Por:Antonio
Carlos Coelho *
Temos tratado da
cidade antiga de Jerusalém. Já falamos
dos bairros judeu e árabe. Ainda temos a parte cristã,
dividida entre o bairro armênio e o cristão (greco-latino).
Para quem visitou o Monte das Oliveiras, importante local cristão,
pode entrar na cidade pela Porta dos Leões ou Porta de
Santo Estevão. Esta entrada conduz à Via Dolorosa,
onde se encontram muitos locais de visitação cristã,
inclusive boa parte das estações da Via Sacra.
Partindo da Porta dos Leões, o primeiro local de visitação é a
Igreja de Sant’Ana. Esta igreja é a mais conservada
obra dos cruzados na cidade. Foi construída próxima
da antiga Igreja do Paralítico (século 5) feita
pelos bizantinos. Sua arquitetura é tipicamente cruzada
(1140 d.C.). Muito austera, chega a ser considerada fria para
muitos visitantes. Particularmente, eu a considero muito bonita,
talvez a mais bonita e todas as igrejas de Israel.
No alto da abside encontra-se somente o ícone de Cristo
Pantocrator. O altar é esculpido em pedra. Ao lado esquerdo
de quem entra, encontra-se a imagem de Sant’Ana com Maria
menina. No centro da nave há uma entrada para a cripta
que recorda o nascimento de Maria. A cripta, segundo a tradição
bizantina, é o local da casa dos pais de Maria, Joaquim
e Anna. Após Saladino ter vencido os cruzados a igreja
foi transformada numa escola religiosa muçulmana.
Nos fundos da igreja estão as ruínas da Piscina
Probática, mencionada no evangelho de João (Jo
5:1-13), no episódio da cura do paralítico. Também
no Livro dos Reis (2 Reis 18:17) e em Isaías (Is 7:3)
há menções da piscina (reservatório
superior). Esta piscina possuía quatro grandes pórticos,
e um quinto a dividia em dois tanques. O visitante pode ver os
restos de colunas romanas e das construções e mosaicos
bizantinos que pertenciam a antiga Igreja do Paralítico.
Tal piscina era um grande reservatório de água,
existente desde o século 8 a.C. que provavelmente, por
canais subterrâneos, abastecia a piscina ao lado do Templo
(Piscina de Israel). No período do Segundo Templo esse
reservatório media 120 x 60 metros. A escavação
desse sítio se deu em 1871 pelo arqueólogo Mauss.
*Antonio Carlos
Coelho é professor e diretor do Instituto
Ciência e Fé.