A Federação Israelita de São Paulo convenceu a revista de que as pesquisa não contribui em nada para o bom relacionamento entre as comunidades cristã e judaica do Brasil, servindo apenas para alimentar o preconceito. A pesquisa foi retirada do ar dia 14/4.

Seleções e Gibson
Já a edição de abril da revista Seleções Reader’s Digest, traz entrevista exclusiva com Mel Gibson muito esclarecedora. Por ela, ficamos sabendo que não é só Hutton, o Gibson pai, que minimiza o Holocausto. O próprio Mel também. A repórter Peggy Noonan, a certa altura questiona o ator-diretor sobre as declarações do pai sobre o tema. Ele desconversa alegando que o pai nunca lhe mentiu, que lutou na 2ª Guerra Mundial em Guadalcanal contra o fascismo, foi ferido e ficou doente. A jornalista insiste. Gibson então diz: “tenho amigos e conheço pais de outros amigos que têm números marcados no braço” e que teve um professor de espanhol sobrevivente do Holocausto. Ante a pergunta se o Holocausto aconteceu, respondeu: ”Sim, é claro. Atrocidades aconteceram. A guerra é uma coisa horrível. A 2ª Guerra Mundial matou dezenas de milhões de pessoas. Alguns deles eram judeus em campos de concentração. Na Ucrânia, milhões morreram de fome entre 1932 e 1933. No século passado 20 milhões de pessoas foram dizimadas na União Soviética”. Ou seja, para Gibson, os judeus a morte dos foi uma gota no oceano...

 

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