Visão Judaica - Edição N° 23
:. Turismo: Jerusalém (10) - Bairro Cristão (1).:

Por:
Antonio Carlos Coelho *

Temos tratado da cidade antiga de Jerusalém. Já falamos dos bairros judeu e árabe. Ainda temos a parte cristã, dividida entre o bairro armênio e o cristão (greco-latino).
Para quem visitou o Monte das Oliveiras, importante local cristão, pode entrar na cidade pela Porta dos Leões ou Porta de Santo Estevão. Esta entrada conduz à Via Dolorosa, onde se encontram muitos locais de visitação cristã, inclusive boa parte das estações da Via Sacra.
Partindo da Porta dos Leões, o primeiro local de visitação é a Igreja de Sant’Ana. Esta igreja é a mais conservada obra dos cruzados na cidade. Foi construída próxima da antiga Igreja do Paralítico (século 5) feita pelos bizantinos. Sua arquitetura é tipicamente cruzada (1140 d.C.). Muito austera, chega a ser considerada fria para muitos visitantes. Particularmente, eu a considero muito bonita, talvez a mais bonita e todas as igrejas de Israel.
No alto da abside encontra-se somente o ícone de Cristo Pantocrator. O altar é esculpido em pedra. Ao lado esquerdo de quem entra, encontra-se a imagem de Sant’Ana com Maria menina. No centro da nave há uma entrada para a cripta que recorda o nascimento de Maria. A cripta, segundo a tradição bizantina, é o local da casa dos pais de Maria, Joaquim e Anna. Após Saladino ter vencido os cruzados a igreja foi transformada numa escola religiosa muçulmana.
Nos fundos da igreja estão as ruínas da Piscina Probática, mencionada no evangelho de João (Jo 5:1-13), no episódio da cura do paralítico. Também no Livro dos Reis (2 Reis 18:17) e em Isaías (Is 7:3) há menções da piscina (reservatório superior). Esta piscina possuía quatro grandes pórticos, e um quinto a dividia em dois tanques. O visitante pode ver os restos de colunas romanas e das construções e mosaicos bizantinos que pertenciam a antiga Igreja do Paralítico.
Tal piscina era um grande reservatório de água, existente desde o século 8 a.C. que provavelmente, por canais subterrâneos, abastecia a piscina ao lado do Templo (Piscina de Israel). No período do Segundo Templo esse reservatório media 120 x 60 metros. A escavação desse sítio se deu em 1871 pelo arqueólogo Mauss.

*Antonio Carlos Coelho é professor e diretor do Instituto Ciência e Fé.

 



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