Visão Judaica - Edição N° 23
:. Um pouco de História .:


Por: Edda Bergmann *

Na história da humanidade há somente um povo que após milhares de anos de independência nacional e de dois mil anos em que esteve sujeito a inúmeras conquistas, reconquistou a independência na sua antiga terra para construir um estado moderno e democrático.
Esta nação é Israel
Os judeus nunca esqueceram seus antepassados, Abrão, Isaac e Jacó e a terra de Israel no século XX a.C. que foi de seus ancestrais e no século XIII a.C. D-us entregou os Dez Mandamentos a Moisés e eles têm servido de guia para a conduta de todo o mundo esclarecido.
A nação judia desfrutou de um longo tempo de independência em sua própria terra. Foram governados por David, poeta, guerreiro, estadista e rei e por Salomão, famoso por sua sabedoria e pelo seu incomparável “Cântico dos Cânticos” como também pelo templo que construiu em Jerusalém para o D-us único e universal.
Nabucodonosor destruiu o Templo em 586 a.C. quando conquistou Jerusalém, e apesar de ter mandado uma parte dos judeus para o exílio no seu reino da Babilônia, não conseguiu demovê-los da aspiração de retorno à sua terra.
Cerca de 50 anos mais tarde com o imperador Ciro os judeus puderam voltar à sua terra e reconstruir o templo em Jerusalém.
A terra de Israel está situada num ponto onde se cruzam os caminhos para a Europa, Ásia e África e por essa razão foi sempre cobiçada pelos grandes imperadores desde os primórdios da História.
Assim, os gregos sucederam-se aos persas e os romanos aos gregos. Contudo, apesar de toda a cultura desses grandes impérios, os judeus lutaram heroicamente para preservar sua identidade, seus valores e sua liberdade.
Um exemplo dessa coragem foi a rebelião dos macabeus em 168 a.C. Tito, o imperador romano foi quem conseguiu vencer os judeus no ano 70 da era cristã, incendiou Jerusalém e destruiu o Templo. Seu único vestígio é o muro ocidental chamado de Muro das Lamentações, que se transformou em símbolo de unidade nacional e religiosa dos judeus onde quer que estivessem. Gerações após gerações continuaram rezando “no ano que vem em Jerusalém”.
Na terra de Israel os conquistadores sucederam-se uns aos outros durante 1878 anos, desde o ano 70 da Era Cristã, a terra de Israel foi dominada por uma sucessão de forças estrangeiras.
Suas fronteiras foram fixadas e seu nome mudado de acordo com os caprichos deste ou daquele conquistador. Contudo, durante esse período os judeus continuaram a afluir havendo sempre um grupo obstinado e fiel que se prendeu às suas raízes na Terra Santa, independentemente dos problemas surgidos contra eles.
Finalmente sua tenacidade deu frutos. O espírito nacionalista que animou os povos oprimidos e toda a Europa se manifestou também no povo judeu, reforçando seu antigo desejo de restabelecer a independência nacional em sua terra.
Pouco a pouco o sionismo tornou-se uma realidade viva, principalmente como as ações de Theodor Herzl que reagiu ao processo do capitão André Dreyfus pelos franceses.
O jornalista Theodor Herzl encontrou apoio tanto no Oriente como no Ocidente e marcou o advento do sionismo político com a força de âmbito internacional em Basiléia, a 29 de agosto de 1897.
Mas a terra que um dia teve suas colinas arborizadas e seus férteis vales plantados havia se convertido em uma província esquecida do escasso povo do decadente império otomano.
Abandonada pela maioria dos seus senhores feudais era um desolado conjunto de pântanos e desertos. A vida, a malária grassava e a atitude da administração otomana hostil e opressiva, mas apesar de tudo nada intimidava os judeus que lá estavam e os que para lá retornavam.
O império otomano agonizava na Primeira Guerra Mundial e os judeus tentaram convencer os ingleses que poderiam fazer reflorescer sua terra de Israel em uma democracia plena.
Tiveram a simpatia de Lord Balfour que apoiou a idéia em 1917. Cinco anos mais tarde a Liga das Nações concedeu à Grã-Bretanha um mandato para governar a Palestina Judaica.
Os ingleses então separaram da Palestina o Estado da Transjordânia e lhes deram a independência. Sobrou a faixa de terra à oeste do Rio Jordão, isto é, cerca de uma quarta parte de área da Palestina.
No começo os árabes não se opuseram. Depois de surgidas as primeiras cidades e os kibutzim, veio uma reação terrorista extremista do Mufti de Jerusalém, amigo de Hitler e sucederam-se os atentados terroristas em 1920, 1921, 1925, 1936 e 1939.
Em 1937 os ingleses tiraram mais um pedaço do Lar Nacional Judaico da Palestina, assegurando a maior parte do território aos árabes.
Em 1947 a Assembléia Geral das Nações Unidas decidiu pela partilha da Palestina Ocidental criando um estado judeu e outro árabe. Os árabes não aceitaram. A 14 de maio de 1948 quando David Ben Gurion declarava a nova independência do Estado de Israel, este foi invadido por seis nações árabes, mas milagrosamente as venceu.
Os 650 mil habitantes da Palestina judaica conseguiram absorver um milhão de imigrantes e mais 800 mil expulsos dos países árabes que tiveram que deixar tudo para trás e não foram e não são refugiados porque Israel os absorveu evitando todo o pandemônio ridículo que os árabes fizeram com os “assim chamados refugiados palestinos”. Ainda hoje sustentados pela UNRWA (United Nations Refugee Agency) das Nações Unidas, o mundo inteiro paga para que tenham uma vida atribulada e sectária.
Até quando?

* Edda Bergmann é vice-presidente Internacional da B’nai B’rith

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