Visão Judaica - Edição N° 23


Por: Helena Kessel - correspondente VJ


· Após o atentado terrorista em Madri no dia 11/3/2004, o clima de tensão está igualmente acionado aqui em Paris. Nas estações de metro, por exemplo, os alto-falantes não cessam de alertar os passageiros para que fiquem atentos a qualquer objeto suspeito, devendo notificar os responsáveis, caso alguém se encontre nessa situação.

· Além disso, na sexta-feira, dia 19/3 estávamos dentro do ônibus nº 68 quando, de repente, em meio a um caótico trânsito no 9ème arrondissement, o motorista nos diz para sairmos imediatamente em razão de uma ameaça de bomba feita na mencionada região. Claro que o congestionamento ficou ainda pior.

· No mesmo clima de terror, novas cartas suspeitas foram endereçadas a várias embaixadas francesas em países muçulmanos e africanos. Postadas em Paris, as ameaçadoras missivas são de autoria do "Comando Mosvar Barayev" e são parecidas com as anteriores, direcionadas ao primeiro ministro Jean-Pierre Rafarin e a outros dois jornais franceses.

· No domingo, dia 21/3 ocorreu o primeiro turno das eleições regionais francesas. Com 40,5% dos votos, a esquerda é a favorita, seguida da direita, com 33,8% dos votos, da extrema direita com 17% e da extrema esquerda com 4,8%. Lembrando que o voto não é obrigatório e que 61% da população participou da eleição.

· Uma semana depois os parisienses reiteraram o favoritismo dos partidos socialistas, elegendo Jean-Paul Houchon, com 49% dos votos. Na segunda posição, o candidato de centro-direita (UMP) Jean François Cope com 41,7% dos votos, seguido do partido de direita, o Frente Nacional, representado pela filha do Le Pen, Marine Le Pen com 10%.

· Assim como no Brasil, porém não tão ostensivos na época de eleição, cartazes dos políticos são a decoração da cidade. Um dos que mais nos chamou a atenção foi o do partido de extrema direita MNR (Movimento Nacional Republicano), com os seguintes dizeres: "Não à islamização, com Nicolas Bay e Bruno Mégret" (pretendendo expulsar os membros da comunidade islâmica de Paris). Um grafiteiro adicionou a frase: "fora nazistas".

· Finalmente os franceses conseguiram um distribuidor para o polêmico filme “A Paixão de Cristo”. Seu nome: Ben Ammar.

· Marin Karmitz, dono de uma das mais importantes redes cinematográficas francesas chamada MK2, se recusou a projetar o polêmico filme "A Paixão de Cristo", de Mel Gibson. A razão é por considerá-lo fascista, anti-semita, revisionista e muito violento. Além disso, ele afirmou, no diário "Metro", que "ver por duas horas um homem sendo torturado, segurando um pote de pipoca na mão é algo repugnante".

· Para completar, três irmãos chamados Patrick, Gérard e Jean-Marc Benlolo já iniciaram um processo diante da Côrte de Grande Instância de Paris, visando à suspensão do filme que, segundo eles, apresenta uma falsa e errônea visão de certos eventos religiosos. Eles afirmam, ainda, que "A Paixão de Cristo" foi produzido com o objetivo de incitar o ódio aos judeus.

· A sinagoga no centro da comunidade judaica de Toulon e du Var foi incendiada na noite de 21 para 22 de março de 2004. O incêndio foi provocado por um coquetel molotov e causou danos de natureza leve no seu hall de entrada. O presidente da referida comunidade prestou queixa na delegacia. Já o prefeito da cidade declarou que esse ato odioso será severamente punido.

· A associação SOS Racismo e a União dos Estudantes Judeus da França (UEJF) organizaram no dia 15/3 e com sucesso, uma noitada intitulada "Rir contra o racismo". Entre os convidados, famosos humoristas franceses, imbuídos da missão de lutar e denunciar o racismo e o anti-semitismo.

· Aïcha Kadhafi, uma das filhas do presidente da Líbia, está inscrita na Universidade René Descartes, Paris V. Ela prepara uma tese de direito cujo tema é o conselho de segurança da ONU.

· A polícia compareceu na casa de Maurice Papon, em Gretz-Armainvilliers, com o objetivo de fazê-lo explicar-se a respeito de uma foto em que ele estaria portando, ilegalmente, as insígnias da “Legião de Honra”. Elas lhe foram retiradas em 1999 após a sua condenação por cumplicidade nos crimes contra a humanidade. Até o presente momento o ex-prefeito de Gironde não respondeu a convocação recebida alegando, como sempre, "razões de saúde".

· Comprar cartões para ligações internacionais em Paris é fácil. Há muitas lojas especializadas no ramo, cuja propriedade na sua maioria é de pessoas de origem islâmica. Normalmente, cartazes são colocados na vitrine, indicando o suposto número de minutos de conversa que o cartão oferece, diretamente proporcional ao destino do comprador. A surpresa, entretanto, foi vislumbrar a opção Israel e/ou Palestina em algumas vitrines. Se a moda pega...

* Helena Kessel é correspondente do jornal Visão Judaica em Paris.


 

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